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AINDA FALTA UM TOQUE FEMINISTA AO MOVIMENTO SINDICAL

O Dia Internacional da Mulher – 8 de Março – é um momento propício para refletirmos sobre o objetivo histórico da CUT de democratizar a organização sindical e as relações de trabalho, uma vez que buscamos a conquista de maior poder pela classe trabalhadora para definir as regras que regulam as relações sociais dentro e fora dos locais de trabalho.

Em que pese todas as transformações na condição feminina conquistadas no decorrer de uma longa trajetória de lutas por igualdade de direitos e de oportunidades, ainda temos muitos desafios pela frente rumo à construção de condições objetivas e subjetivas que efetivamente rompam com situações de discriminação das mulheres, infelizmente ainda constatada em diferentes espaços sociais.

No mundo do trabalho temos inúmeros exemplos: a presença de mulheres em maior percentual em postos de trabalho precários; remuneração inferior a dos homens mesmo em funções iguais e tendo maior escolaridade; maior vulnerabilidade às práticas de assédio sexual e assédio moral e outras tantas situações que explicitam as desigualdades.

Para além do reconhecimento formal do direito à organização no local de trabalho, que sem dúvida nenhuma é de extrema importância para o conjunto da classe trabalhadora, a democratização das relações de trabalho nos remete à reflexão sobre o exercício do poder e em que medida a prática sindical – inclusive na CUT – tem favorecido uma nova posição das mulheres nos processos produtivos e de trabalho e nos espaços de representação dos trabalhadores e das trabalhadoras.

Para que as mulheres reconheçam os sindicatos como espaço de representação é suficiente nos limitarmos às questões relativas à gestação e à maternidade? Que prioridade ocupa nas pautas de reivindicações e nas negociações coletivas temas como as condições de trabalho da mulher e a equidade de gênero? Ações afirmativas como as que vêm sendo desenvolvidas pela CUT, através da Secretaria Nacional sobre a Mulher Trabalhadora são eficazes, se o conjunto das instâncias não incorporá-las no seu cotidiano? A política de cotas para representação é efetivada pelos sindicatos nos espaços de representação dos locais de trabalho? Enfim, poderíamos arrolar um amplo conjunto de questões que remetem à nossa prática sindical cotidiana.

Se considerarmos que as mulheres representam hoje quase a metade (43%) da PEA – População Economicamente Ativa – e que os novos contornos assumidos pelas estratégias de racionalização do trabalho utilizadas pelo capital ampliam a exploração precarizada do trabalho das mulheres, podemos concluir que o diálogo com as especificidades do trabalho feminino é pressuposto básico para avançarmos na construção do nosso projeto politico-organizativo, pois não podemos representar apenas “parte” da força de trabalho.

Ao vislumbrarmos um sindicalismo cidadão, democrático, autonômo e representativo – que uma reforma sindical democrática poderá potencializar – imaginamos uma representação sindical feminina ampla e poderosa, que responda efetivamente aos problemas vividos pelas mulheres no mundo do trabalho, tais como a facilitação na negociação/contratação coletiva de cláusulas referentes a salários, carreira, qualificação, equidade de gênero e condições de trabalho. Tal representação também deve levar em conta as diferenças sociais e fisiológicas entre homens e mulheres, assim como a elaboração de políticas públicas contra a discriminação.

Porém, sem uma mudança de atitude e prática sindical, a democratização das relações de trabalho não terá a eficácia desejada na consolidação da igualdade de direitos. Nunca é demais relembrar o que dizia a companheira pesquisadora Beth Lobo ( infelizmente falecida ): ” A classe trabalhadora tem dois sexos” .

Desta forma a estratégia da CUT de ” Fortalecer a Democracia e Valorizar o Trabalho na Perspectiva de Gênero em direção ao emprego, renda e ampliação de direitos para trabalhadores e trabalhadoras” deve ser assumida e incorporada no cotidiano da ação sindical como uma luta classista, de homens e mulheres.

Fonte: CUT

Por 10:06 Notícias

AINDA FALTA UM TOQUE FEMINISTA AO MOVIMENTO SINDICAL

O Dia Internacional da Mulher – 8 de Março – é um momento propício para refletirmos sobre o objetivo histórico da CUT de democratizar a organização sindical e as relações de trabalho, uma vez que buscamos a conquista de maior poder pela classe trabalhadora para definir as regras que regulam as relações sociais dentro e fora dos locais de trabalho.
Em que pese todas as transformações na condição feminina conquistadas no decorrer de uma longa trajetória de lutas por igualdade de direitos e de oportunidades, ainda temos muitos desafios pela frente rumo à construção de condições objetivas e subjetivas que efetivamente rompam com situações de discriminação das mulheres, infelizmente ainda constatada em diferentes espaços sociais.
No mundo do trabalho temos inúmeros exemplos: a presença de mulheres em maior percentual em postos de trabalho precários; remuneração inferior a dos homens mesmo em funções iguais e tendo maior escolaridade; maior vulnerabilidade às práticas de assédio sexual e assédio moral e outras tantas situações que explicitam as desigualdades.
Para além do reconhecimento formal do direito à organização no local de trabalho, que sem dúvida nenhuma é de extrema importância para o conjunto da classe trabalhadora, a democratização das relações de trabalho nos remete à reflexão sobre o exercício do poder e em que medida a prática sindical – inclusive na CUT – tem favorecido uma nova posição das mulheres nos processos produtivos e de trabalho e nos espaços de representação dos trabalhadores e das trabalhadoras.
Para que as mulheres reconheçam os sindicatos como espaço de representação é suficiente nos limitarmos às questões relativas à gestação e à maternidade? Que prioridade ocupa nas pautas de reivindicações e nas negociações coletivas temas como as condições de trabalho da mulher e a equidade de gênero? Ações afirmativas como as que vêm sendo desenvolvidas pela CUT, através da Secretaria Nacional sobre a Mulher Trabalhadora são eficazes, se o conjunto das instâncias não incorporá-las no seu cotidiano? A política de cotas para representação é efetivada pelos sindicatos nos espaços de representação dos locais de trabalho? Enfim, poderíamos arrolar um amplo conjunto de questões que remetem à nossa prática sindical cotidiana.
Se considerarmos que as mulheres representam hoje quase a metade (43%) da PEA – População Economicamente Ativa – e que os novos contornos assumidos pelas estratégias de racionalização do trabalho utilizadas pelo capital ampliam a exploração precarizada do trabalho das mulheres, podemos concluir que o diálogo com as especificidades do trabalho feminino é pressuposto básico para avançarmos na construção do nosso projeto politico-organizativo, pois não podemos representar apenas “parte” da força de trabalho.
Ao vislumbrarmos um sindicalismo cidadão, democrático, autonômo e representativo – que uma reforma sindical democrática poderá potencializar – imaginamos uma representação sindical feminina ampla e poderosa, que responda efetivamente aos problemas vividos pelas mulheres no mundo do trabalho, tais como a facilitação na negociação/contratação coletiva de cláusulas referentes a salários, carreira, qualificação, equidade de gênero e condições de trabalho. Tal representação também deve levar em conta as diferenças sociais e fisiológicas entre homens e mulheres, assim como a elaboração de políticas públicas contra a discriminação.
Porém, sem uma mudança de atitude e prática sindical, a democratização das relações de trabalho não terá a eficácia desejada na consolidação da igualdade de direitos. Nunca é demais relembrar o que dizia a companheira pesquisadora Beth Lobo ( infelizmente falecida ): ” A classe trabalhadora tem dois sexos” .
Desta forma a estratégia da CUT de ” Fortalecer a Democracia e Valorizar o Trabalho na Perspectiva de Gênero em direção ao emprego, renda e ampliação de direitos para trabalhadores e trabalhadoras” deve ser assumida e incorporada no cotidiano da ação sindical como uma luta classista, de homens e mulheres.
Fonte: CUT

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