Cerca de 200 trabalhadores bancários de todo o Estado participaram neste final de semana (14 e 15 de julho) da 9a Conferência Estadual dos Trabalhadores do Ramo Financeiro realizada na Associação Banestado, em Praia de Leste. Coordenado pela FETEC-CUT-PR, o evento teve como principal objetivo a construção da estratégia e a minuta de reivindicações da categoria para a Campanha Salarial deste ano.
A abertura da conferência foi feita pelo presidente da FETEC-CUT-PR e trabalhador bancário do HSBC, Adilson Stuzata. Em seu pronunciamento, Stuzata destacou que a Convenção Coletiva Nacional dos Bancários, é referência para as demais categorias profissionais e foi conquistada “a duras penas”, no enfrentamento direto à sede de exploração dos banqueiros e contra a opressão do trabalhador do sistema financeiro. “Temos que carregar nossas armas contra os banqueiros”, afirmou, reapresentando as informações divulgadas pelo Dieese/PR de que, nos últimos seis anos (2000 a 2006) os bancos aumentaram em 516% os seus lucros, enquanto no mesmo período, a categoria bancária acumulou apenas 51% de reajuste salarial.
A presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região e trabalhadora bancária do Itaú, Marisa Stédile, ressaltou a necessidade do apoio e envolvimento da sociedade na Campanha Nacional do Ramo Financeiro. “Não somos apenas nós, bancários, que sofremos com a ganância desmedida dos banqueiros. É nosso dever conscientizar os clientes das atitudes irresponsáveis que são cometidas nos bancos e que afetam diretamente a qualidade dos serviços prestados”.
Stedile também lembrou a importância de combater o assédio moral, as metas abusivas e a sobrecarga de trabalho. Já Geraldo Fausto dos Santos (Ceará), diretor do Sindicato dos Bancários de Londrina e Região e trabalhador bancário do Itaú, enfatizou a necessidade de mais contratações para evitar o constrangimento das filas para os clientes e aliviar o “peso” que recai sobre os bancários. “Temos que estar mais determinados, colocar mais garra nesta campanha salarial. Precisamos nos multiplicar, porque nossos patrões estão ganhando muito, mas não vão querer nos dar nada”.
Para economista, cenário é favorável a negociações
Um dos momentos importantes da conferência foi a palestra do economista Cid Cordeiro, supervisor do Dieese/PR, que fez uma análise da conjuntura econômica para a Campanha Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro em 2007. Em sua exposição, Cordeiro afirmou que o reajuste de 8,5% do salário mínimo pode ser um argumento utilizado pelos trabalhadores na mesa de negociação com a Fenaban para assegurar um índice superior à inflação. “O movimento sindical, por meio de suas lutas e das marchas à Brasília, conseguiu pressionar o Governo Federal a não apenas reajustar o salário mínimo, como também implantar uma política de correção para os próximos quatro anos. Isto pode ser um forte argumento na mesa de negociação”, ressaltou.
Segundo o economista, o salário mínimo de R$ 380 reduziu a desigualdade social e somado a outros fatores, como o crescimento econômico e do nível de emprego, inflação baixa e redução da taxa de juros, causou a mudança no discurso das categorias. “Não vamos mais para a mesa de negociação para zerar a inflação, buscamos aumento real. O ano passado foi o melhor ano para as negociações coletivas desde 1996”.
Cenário de esperança
Em sua apresentação, Cid Cordeiro mostrou que a categoria bancária tem muitos motivos para se orgulhar, mas deve continuar com as mangas arregaçadas e não permitir retrocessos em sua caminhada.
Dentre as estatísticas expostas, Cid destacou a perspectiva de crescimento no nível de emprego bancário. Em dez anos, nos 11 maiores bancos do país, o número de bancários despencou de 504 mil (1989) para 295 mil (1999). “Hoje, apesar da automação bancária, revertemos uma tendência de extinção da categoria e desde 2001, acompanhamos o aumento do número de bancários, tanto em bancos públicos quanto privados”. Em 2001, havia 393.140 bancários.
Em cinco anos, o aumento do crédito, do investimento de bancos estrangeiros no país e a bancarização, fez com que em 2006, a categoria fosse composta por 435.820 profissionais. Em 12 meses, a categoria aumentou 4% no Paraná, o que significa a criação de 1.160 empregos. Apesar disso, o número de bancários está muito aquém do necessário para atender 59,5 milhões de contas correntes e 76,8 milhões de poupanças existentes no país.
Outra boa notícia é a evolução da Participação nos Lucros e Resultados paga pelos bancos. Em 1995, a negociação com a Fenaban resultou em 72% do salário e mais R$ 200. No ano passado, os bancários conquistaram 80% do salário, R$ 800 e ainda uma parcela adicional, uma nova conquista para a categoria.
Em relação aos benefícios, a projeção também impulsiona a mobilização da categoria. Em 1994, os valores pagos pelo vale-refeição, cesta básica e auxílio-babá, eram de R$ 5, R$ 80 e R$ 60, respectivamente. Em 2006, os valores são de R$ 13,89, R$ 238 e R$ 171.
Reivindicações
Na tarde de sábado (14), os trabalhadores bancários se reuniram em grupos, divididos pelos principais bancos presentes no Estado, para discutir as reivindicações econômicas, cláusulas sociais, de saúde e condições de trabalho, referentes à campanha unificada e que devem ser apreciadas na Conferência Nacional do Ramo Financeiro. Para promover o debate, os trabalhadores consideraram os resultados das pesquisas aplicadas pelos Sindicatos e as denúncias dos bancários de suas bases. As propostas foram apresentadas em plenária, no encerramento do evento.
A 9a Conferência Estadual dos Trabalhadores do Ramo Financeiro teve a participação dos dez sindicatos que constituem a Federação (Curitiba, Londrina, Arapoti, Apucarana, Campo Mourão, Toledo, Paranavaí, Umuarama, Cornélio Procópio e Guarapuava).
Por Patrícia Meyer (SEEB/Curitiba), com adaptação de Edson Junior (FETEC-CUT-PR).