Advogados, dentistas, médicos, comerciantes e até atores e músicos já têm seus próprios fundos de pensão. Segundo levantamento da Secretaria de Previdência Complementar (SPC), já existem no país 26 fundos instituídos (planos de previdência fechados que podem ser criados por sindicatos e associações de classe).
Os números devem aumentar nos próximos dias, com abertura de mais três fundos, que incluem os comerciantes da associação comercial do Paraná e os varejistas de São Paulo. “Estes fundos estão criando um novo rosto para o sistema de previdência complementar”, diz Carlos de Paula, diretor do departamento de análise técnica da SPC.
O próximo passo para estes planos, que começaram a aparecer no mercado em 2004, é atrair mais participantes. Segundo a SPC, são 10 mil profissionais que já aderiam, número ainda considerado baixo perto do potencial mercado. A SPC identificou 23 mil instituidores (como sindicatos e cooperativas) aptos a criar um fundo. Na avaliação de Paula, não basta apenas formar o fundo. É fundamental um esforço de venda para atrair associados.
É um esforço assim que está garantindo o sucesso do OABPrev, fundo criado em março pela Icatu Hartford para a Ordem dos Advogados de São Paulo (OAB-SP). Em pouco mais de dois meses de existência, o fundo conseguiu atrair 515 participantes.
O fundo é administrado pela Icatu, mas as vendas são feitas pela seguradora Mongeral. Após o sucesso inicial, as metas são ambiciosas: chegar a 30 mil associados e patrimônio de R$ 200 milhões em cinco anos, conta Carlos Garcia, diretor comercial da Icatu Hartford.
A Mongeral colocou 70 corretores para falar com os advogados paulistas, todos especialistas em previdência. “Não há uma adesão voluntária. É preciso mostrar os benefícios do fundo para cada advogado e ter uma certa persuasão”, diz Osmar Navarini, diretor comercial da Mongeral. Este mercado aliás virou um dos focos da seguradora, que tem parcerias com vários instituidores, incluindo várias regionais da OAB pelo país.
A Petros, fundo dos petroleiros, que administra seis planos instituídos, de 19 instituições diferentes, também fechou uma parceria com a Mongeral para vender o CulturaPrev, fundo dos atores e músicos. O plano tem apenas 60 inscritos, embora o público potencial seja de mais de 10 mil associados.
“É uma estrutura que ainda está começando, ainda é uma novidade, estamos aprendendo a vender e eles estão começando a ter informações sobre o produto”, afirma o presidente da Petros, Wagner Pinheiro. A legislação que viabilizou os fundos instituídos (a Instrução 12) foi criada pela SPC em 2002. No ano seguinte, começou a divulgação pelo país e em 2004 começaram a aparecer as primeiras carteiras.
No total, os fundos instituídos administrados pela Petros têm hoje cerca de 500 associados. Os sindicatos e associações que instituíram estes fundos têm, porém, mais de 105 mil membros. “Por aí dá para ter uma idéia do potencial”, diz Pinheiro.
Um dos associados é o ex-jogador de futebol, Afonso Celso Garcia Reis, o Afonsinho, que se destacou no time do Botafogo no fim da década de 60, e a quem o ministro Gilberto Gil dedicou a música “Meio-de-campo”, que começa com o verso “Prezado amigo Afonsinho”. Formado em medicina há mais de trinta anos, ele faz parte do plano instituído do sindicato dos médicos do Rio. “Eu já estava procurando um plano de previdência quando surgiu essa oportunidade”, diz.
Aos 58 anos, Afonsinho sempre atuou como médico da área de reabilitação no serviço público e vinha pensando numa forma de complementar a aposentadoria. “Já tinha feito plano desses de banco para o meu filho, mas para mim preferi esse do sindicato”, conta, que deve voltar em breve ao Botafogo como coordenador.
Outra entusiasta deste tipo de fundo é a presidente do sindicato dos músicos do Rio, a violinista Débora Cheyne. “Eu fiz logo minha adesão e temos tentado mostrar para as pessoas a importância de pensar e planejar o futuro”, diz.
Uma das referências no país entre os fundos instituídos, citado até pela SPC, é a Fundação Quanta, para os cooperados do Sistema Unicred de Santa Catarina, todos médicos e profissionais da área de saúde. Criado em 2005, o fundo já atraiu 3,5 mil participantes e tem patrimônio de R$ 20 milhões. O fundo conseguiu atrair 27% dos cooperados.
Os próprios funcionários da Unicred fazem o esforço de venda. Só em Santa Catarina, são 220 funcionários e nove escritórios. O sucesso do fundo ultrapassou o Estado e atraiu participantes do Rio Grande do Sul. No início do mês, chegou a Santos, no litoral de São Paulo, e a idéia agora é levar para o resto do Brasil, informa Denise Maidanchen, uma das gerentes do fundo.
Fonte: Valor Econômico
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