BRASÍLIA – Não só o governo deve adotar medidas para reduzir o custo do dinheiro, mas os bancos também. Esse foi o recado do ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao comentar hoje (23) a demanda das instituições financeiras para redução da cunha fiscal e dos depósitos compulsórios.
O ministro afirmou que a queda no compulsório, “por enquanto, não está no horizonte”. E destacou que não são apenas esses dois elementos que pesam sobre o spread, que é a diferença entre o que os bancos pagam para captar dinheiro junto ao público e os juros que cobram nos empréstimos.
O spread bancário no Brasil é o mais elevado do mundo, segundo estudo comparativo do Banco de Compensações Internacionais (BIS). Em julho, o spread médio situou-se em 27,5% ao ano, de acordo com pesquisa do Banco Central.
O ministro confirmou que, semana que vem, o Conselho Monetário Nacional aprovará medidas que poderão induzir à redução do spread bancário. “É claro que eles gostariam que só o governo assumisse a responsabilidade de fazer as medidas”, disse o ministro sobre os bancos. “Eu gostaria que eles também assumissem a responsabilidade de tomar medidas, ajudando a diminuir o spread ” , completou.
Mantega reiterou que o CMN deve baixar mais de uma medida para reduzir o spread e, por consequência, contribuir para a redução do juro dos empréstimos ao consumidor. A reunião será no próximo dia 29, quando também devem ser anunciadas medidas de estímulo ao crédito habitacional.
Dentre as propostas que podem ser contempladas está a adoção do cadastro positivo (lista de bons pagadores a ser consultada pelos bancos), a redução do percentual recolhido pelos bancos ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC, que atualmente é alimentado por contribuições mensais dos bancos) e a automatização, através de um instrumento chamado DOC reverso, da transferência do pagamento de salário para o banco que o trabalhador indicar.
(Azelma Rodrigues/Valor Online)
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