O Globo – Patrícia Eloy
O Federal Reserve, o banco central americano, concedeu ao Bradesco, no último dia 30, o selo de Financial Holding Company (conglomerado financeiro), que abre espaço para que o maior banco privado brasileiro possa atuar no mercado dos EUA em condições de igualdade com as instituições financeiras locais.
Em fato relevante publicado hoje, o Bradesco explica que, com isso, poderá atuar no mercado de valores mobiliários, participar de fusões e aquisições, gerenciar investimentos, administrar carteiras de fundos e vender seguros no mercado americano.
O Bradesco já atua nos EUA por meio da Bradesco Securities, corretora que intermedia a compra e venda de ações e também ADRs (American Depositary Receipts, ação de empresa estrangeira negociada nas bolsas americanas), títulos da dívida, certificados de depósito e notas promissórias.
Para Erivelto Rodrigues, sócio da consultoria Austin Asis, especializada no setor bancário, a notícia, embora positiva, não deve ter impacto imediato sobre a avaliação do Bradesco ou seu valor de mercado.
— A autorização pelo Fed, em si, não muda nada. Só veremos algum impacto sobre preços quando o banco começar a operar efetivamente nos Estados Unidos. A notícia, porém, abre uma imensa possibilidade de novos negócios para o banco — diz Rodrigues.
Segundo ele, até hoje, dos bancos brasileiros, apenas o Itaú havia recebido autorização do banco central americano para atuar nos EUA. O Bradesco tem agências em Nova York, Grand Cayman e Nassau e subsidiárias em Nassau, Luxemburgo, Buenos Aires, Grand Cayman e Tóquio.
Líder nos ramos de seguros, leasing e capitalização
No Brasil, o banco tem uma carteira de 14,5 milhões de clientes e 2,3 milhões de acionistas e é líder nos mercados de seguros, leasing, capitalização e internet banking . Da rede de atendimento fazem parte 3.052 agências e 2.062 postos bancários. Os ativos totais somam R$ 176 bilhões e o banco tem sob gestão R$ 81,5 bilhões — recursos de fundos de investimento e carteiras administradas.
O Bradesco foi fundado em 1943, em Marília, no interior de São Paulo. O objetivo inicial era atrair pequenos comerciantes e funcionários públicos, aproveitando um nicho de mercado que não era explorado pelos outros bancos.
Em 2003, o banco teve um lucro líquido de R$ 2,3 bilhões — 14% a mais que no ano anterior. Os maiores ganhos foram com os juros dos títulos públicos e com o aumento das receitas de serviços. A incorporação dos bancos BBV e Finasa e da área de administração de recursos do banco JP Morgan Fleming, permitiu ao banco conseguir 1,5 milhão de novos correntistas em 2003.
A carteira de créditos do banco encerrou setembro do ano passado com R$ 52,7 bilhões, 1,5% menos do que os R$ 53,5 bilhões do mesmo mês de 2002.
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