(São Paulo) O filósofo italiano e professor titular aposentado da Universidade de Pádua, Antônio Negri, participou nesta tarde do 9º Congresso Nacional da CUT, onde proferiu palestra sobre o papel do sindicalismo na construção de projetos nacionais e sua relação com os governo democrático-populares.
Negri afirmou a necessidade de os sindicatos reconstruírem sua relação com os movimentos sociais após as transformações ocorridas no mundo do trabalho com a superação do modelo fordista de produção e as mobilizações dos trabalhadores.
“Uma transformação brusca aconteceu após as lutas operárias, que provocaram uma resposta do capitalismo, com novas formas de exploração e geração de valor, levando-os ao plano global”, disse. O desafio, para ele, é como reconstruir a função dos sindicatos além da organização fordista.
O filósofo destacou ainda que a própria concepção de governo está mudando. “O monopólio do poder soberano não tem mais lugar na nova hierarquia global, porque não tem como ser exercido com eficácia. É necessário adotar cada vez mais conceitos como governança e governabilidade, baseados no consenso”. Isso resulta em uma abertura contínua em relação às posições de comando e na relação dos governos com os setores industriais, de serviços e comerciais.
Para Negri, o sindicato não pode colocar-se apenas como uma figura responsável pela contratação, como no modelo americano. Pode tentar representar toda a sociedade, como em alguns países europeus.
“Isso significa a negociação sistemática e contínua do bem-estar da classe operária, e não apenas os aspectos salariais”, observou. “Na verdade, o sindicalismo nunca é só um movimento, é uma junção das duas coisas”, concluiu.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.contrafcut.org.br.
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