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DESCONTROLE É A PRINCIPAL CAUSA DO CHEQUE SEM FUNDO, APONTA PESQUISA

Valor – Janes Rocha De São Paulo

Descontrole das finanças pessoais é o principal motivo alegado para a inadimplência no cheque, revela uma pesquisa da Telecheque, empresa especializada em verificação e garantia de cheques.

Depois de ouvir 1.077 pessoas (51% homens e 49% mulheres), entre março e abril, sobre as razões para ter deixado um cheque cair na conta sem fundos, a maior parte dos entrevistados (27%) respondeu que se descontrolou.

O descontrole é maior entre as mulheres. Do total de mulheres ouvidas, 29% apontaram essa como a principal causa da inadimplência, em comparação a 26% de homens que deram a mesma explicação.

Um percentual expressivo (18%) do grupo entrevistado disse que “emprestou o nome” para alguém próximo, que acabou não honrando o “empréstimo”.

Em número tão grande quanto o de “descontrolados” estavam as pessoas que tiveram o salário atrasado ou perderam seus empregos.

A amostra da pesquisa foi selecionada dentro de um grupo que corresponde a apenas 2,7% do total de emissores de cheques no país. Em sua maioria (82%), são pessoas que ganham de R$ 200 a R$ 1,5 mil por mês.

Quase 80% fizeram compras com valores médios entre R$ 20 e R$ 400, parcelando em no máximo três prestações.

Segundo Eliel Vilela, diretor da Telecheque, há três tipos de devedores em cheques: os “habituais”, os “acidentais” e os “mal intencionados”.

Os “habituais” estão sempre passando cheques sem fundos, como se criassem para si próprios um limite de cheque especial informal. Esses sempre quitam sua dívida em 60 dias no máximo.

Os “acidentais” são aqueles que perderam o emprego ou tiveram um problema sério (doença, acidente ou morte na família) e temporariamente ficaram sem recursos para pagar.

Os “habituais” e “acidentais”, que pagam a dívida em até 60 dias, perfazem 40% dos devedores em cheques sem fundo, afirma Vilela. E chegam a 60% do grupo, se somados aos que demoram até um ano para pagar. Mas pagam.

E há o terceiro grupo, dos “mal intencionados”, que abrem conta no banco com o objetivo premeditado de soltar cheques sem fundo na praça.

“Esses não passam de 20% dos inadimplentes”, afirma o diretor da Telecheque. Vilela afirma que a falta de controle é “histórica”, e vem sendo comprovada nessa pesquisa que a empresa realiza bimestralmente, desde o ano passado.

“Bombardeadas pela mídia, as pessoas compram por emoção, por impulso e não fazem as contas”, diz Vilela.

O “bombardeio da mídia” não é exclusividade do Brasil, mas só aqui as pessoas fazem crédito através do pré-datado.

“As pessoas passam cheques e esquecem, não fazem um controle”, diz o diretor da Telecheque.

Por 09:33 Notícias

DESCONTROLE É A PRINCIPAL CAUSA DO CHEQUE SEM FUNDO, APONTA PESQUISA

Valor – Janes Rocha De São Paulo
Descontrole das finanças pessoais é o principal motivo alegado para a inadimplência no cheque, revela uma pesquisa da Telecheque, empresa especializada em verificação e garantia de cheques.
Depois de ouvir 1.077 pessoas (51% homens e 49% mulheres), entre março e abril, sobre as razões para ter deixado um cheque cair na conta sem fundos, a maior parte dos entrevistados (27%) respondeu que se descontrolou.
O descontrole é maior entre as mulheres. Do total de mulheres ouvidas, 29% apontaram essa como a principal causa da inadimplência, em comparação a 26% de homens que deram a mesma explicação.
Um percentual expressivo (18%) do grupo entrevistado disse que “emprestou o nome” para alguém próximo, que acabou não honrando o “empréstimo”.
Em número tão grande quanto o de “descontrolados” estavam as pessoas que tiveram o salário atrasado ou perderam seus empregos.
A amostra da pesquisa foi selecionada dentro de um grupo que corresponde a apenas 2,7% do total de emissores de cheques no país. Em sua maioria (82%), são pessoas que ganham de R$ 200 a R$ 1,5 mil por mês.
Quase 80% fizeram compras com valores médios entre R$ 20 e R$ 400, parcelando em no máximo três prestações.
Segundo Eliel Vilela, diretor da Telecheque, há três tipos de devedores em cheques: os “habituais”, os “acidentais” e os “mal intencionados”.
Os “habituais” estão sempre passando cheques sem fundos, como se criassem para si próprios um limite de cheque especial informal. Esses sempre quitam sua dívida em 60 dias no máximo.
Os “acidentais” são aqueles que perderam o emprego ou tiveram um problema sério (doença, acidente ou morte na família) e temporariamente ficaram sem recursos para pagar.
Os “habituais” e “acidentais”, que pagam a dívida em até 60 dias, perfazem 40% dos devedores em cheques sem fundo, afirma Vilela. E chegam a 60% do grupo, se somados aos que demoram até um ano para pagar. Mas pagam.
E há o terceiro grupo, dos “mal intencionados”, que abrem conta no banco com o objetivo premeditado de soltar cheques sem fundo na praça.
“Esses não passam de 20% dos inadimplentes”, afirma o diretor da Telecheque. Vilela afirma que a falta de controle é “histórica”, e vem sendo comprovada nessa pesquisa que a empresa realiza bimestralmente, desde o ano passado.
“Bombardeadas pela mídia, as pessoas compram por emoção, por impulso e não fazem as contas”, diz Vilela.
O “bombardeio da mídia” não é exclusividade do Brasil, mas só aqui as pessoas fazem crédito através do pré-datado.
“As pessoas passam cheques e esquecem, não fazem um controle”, diz o diretor da Telecheque.

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