O novo presidente nacional da CUT, João Antonio Felício, afirmou em entrevista coletiva à imprensa na tarde de sexta-feira (29) que a prioridade da central será a “implantação de uma política de recomposição do salário mínimo e de humanização das relações de trabalho”. O contato com as entidades de base e o estreitamento da relação com os movimentos sociais também será ampliado.
Felício assumiu a presidência no lugar de Luiz Marinho, atual ministro do Trabalho. A decisão foi tomada em reunião da executiva nacional da Central, que remanejou vários cargos da executiva. Arthur Henrique da Silva Santos assumirá a secretaria-geral; Denise Motta Dau, a secretaria nacional de Organização e Lúcia Reis, a primeira secretaria. Manoel Messias passa a compor a diretoria executiva da CUT.
Desenvolvimento – De acordo com o novo presidente da CUT, o fortalecimento do salário mínimo tem um papel chave “para uma bela e espetacular distribuição de renda, pois atinge não só milhões de trabalhadores da ativa, como aposentados”. E para garantirmos avanços nas políticas públicas e na geração de emprego e renda, frisou, “é preciso que o país recupere sua capacidade de investimento. Isso se faz reduzindo a taxa de juros e diminuindo o superávit primário. A manutenção da lógica do setor financeiro provoca paralisia, não estimula nem a produção nem o desenvolvimento”.
Na avaliação de João Felício, a unidade e a mobilização da sociedade são elementos decisivos para o país superar a atual crise, “pois a radicalização da atual política econômica, via déficit nominal zero com o aumento da desvinculação das receitas da União, como está sendo divulgado, seria o fim”. Na construção de uma agenda positiva, ressaltou, “no próximo dia 16, em Brasília, a CUT e os movimentos sociais estarão unidos num grande ato com milhares de pessoas para exigir mudanças na política econômica e a apuração rigorosa de todas as denúncias de corrupção”.
Reforma Política – Uma das reivindicações do movimento para ajudar na “faxina geral” nos governos e no parlamento, esclareceu o dirigente cutista, é a Reforma Política, pois “sem garantirmos o financiamento público de campanha, continuaremos dando espaço para os caixas 2 e vários vícios, como os partidos de aluguel, que são muito ruins para a democracia”.
“Nós não aceitamos retrocesso neoliberal e nos posicionamos de forma firme contra o golpe que setores do PSDB, do PFL e da mídia vêm tentando dar, com declarações que beiram o fascismo. Muitos apressados querem se aproveitar desse momento para tentar desestabilizar o governo e nós não vamos compactuar com gente que sempre usurpou o Estado e agora vem dar uma de vestal. Queremos uma apuração rigorosa de corruptos e corruptores, mas é preciso defender os inocentes”, declarou.
Golpe das elites – Conforme João Felício, “o golpe elegante e sem quartelada está claro quando determinados elementos tentam desqualificar permanentemente, de forma preconceituosa, um presidente operário e metalúrgico ou tentam colocar o partido de sustentação do governo na ilegalidade pelo fato de alguns de seus dirigentes terem incorrido em erros e deslizes”. “Agora a campanha das vestais do PSDB e do PFL acalmou um pouco, pois foram surpreendidos com a mão no cofre”, acrescentou.
Com Lula – “A CUT é apartidária mas não apolítica. Nós queremos a reeleição do presidente Lula, não queremos de volta os neoliberais que venderam nossas estatais a preço de banana. Ao mesmo tempo, não abrimos mão do direito de divergência e vamos às ruas para defender e apoiar mudanças com Lula, pois é o presidente que tem condições de construir o Brasil altivo e soberano, não subalterno nem submisso”.
Avanços sociais – Segundo Felício, se olharmos o passado recente, é fácil notar as enormes diferenças entre o desgoverno FHC e o governo atual: “O aumento do poder de compra, o emprego formal, a agricultura familiar, os programas sociais como o Fome Zero e a reforma do ensino universitário, assim como os êxitos da nossa política externa, foram alguns dos avanços”.
Os mesmos setores da mídia que martelam a crise e concentram denúncias no governo federal, lembrou Felício, tentam blindar o tucanato. “No caso de São Paulo, é preciso unificar a mobilização do funcionalismo e fazer um grande movimento para desmistificar a pose elegante e arrogante que tem arrasado com os professores e servidores públicos. Os funcionários da saúde, por exemplo, vêm recebendo salários paupérrimos. A blindagem que fazem aos tucanos é um absurdo, pois até para ter cara de pau tem que ter limite. Essa é a verdade”, salientou.
Agência CUT de Notícias
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