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Precisamos de políticas públicas de governo para democratizar a comunicação

Bernardo Kucinski, em reunião na CUT:

“Precisamos de políticas públicas de governo para democratizar a comunicação”

Durante debate com a executiva nacional da CUT, na segunda-feira (19), o jornalista e professor da USP, Bernardo Kucinski, afirmou que, sendo a informação uma área nevrálgica para qualquer sociedade, se faz necessária a implantação de “políticas públicas de governo para democratizar a comunicação no país”, sem o que a população continuará refém do monopólio da mídia.

Convidado para fazer uma análise sobre a conjuntura, viagem de Bush à América Latina, jornalismo e tv pública, Kucinski enfatizou a necessidade dos movimentos sociais, e a CUT em particular, desenvolverem e aperfeiçoarem seus instrumentos próprios de comunicação na disputa pela hegemonia. Condenando a prática corriqueira da chamada grande imprensa “de fazer linchamento com informações jogadas, sem ter provas” e denunciando os interesses econômicos por trás do que é veiculado, ele defendeu uma intervenção mais enfática da CUT no debate de comunicação, com o objetivo de “não permitir o monopólio da agenda da imprensa oligárquica”.

Lembrando o papel desempenhado pela mídia durante a última eleição presidencial no Brasil e contra o processo revolucionário bolivariano, na Venezuela, Kucinski salientou que é tarefa de todos os homens e mulheres comprometidos com a transformação social se atentarem para a importância da comunicação, a fim de que não virem presa fácil dos grandes negocistas. “Hoje, há uma consciência de que a situação é perigosa e que existe a figura do golpe midiático, quando os poderosos órgãos de imprensa se unem para sobrepor os seus interesses ao da sociedade”, acrescentou. Um dos problemas a ser enfrentado, frisou, é a concentração monopolista das concessões de rádio e televisão na mão de meia dúzia de famílias, o que atenta contra a democracia. “Defendemos o recadastramento de todas as concessões, concentradas nas mãos de políticos ou através de prepostos, o que seria uma medida saneadora, que deveria se somar à conformação de uma rede pública com densidade suficiente para contestar o que é veiculado pela grande mídia”.

IRAQUE – Sobre a agressão norte-americana ao Iraque, Kucinski declarou que “o objetivo dessa guerra sempre foi o petróleo” e que a preocupação dos EUA no momento é sua enorme vulnerabilidade energética, particularmente porque agora se enfrenta com um governo soberano na Venezuela, detentora de uma das maiores reservas do planeta, e de quem importa muito. Ressaltando que a história do Imperialismo é de agressão e pilhagem, ele lembrou que mais de 50 anos antes da derrubada do presidente iraquiano Saddam Hussein, os EUA já haviam patrocinado um golpe e deposto o governo nacionalista de Mossadegh, no Irã, tendo por prática a derrubada sistemática de governos que se contrapõem aos seus desígnios. Por outro lado, esclareceu, os Estados Unidos deu total sustentação a ditaduras servis e sanguinárias, como foi o caso de Rafael Trujillo, na República Dominicana, ou dos Somoza, na Nicarágua. “A visão norte-americana é predatória e pejorativa sobre a América Latina, que trata como se fosse seu quintal dos fundos, onde pode fazer qualquer coisa e onde só tem governos corruptos e povos malcriados. Podemos dizer que a cultura diplomática dos EUA na América Latina é de derrubar governos”, asseverou Kucinski, para quem as prioridades do governo Bush agora são derrotar Chávez, impedir o fortalecimento do Mercosul e tentar acordos bilaterais para comprometer nossas economias e inviabilizar nossa soberania.

O objetivo de Bush com a vinda ao Brasil, ressaltou o jornalista, é que “pela primeira vez temos uma economia diversificada, complexa e com grande força exportadora, não somos mais dependentes do petróleo e temos abundância de terras e fatores de produção para fontes alternativas, como o biodiesel”. Em um mundo onde ganha cada vez mais peso a substituição dos combustíveis fósseis, finitos e altamente poluentes, a visita ganha significação, “ainda mais quando reforça o esforço para tentar isolar o presidente Chávez”.

Kucinski fez uma rápida abordagem sobre medidas para defender da concorrência desleal os setores calçadista e madeireiro – atingidos em cheio pela política cambial que, com o dólar barato, incentiva o importacionismo e encarece as exportações. Ele recordou que na época de Getúlio Vargas tínhamos a imposição de impostos de exportação, que poderiam ser usados agora como contraponto à imposição norte-americana de sobretaxas ao etanol e ao suco de laranja, que nada mais são do que “mecanismos de espoliação dos países periféricos”.

Sobre a política macroeconômica, condenou os efeitos perniciosos da orientação pallociana sobre o crescimento e o emprego, como uma “infiltração do mercado financeiro” e conclamou os cutistas a uma ação de maior envergadura para “potencializar o papel de vanguarda” dos movimentos sociais na construção de uma política desenvolvimentista, que tenha o Estado como indutor.

ARTUR – O presidente da CUT, Artur Henrique, avaliou que a exposição foi muito esclarecedora, estabelecendo uma identidade quanto à compreensão que a central tem do atual momento político. Por exemplo, citou Artur, em relação ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), temos clareza que ainda não é um projeto de desenvolvimento, pois para isso precisará incorporar contrapartidas sociais, estabelecidas como metas, a fim de assegurar direitos. “A análise de Kucinski dialoga com a Jornada pela Desenvolvimento que estaremos realizando a partir de abril, destacando o papel do Estado como indutor, ao contrário do que pregava o dogma neoliberal, de privatização e desmonte dos serviços públicos, informalização da mão-de-obra e precarização de direitos”, declarou.

Para a secretária nacional de Comunicação da CUT, Rosane Bertotti, “a contribuição de Kucinski foi de grande valia, ao sublinhar o significado que tem a comunicação para o embate político-ideológico”. “Ao representar mais espaço para os setores populares produzirem e divulgarem conteúdos, e com isso elevarem sua auto-estima exercitando e ampliando a sua cultura e seu conhecimento, a democratização da comunicação põe em xeque a dominação exercida pelas elites, colocando o povo como sujeito da sua própria história”, avaliou Rosane, apontando a importância da realização da Conferência Nacional de Comunicação para aprofundar o debate sobre o tema.

Por Leonardo Wexell Severo – leonardo@cut.org.br.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.cut.org.br.

Por 20:56 Notícias

Precisamos de políticas públicas de governo para democratizar a comunicação

Bernardo Kucinski, em reunião na CUT:
“Precisamos de políticas públicas de governo para democratizar a comunicação”
Durante debate com a executiva nacional da CUT, na segunda-feira (19), o jornalista e professor da USP, Bernardo Kucinski, afirmou que, sendo a informação uma área nevrálgica para qualquer sociedade, se faz necessária a implantação de “políticas públicas de governo para democratizar a comunicação no país”, sem o que a população continuará refém do monopólio da mídia.
Convidado para fazer uma análise sobre a conjuntura, viagem de Bush à América Latina, jornalismo e tv pública, Kucinski enfatizou a necessidade dos movimentos sociais, e a CUT em particular, desenvolverem e aperfeiçoarem seus instrumentos próprios de comunicação na disputa pela hegemonia. Condenando a prática corriqueira da chamada grande imprensa “de fazer linchamento com informações jogadas, sem ter provas” e denunciando os interesses econômicos por trás do que é veiculado, ele defendeu uma intervenção mais enfática da CUT no debate de comunicação, com o objetivo de “não permitir o monopólio da agenda da imprensa oligárquica”.
Lembrando o papel desempenhado pela mídia durante a última eleição presidencial no Brasil e contra o processo revolucionário bolivariano, na Venezuela, Kucinski salientou que é tarefa de todos os homens e mulheres comprometidos com a transformação social se atentarem para a importância da comunicação, a fim de que não virem presa fácil dos grandes negocistas. “Hoje, há uma consciência de que a situação é perigosa e que existe a figura do golpe midiático, quando os poderosos órgãos de imprensa se unem para sobrepor os seus interesses ao da sociedade”, acrescentou. Um dos problemas a ser enfrentado, frisou, é a concentração monopolista das concessões de rádio e televisão na mão de meia dúzia de famílias, o que atenta contra a democracia. “Defendemos o recadastramento de todas as concessões, concentradas nas mãos de políticos ou através de prepostos, o que seria uma medida saneadora, que deveria se somar à conformação de uma rede pública com densidade suficiente para contestar o que é veiculado pela grande mídia”.
IRAQUE – Sobre a agressão norte-americana ao Iraque, Kucinski declarou que “o objetivo dessa guerra sempre foi o petróleo” e que a preocupação dos EUA no momento é sua enorme vulnerabilidade energética, particularmente porque agora se enfrenta com um governo soberano na Venezuela, detentora de uma das maiores reservas do planeta, e de quem importa muito. Ressaltando que a história do Imperialismo é de agressão e pilhagem, ele lembrou que mais de 50 anos antes da derrubada do presidente iraquiano Saddam Hussein, os EUA já haviam patrocinado um golpe e deposto o governo nacionalista de Mossadegh, no Irã, tendo por prática a derrubada sistemática de governos que se contrapõem aos seus desígnios. Por outro lado, esclareceu, os Estados Unidos deu total sustentação a ditaduras servis e sanguinárias, como foi o caso de Rafael Trujillo, na República Dominicana, ou dos Somoza, na Nicarágua. “A visão norte-americana é predatória e pejorativa sobre a América Latina, que trata como se fosse seu quintal dos fundos, onde pode fazer qualquer coisa e onde só tem governos corruptos e povos malcriados. Podemos dizer que a cultura diplomática dos EUA na América Latina é de derrubar governos”, asseverou Kucinski, para quem as prioridades do governo Bush agora são derrotar Chávez, impedir o fortalecimento do Mercosul e tentar acordos bilaterais para comprometer nossas economias e inviabilizar nossa soberania.
O objetivo de Bush com a vinda ao Brasil, ressaltou o jornalista, é que “pela primeira vez temos uma economia diversificada, complexa e com grande força exportadora, não somos mais dependentes do petróleo e temos abundância de terras e fatores de produção para fontes alternativas, como o biodiesel”. Em um mundo onde ganha cada vez mais peso a substituição dos combustíveis fósseis, finitos e altamente poluentes, a visita ganha significação, “ainda mais quando reforça o esforço para tentar isolar o presidente Chávez”.
Kucinski fez uma rápida abordagem sobre medidas para defender da concorrência desleal os setores calçadista e madeireiro – atingidos em cheio pela política cambial que, com o dólar barato, incentiva o importacionismo e encarece as exportações. Ele recordou que na época de Getúlio Vargas tínhamos a imposição de impostos de exportação, que poderiam ser usados agora como contraponto à imposição norte-americana de sobretaxas ao etanol e ao suco de laranja, que nada mais são do que “mecanismos de espoliação dos países periféricos”.
Sobre a política macroeconômica, condenou os efeitos perniciosos da orientação pallociana sobre o crescimento e o emprego, como uma “infiltração do mercado financeiro” e conclamou os cutistas a uma ação de maior envergadura para “potencializar o papel de vanguarda” dos movimentos sociais na construção de uma política desenvolvimentista, que tenha o Estado como indutor.
ARTUR – O presidente da CUT, Artur Henrique, avaliou que a exposição foi muito esclarecedora, estabelecendo uma identidade quanto à compreensão que a central tem do atual momento político. Por exemplo, citou Artur, em relação ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), temos clareza que ainda não é um projeto de desenvolvimento, pois para isso precisará incorporar contrapartidas sociais, estabelecidas como metas, a fim de assegurar direitos. “A análise de Kucinski dialoga com a Jornada pela Desenvolvimento que estaremos realizando a partir de abril, destacando o papel do Estado como indutor, ao contrário do que pregava o dogma neoliberal, de privatização e desmonte dos serviços públicos, informalização da mão-de-obra e precarização de direitos”, declarou.
Para a secretária nacional de Comunicação da CUT, Rosane Bertotti, “a contribuição de Kucinski foi de grande valia, ao sublinhar o significado que tem a comunicação para o embate político-ideológico”. “Ao representar mais espaço para os setores populares produzirem e divulgarem conteúdos, e com isso elevarem sua auto-estima exercitando e ampliando a sua cultura e seu conhecimento, a democratização da comunicação põe em xeque a dominação exercida pelas elites, colocando o povo como sujeito da sua própria história”, avaliou Rosane, apontando a importância da realização da Conferência Nacional de Comunicação para aprofundar o debate sobre o tema.
Por Leonardo Wexell Severo – leonardo@cut.org.br.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.cut.org.br.

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