Os bancos estão voltando a investir na captação de clientes no segmento de previdência fechada, com os chamados fundos de pensão multipatrocinados. Além do Santander, que acaba de criar seu fundo multipatrocinado, o Bradesco, o HSBC e o Banco do Brasil já pré-aprovaram novos planos junto à Secretaria de Previdência Complementar (SPC) e outras instituições, como o Unibanco, já estão retomando a disputa desse mercado.
Os bancos passaram muito tempo investindo apenas nos produtos de previdência aberta, como os PGBLs e VGBLs, mesmo na atuação junto a clientes corporativos.
Segundo os executivos das instituições financeiras, até 2005 havia entraves para vender planos fechados. Além da tributação – que era mais vantajosa nos planos abertos, e só foi equiparada no ano passado -, havia problemas com relação ao prazo de aprovação de um novo plano ou mesmo da migração de um plano já existente para outro administrador.
“No passado, esse processo já chegou a demorar mais de dois anos, era uma incógnita, ficava difícil vender o produto”, lembra Jair Lacerda, diretor executivo da Bradesco Vida e Previdência. No mês passado, no entanto, a SPC editou novas instruções estipulando prazo máximo de sete dias para aprovar este tipo de processo e criou também o sistema de planos pré-aprovados, dentro de um formato básico, que depois só passa por ajustes.
Com essas novas perspectivas, os bancos agora começam a investir não apenas na captação de novas empresas patrocinadoras de planos fechados, mas também estão de olho numa esperada onda de fusões de fundos de médio e pequeno porte, a exemplo do que já ocorreu entre a Icatu e a Previnor.
“A nossa estratégia nessa área mudou bastante de um ano para cá, justamente porque percebemos esses novos movimentos”, diz Marcus Moraes, superintendente de distribuição para clientes institucionais e corporativos do Unibanco. Ele lembra que o Múltipla, fundo multipatrocinado do banco, que hoje possui cerca de R$ 400 milhões, foi herdado com a aquisição do Credibanco.
“Ele sofria uma concorrência difícil da previdência aberta, mas resolvida a questão tributária, com a criação do cadastro nacional de planos e benefícios e agilidade da aprovação de planos e migrações, estamos mais pró-ativos nesse segmento”, diz Moraes.
Praticamente todos os grandes bancos que já administravam fundos multipatrocinados tinham herdado a estrutura de alguma instituição de médio porte que adquiriram. Mas as mudanças nas regras já animam alguns a estrear nesse mercado. É o caso do Santander, que acabou de criar seu produto multipatrocinado.
O superintendente do banco, Laércio Ramos Jr., diz que o Santander está buscando diferenciais para tentar atrair clientes, uma vez que é o último concorrente a chegar no ramo. ” A exemplo do que já fazemos em outros segmentos que atuamos, vamos buscar um rating em serviços para nossa atuação como administrador de fundo multipatrocinado”, diz Ramos Jr. “Essa certificação pode dar uma tranqüilidade a mais para aquele cliente que busca qualidade e não ter dor de cabeça, estamos focando num segmento premium”, completa.
Segundo o diretor de análise técnica da SPC, Carlos de Paula, desde o ano passado, as empresas demonstram mais interesse em montar planos fechados.
“Em 2005 já registramos 30 aprovações de novos planos de benefícios e 50 novos ingressos de empresas em planos já existentes”, diz o diretor. Entre as novatas segundo ele, estão instituições como a John Deere, a Renault e a Unisul.
De acordo com Jair de Lacerda, do Bradesco, o plano multipatrocinado passou a ser uma opção a mais a ser oferecida. “Agora o cliente tem a opção do PGBL e do fundo fechado, ele pode fazer a avaliação de todos os prós e contras e decidir o que é melhor para ele”, diz Lacerda.
Os bancos apostam que, com a revitalização do setor e a maior agilidade, muitos fundos de pensão que não possuem grande patrimônio vão começar a contabilizar as eventuais vantagens de migrar para um multipatrocinado. Dos mais de 300 fundos de pensão do sistema, apenas cerca de um terço tem patrimônio superior a R$ 300 milhões. “Acreditamos que a tendência é que se busque o ganho de escala”, diz o executivo do Bradesco.
O HSBC é outra instituição que já atua há vários anos no ramo, principalmente desde que adquiriu o banco CCF, que era dono da maior carteira multipatrocinada do mercado local. Segundo Rogério Aguirre, executivo do HSBC responsável pelo segmento, o multipatrocinado da casa possui patrimônio de cerca de R$ 2,8 bilhões.
“Os planos pré-aprovados são um grande estímulo, estamos fazendo treinamento grande da nossa equipe comercial”, diz Aguirre, lembrando que os agentes reclamavam muito da concorrência da previdência aberta em relação ao multipatrocinado. “Perdemos muitos negócios no passado, porque havia muita desorganização no órgão regulador. Essa gestão parece mais afinada com as necessidades dos agentes do mercado e com o que é preciso fazer para desenvolver o setor”, conclui.
Fonte: Valor Econômico
Deixe um comentário