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Por 12:33 Agenda Sindical

Curso da OIT debate estratégia para fortalecer classe trabalhadora na América Latina

De 13 a 17 de julho, a CUT participará, em Montevidéu, no Uruguai, da etapa presencial do curso “Rumo a um Novo Contrato Social em uma América em Transformação – Desafios e Estratégias do Sindicalismo para Fortalecer e Organizar a Classe Trabalhadora diante da Crise”, promovido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e Confederação Sindical dos Trabalhadores e Trabalhadoras das Américas (CSA). O programa busca preparar as lideranças sindicais para enfrentar os impactos das crises econômica, climática e tecnológica, da digitalização e da crescente concentração do poder econômico.

O objetivo é fortalecer a ação sindical em torno de seis pilares: emprego, direitos, salários dignos, proteção social, igualdade e democracia. O secretário adjunto de Comunicação da Central, Tadeu Porto, participará da atividade.

A formação foi organizada em duas etapas. A primeira ocorreu de forma virtual, entre 18 e 29 de maio, quando dirigentes sindicais de toda a América Latina apresentaram diagnósticos de seus países e trocaram experiências sobre os desafios comuns do mundo do trabalho. Agora, os participantes se reúnem presencialmente para aprofundar o debate e construir propostas conjuntas.

Contrato social

O conceito de contrato social é entendido como o conjunto de relações, direitos, deveres e papéis que organizam a vida em sociedade e orientam a inserção das pessoas no mundo do trabalho. Novo contrato significa, portanto, estabelecer novas regras para as relações laborais e sociais, desenhadas para reequilibrar a divisão de riqueza e combater o atual modelo de exploração econômica.

A proposta de um novo contrato social parte da avaliação de que as profundas mudanças econômicas, tecnológicas e ambientais exigem a construção de novos pactos capazes de garantir trabalho decente, justiça social, proteção de direitos e fortalecimento da democracia.

Entre os principais desafios apontados pelos participantes estão o avanço da informalidade e a perda de direitos, a necessidade de uma transição energética justa e a chamada crise da identidade neoliberal. Segundo Tadeu Porto, a difusão da ideia do “trabalhador empreendedor” tende a isolar o indivíduo e enfraquecer a organização coletiva e a capacidade de negociação dos trabalhadores.

Para Tadeu Porto, a discussão passa pela necessidade de recolocar a dimensão humana no centro das relações de trabalho. “O capitalismo tende a igualar o valor do trabalho humano ao valor da máquina, tratando o indivíduo como se não tivesse alma, identidade ou singularidade. Vivemos isso de maneira crítica com as crises cíclicas do sistema, e este curso serve para pensarmos um novo contrato social diante das mudanças atuais”, afirma.

Na etapa virtual, os participantes apresentaram diagnósticos nacionais e propostas concretas. Entre as ideias em debate estão a criação de um Observatório Social do Trabalho para a América Latina e o uso de novas tecnologias para fortalecer a organização sindical.

Porto destaca que a delegação brasileira levou experiências bem-sucedidas de mobilização e negociação coletiva, como as campanhas nacionais dos bancários e dos químicos e a utilização de assembleias virtuais para consulta da base. O grupo também analisou iniciativas internacionais, como a “nuvem de direitos” da China, um aplicativo que reúne serviços de apoio tecnológico e jurídico aos trabalhadores.

“O grande desafio é trazer diagnósticos e ideias factíveis que respeitem a autonomia e as peculiaridades de cada país, aproveitando as experiências bem-sucedidas da região”, afirma o dirigente.

A missão principal após o encontro em Montevidéu será transformar o diagnóstico em ações práticas. A proposta é que as diretrizes da OIT não sejam impostas de cima para baixo, mas que as centrais brasileiras possam adaptar soluções que funcionaram em outros países à realidade local.

“O objetivo é trazer ideias factíveis, respeitando a autonomia e as peculiaridades de cada país, para que a implementação na prática seja possível”, conclui Tadeu Porto.

Texto: André Accarini

Fonte: CUT

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