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Carmen, trabalhadora rural, assume a presidência nacional da Central Única dos Trabalhadores

Interinidade

Carmen, trabalhadora rural, assume a presidência nacional da CUT

Pela primeira vez em sua história, a CUT nacional é presidida por uma mulher. Pelos próximos 10 dias, Carmen Helena Foro, vice-presidente da Central e dirigente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Igarapé-Miri (PA), assume interinamente a Presidência, enquanto Artur Henrique participa de atividades sindicais na Itália e na Noruega.

Sua origem de trabalhadora rural é outro ineditismo no principal cargo da Direção da CUT. Carmen começou a trabalhar muito cedo. “Não me lembro com qual idade, só sei que entre as minhas primeiras memórias estão as viagens de barco que eu fazia junto com meu pai, minhas irmãs e meus irmãos, para ir vender em Igarapé-Miri as bananas, as verduras e a farinha que a gente produzia na roça”, conta. Foi assim que essa cidade, cujo nome significa caminho de canoa pequena, em tupi-guarani, foi entrando definitivamente na vida dela.

Nascida em Moju, cidade vizinha, Carmen enfrentava duas horas de remo com a família toda a semana para ir ao mercado de Igarapé-Miri. Todos os dias encarava a lida na roça, mas seus pais faziam questão que ela e os irmãos freqüentassem também a escola. “Só estudava quem sabia nadar”, conta. “Por conta das cheias dos rios, que aconteciam sempre, o trajeto entre nossa casa e a escola exigia boas e longas braçadas”, lembra.

Início no movimento – O despertar para a militância política se deu na mesma época de muitos de sua geração – Carmen tem 41 anos. Finda a ditadura e com a chamada Nova República de língua de fora, os debates em torno da eleição presidencial que se aproximava a entusiasmaram. Passa a se dedicar cada vez mais à participação em assembléias de sua categoria e à leitura. Em 1991, é eleita 2a secretária do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Igarapé-Miri. Numa dessas passagens, em 1992, Carmen ocupou interinamente a presidência do sindicato, por oito meses. Provocada, ela desconversa, com bom-humor: “Não sei se é destino, não”. Essa caminhada a trouxe até a Comissão Nacional de Mulheres Trabalhadoras Rurais da Contag e à vice-presidência da CUT, posto que compartilha com o metroviário Wagner Gomes.

Seu batismo de fogo como líder sindical, o momento que ela considera o mais simbólico de sua trajetória, aconteceu em 1996, durante uma mobilização do Grito da Terra. “Ocupamos a hidrelétrica de Tucuruí por três dias e depois ocupamos a sede da Eletronorte por mais dois dias, quando fizemos greve de fome”, conta. Ela e os companheiros protestavam contra algo tristemente comum na história brasileira, recheada de obras de grande porte destinadas ao proveito de poucos.

Tucuruí, embora tivesse causado fortes impactos ambientais e sociais naquela região, continuava deixando as cidades ao redor na escuridão. “Não havia uma única lâmpada elétrica nem em Igarapé-Miri ou qualquer outro município vizinho”, lembra Carmen.

Conquista – Como os trabalhadores que participaram das ocupações ameaçavam um blecaute, o então ministro das Minas e Energia (“não lembro mais o nome dele”, diz) e o governador do Pará enviaram tropas ao local. Menos de um mês antes, havia ocorrido o massacre de Eldorado de Carajás. “A tensão era grande, e o caso ganhou dimensões nacionais. O ministro foi obrigado a nos atender e fechar um acordo, prometendo a eletrificação das cidades”, conta a presidenta interina. A luz chegou dois anos depois, ainda assim restrita às áreas urbanas e sujeita a apagões quando chovia ou ventava forte demais na região. Atualmente a energia elétrica de Igarapé-Miri está estável, porém algumas vilas, especialmente as ribeirinhas, ainda dependem de lampião a gás. Mas, segundo Carmen, o programa federal Luz para Todos já começa a resolver esse problema.

Outras frentes de luta permanente de Carmen são a participação política das mulheres e a geração de renda das trabalhadoras daquela região. Em 1993, ela participou da criação da Associação de Mulheres da cidade que adotou como sua terra natal. De lá pra cá, mulheres foram eleitas dirigentes sindicais e vereadoras da cidade – neste mandato há três parlamentares – e a violência contra as mulheres diminuiu, como reflexo da atuação da entidade.

Outra conquista das mulheres da associação foi o direito de administrar a comercialização do açaí produzido pela cooperativa local de beneficiamento dessa fruta, abundante na região e que desde meados dos anos 1990 tornou-se febre entre jovens e candidatos a atletas das grandes metrópoles.

Luta pela terra – O açaí é componente essencial na vida de Carmen e de toda a região. Além de compor o cardápio básico dos habitantes e integrar o imaginário de infância da dirigente, está na raiz de sua atividade sindical. A fruta ocupou o lugar antes reservado à cana-de-açúcar. A área rural do município chegou a contar 48 engenhos, abandonados pelos antigos proprietários a partir dos anos 70. “Eles deixaram de considerar a atividade algo lucrativo”, diz Carmen.

Os trabalhadores, no entanto, permaneceram. Morando nas terras, passaram a cultivar açaí e a explorá-lo primeiro como um dos alimentos básicos do dia-a-dia, e depois como fonte de renda. Além da fruta, a planta fornece palmito de sabor especial. Esse fato, junto com a descoberta do açaí por outras regiões, fizeram com que as terras voltassem a despertar a cobiça dos empresários que as abandonaram havia quase 20 anos. Teve início uma luta intensa pela terra, Contag e entidades filiadas à frente, com vitória dos trabalhadores. “A maioria dos lotes já tem o direito de posse dos trabalhadores reconhecido legalmente”, comemora Carmen.

Para os próximos dias, agenda lotada. Depois de participar nesta Quarta das preparações da Marcha das Margaridas no Maranhão, Carmen estará nesta quinta-feira participando de reunião com as demais centrais, em Brasília, para definir como serão as mobilizações para manutenção de veto do presidente Lula à emenda 3. Depois, a tarefa será dar corpo às ações já definidas pela Executiva Nacional da CUT e àquelas que serão elaboradas amanhã, em conjunto com outras entidades.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.cut.org.br.

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Carmen, trabalhadora rural, assume a presidência nacional da Central Única dos Trabalhadores

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Carmen, trabalhadora rural, assume a presidência nacional da CUT
Pela primeira vez em sua história, a CUT nacional é presidida por uma mulher. Pelos próximos 10 dias, Carmen Helena Foro, vice-presidente da Central e dirigente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Igarapé-Miri (PA), assume interinamente a Presidência, enquanto Artur Henrique participa de atividades sindicais na Itália e na Noruega.
Sua origem de trabalhadora rural é outro ineditismo no principal cargo da Direção da CUT. Carmen começou a trabalhar muito cedo. “Não me lembro com qual idade, só sei que entre as minhas primeiras memórias estão as viagens de barco que eu fazia junto com meu pai, minhas irmãs e meus irmãos, para ir vender em Igarapé-Miri as bananas, as verduras e a farinha que a gente produzia na roça”, conta. Foi assim que essa cidade, cujo nome significa caminho de canoa pequena, em tupi-guarani, foi entrando definitivamente na vida dela.
Nascida em Moju, cidade vizinha, Carmen enfrentava duas horas de remo com a família toda a semana para ir ao mercado de Igarapé-Miri. Todos os dias encarava a lida na roça, mas seus pais faziam questão que ela e os irmãos freqüentassem também a escola. “Só estudava quem sabia nadar”, conta. “Por conta das cheias dos rios, que aconteciam sempre, o trajeto entre nossa casa e a escola exigia boas e longas braçadas”, lembra.
Início no movimento – O despertar para a militância política se deu na mesma época de muitos de sua geração – Carmen tem 41 anos. Finda a ditadura e com a chamada Nova República de língua de fora, os debates em torno da eleição presidencial que se aproximava a entusiasmaram. Passa a se dedicar cada vez mais à participação em assembléias de sua categoria e à leitura. Em 1991, é eleita 2a secretária do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Igarapé-Miri. Numa dessas passagens, em 1992, Carmen ocupou interinamente a presidência do sindicato, por oito meses. Provocada, ela desconversa, com bom-humor: “Não sei se é destino, não”. Essa caminhada a trouxe até a Comissão Nacional de Mulheres Trabalhadoras Rurais da Contag e à vice-presidência da CUT, posto que compartilha com o metroviário Wagner Gomes.
Seu batismo de fogo como líder sindical, o momento que ela considera o mais simbólico de sua trajetória, aconteceu em 1996, durante uma mobilização do Grito da Terra. “Ocupamos a hidrelétrica de Tucuruí por três dias e depois ocupamos a sede da Eletronorte por mais dois dias, quando fizemos greve de fome”, conta. Ela e os companheiros protestavam contra algo tristemente comum na história brasileira, recheada de obras de grande porte destinadas ao proveito de poucos.
Tucuruí, embora tivesse causado fortes impactos ambientais e sociais naquela região, continuava deixando as cidades ao redor na escuridão. “Não havia uma única lâmpada elétrica nem em Igarapé-Miri ou qualquer outro município vizinho”, lembra Carmen.
Conquista – Como os trabalhadores que participaram das ocupações ameaçavam um blecaute, o então ministro das Minas e Energia (“não lembro mais o nome dele”, diz) e o governador do Pará enviaram tropas ao local. Menos de um mês antes, havia ocorrido o massacre de Eldorado de Carajás. “A tensão era grande, e o caso ganhou dimensões nacionais. O ministro foi obrigado a nos atender e fechar um acordo, prometendo a eletrificação das cidades”, conta a presidenta interina. A luz chegou dois anos depois, ainda assim restrita às áreas urbanas e sujeita a apagões quando chovia ou ventava forte demais na região. Atualmente a energia elétrica de Igarapé-Miri está estável, porém algumas vilas, especialmente as ribeirinhas, ainda dependem de lampião a gás. Mas, segundo Carmen, o programa federal Luz para Todos já começa a resolver esse problema.
Outras frentes de luta permanente de Carmen são a participação política das mulheres e a geração de renda das trabalhadoras daquela região. Em 1993, ela participou da criação da Associação de Mulheres da cidade que adotou como sua terra natal. De lá pra cá, mulheres foram eleitas dirigentes sindicais e vereadoras da cidade – neste mandato há três parlamentares – e a violência contra as mulheres diminuiu, como reflexo da atuação da entidade.
Outra conquista das mulheres da associação foi o direito de administrar a comercialização do açaí produzido pela cooperativa local de beneficiamento dessa fruta, abundante na região e que desde meados dos anos 1990 tornou-se febre entre jovens e candidatos a atletas das grandes metrópoles.
Luta pela terra – O açaí é componente essencial na vida de Carmen e de toda a região. Além de compor o cardápio básico dos habitantes e integrar o imaginário de infância da dirigente, está na raiz de sua atividade sindical. A fruta ocupou o lugar antes reservado à cana-de-açúcar. A área rural do município chegou a contar 48 engenhos, abandonados pelos antigos proprietários a partir dos anos 70. “Eles deixaram de considerar a atividade algo lucrativo”, diz Carmen.
Os trabalhadores, no entanto, permaneceram. Morando nas terras, passaram a cultivar açaí e a explorá-lo primeiro como um dos alimentos básicos do dia-a-dia, e depois como fonte de renda. Além da fruta, a planta fornece palmito de sabor especial. Esse fato, junto com a descoberta do açaí por outras regiões, fizeram com que as terras voltassem a despertar a cobiça dos empresários que as abandonaram havia quase 20 anos. Teve início uma luta intensa pela terra, Contag e entidades filiadas à frente, com vitória dos trabalhadores. “A maioria dos lotes já tem o direito de posse dos trabalhadores reconhecido legalmente”, comemora Carmen.
Para os próximos dias, agenda lotada. Depois de participar nesta Quarta das preparações da Marcha das Margaridas no Maranhão, Carmen estará nesta quinta-feira participando de reunião com as demais centrais, em Brasília, para definir como serão as mobilizações para manutenção de veto do presidente Lula à emenda 3. Depois, a tarefa será dar corpo às ações já definidas pela Executiva Nacional da CUT e àquelas que serão elaboradas amanhã, em conjunto com outras entidades.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.cut.org.br.

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