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Por 13:59 Notícias

Carlos Bolsonaro ataca pesquisa Quaest, que confirma derretimento de Flávio, após censura à AtlasIntel

Após dobradinha com Kássio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para censurar a pesquisa AtlasIntel, divulgada em maio, Carlos Bolsonaro (PL-RJ) foi às redes sociais nesta quinta-feira (11) para atacar o estudo divulgado no dia anterior pela Quaest, que confirma o derretimento de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa contra Lula em meio ao escândalo que liga o clã a Daniel Vorcaro, do banco Master.

Em publicação na rede X, o ex-vereador carioca, que tenta vaga ao Senado por Santa Catarina, usou o fato da pesquisa ter sido encomendada pelo Banco Genial para propagar o novo ataque. “Tudo pela “democra$$ia”. Todo dia uma, duas ou três coincidências”, escreveu ironicamente.

No entanto, o banco Genial tem parceria com o Instituto Quaest para produção mensal de pesquisas desde 2022, quando o pai, Jair Bolsonaro (PL), ainda era presidente.

Além disso, a publicação mostra que Carlos Bolsonaro não entendeu a análise feita por Leonardo Dias, que se diz “empreendedor, cientista de dados e escritor” na rede X.

Apesar do tom crítico, a análise chega à mesma conclusão de grande parte dos veículos e jornalistas, que dizem que Lula subiu e Flávio Bolsonaro caiu com a revelação do elo com Vorcaro, e que a disputa segue em aberto.

Censura

Na terça-feira (9), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) iniciou a análise da decisão de Kássio Nunes Marques, que censurou a pesquisa AtlasIntel por encomenda de Flávio Bolsonaro (PL) após o levantamento apontar queda de 6 pontos percentuais em suas intenções de voto.

A ministra Estela Aranha pediu vista do caso, paralisando o julgamento por prazo indefinido e mantendo a censura ao levantamento. No plenário, ministros aproveitaram a sessão para sinalizar que a decisão final deverá estabelecer parâmetros gerais para a atuação dos institutos de pesquisa nas eleições de 2026.

O pedido de suspensão da pesquisa partiu do Diretório Nacional do Partido Liberal (PL). A legenda argumentou que o questionário, composto por 48 perguntas, teria sido construído para induzir respostas desfavoráveis a Flávio Bolsonaro: oito delas tratavam do suposto envolvimento do senador com Daniel Vorcaro e o Banco Master. Para o PL, isso extrapolaria o papel de verificação da opinião pública e comprometeria a fidedignidade do levantamento.

Conforme apuração da Fórum, a petição do PL chegou a questionar a autenticidade dos áudios de Flávio com Vorcaro, mesmo após o próprio senador ter confirmado publicamente os registros, contradição que não foi endereçada na decisão liminar de Kassio Nunes Marques.

Ao conceder a liminar, Kassio Nunes Marques afirmou haver “indícios de uso do questionário como mecanismo de indução do entrevistado” e sustentou que a autonomia técnica dos institutos “não afasta o controle jurisdicional na hipótese nas quais haja indícios de desvirtuamento da pesquisa”.

A AtlasIntel, por sua vez, negou as acusações. O instituto afirmou que os áudios envolvendo Flávio Bolsonaro não foram reproduzidos aos entrevistados antes das perguntas de intenção de voto: o componente audiovisual era aplicado apenas após a conclusão do questionário principal, em etapa voluntária. Segundo o instituto, isso garante que os resultados centrais da pesquisa não foram contaminados pelo estímulo sonoro.

Vale registrar que os áudios e mensagens trocados entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro foram revelados pelo The Intercept em 13 de maio, e que, segundo apuração da Fórum, a ação do PL no TSE foi protocolada no mesmo dia em que a pesquisa foi divulgada, em 19 de maio, com Kassio Nunes Marques alterando regras internas da corte para assumir a relatoria do caso no dia seguinte.

Implicações e próximos passos

Nos bastidores do tribunal, o adiamento é lido como um sinal de que a corte não está disposta a decidir de forma açodada sobre um tema com consequências diretas para o calendário eleitoral de 2026. Kassio Nunes Marques afirmou que o tempo adicional será “fundamental” para que debates ocorram, inclusive com os próprios institutos de pesquisa, com o objetivo de construir um “padrão” para a divulgação de levantamentos eleitorais. A fala indica que o TSE pretende ouvir o setor antes de fixar qualquer regra.

O problema é que, enquanto esse debate não se encerra, a liminar segue em vigor e a pesquisa permanece censurada. Ainda não há data para a retomada do julgamento. A decisão final do plenário poderá estabelecer um precedente de alcance amplo: definir até onde vai a liberdade metodológica dos institutos e em que condições o Judiciário pode intervir na divulgação de dados eleitorais. Para os institutos de pesquisa, o risco concreto é que critérios subjetivos sobre “indução” se tornem instrumento disponível a qualquer candidato que queira contestar resultados desfavoráveis, transformando o controle judicial em ferramenta de disputa eleitoral.

Texto: Plinio Teodoro

Fontre: Revista Fórum

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