Uma reportagem publicada ontem pelo jornal Gazeta Mercantil revela que o fundo de pensão dos funcionários da Caixa Econômica Federal (Funcef) amarga um prejuízo de R$ 2,6 bilhões, decorrente de investimentos feitos durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Segundo a matéria, um levantamento elaborado pela própria Funcef concluiu que houve “indícios de fraude, entre 1995 e 2002”.
Assinada pelo jornalista Hugo Marques, a reportagem mostra que o Ministério Público e a Secretaria de Previdência Complementar investigam o rombo na Funcef. O levantamento do fundo de pensão classifica como “operações desastrosas” mais de 30 negócios firmados durante a gestão tucana. “Entre dezembro de 1995 e outubro de 1997, no primeiro mandato do então presidente FHC, diz o documento, a Funcef realizou 207 operações de contratos na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) e teve prejuízos em 205 delas. Somente estas operações somam uma perda atuarial de R$ 182 milhões”, diz a matéria.
Segundo o texto, o quadro dos investimentos da Funcef “mostra uma perda atuarial de R$ 672,6 milhões com os empreendimentos Blue Tree Hotels & Resorts do Brasil a partir de 1998”. “Em todos os hotéis – em Brasília (DF), Angra dos Reis (RJ) e Cabo de Santo Agostinho (PE) – os rendimentos não atendem às expectativas iniciais”, informa a reportagem.
A matéria ressalta ainda uma operação realizada “às vésperas da campanha de reeleição de FHC”. “A Funcef adquiriu um lote de debêntures do banco Crefisul, que pertencia ao empresário Ricardo Mansur. A perda atuarial em valores de hoje é de R$ 27 milhões. Os administradores do fundo acompanham o desfecho do processo de falência da Crefisul para tentar reaver os recursos subtraídos. Outro negócio com Mansur – que provocou perda atuarial de R$ 277 milhões à Funcef – foi a aquisição de debêntures da Casa Anglo Brasileira. O investimento foi feito com várias evidências de risco”, diz a Gazeta Mercantil.
Para o deputado Carlos Abicalil (PT-MT), a reportagem demonstra que o governo anterior promoveu um “aparelhamento” nos fundos de pensão. “A matéria mostra de maneira inequívoca que, se houve aparelhamento, para usar a palavra do sub-relator (deputado Antonio Carlos Magalhães Neto, PFL-BA), esse aparelhamento foi feito pelo governo passado. Isso trouxe graves prejuízos”, afirmou. No início do mês, a Gazeta Mercantil publicou que o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil (Previ) também informou à CPMI dos Correios prejuízo de R$ 1,5 bilhão na gestão anterior.
O deputado José Pimentel (PT-CE) denunciou a “irresponsabilidade” da oposição. “A oposição atribui às atuais gestões dos fundos de pensão erros que na verdade eles praticaram em sua época de governo. Na atual gestão, os fundos têm tido uma forma profissional de governança. Exatamente por isso o desempenho da Previ e da Funcef tem sido acima da média da economia brasileira, num patamar de 15% do lucro líqüido ao ano, comparado com o ano anterior”, disse.
Fonte: Informes
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