Comunicar o 15 de agosto, potencializar a luta dos trabalhadores e trabalhadoras
Com o lema “Defender direitos, avançar nas conquistas”, a CUT realizará no próximo 15 de agosto, na capital federal, seu Dia Nacional de Mobilização, para o qual estão sendo convocados companheiros e companheiras de todo o país. Entre as bandeiras que faremos tremular bem alto na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, estão a manutenção do veto do presidente Lula à Emenda 3 – que representa um golpe nos direitos dos trabalhadores, acabando com férias, FGTS e 13º -, retirada do PLP 01 – que impõe um limitador ao índice de reajuste do funcionalismo, redução dos juros e do superávit primário – que esterilizam na especulação preciosos recursos necessários ao nosso desenvolvimento, reforma agrária, atualização do Índice de Produtividade e incentivo à agricultura familiar – para garantirmos emprego e justiça no campo e alimentos mais baratos para o trabalhador da cidade.
Dar visibilidade a cada uma das reivindicações da manifestação deve ser a nossa tarefa central daqui até o dia 15. Afinal, não é segredo para ninguém que os neoliberais e privatistas derrotados nas últimas eleições se mantêm em campanha, chantageando o governo a cumprir a sua agenda, seja pautando mentiras como o “déficit” da Previdência, sabotando o processo de integração latino-americana ou blindando os pilares da política financeira. Para isso, se utilizam do monopólio desinformativo dos grandes meios de comunicação. Forjam uma “opinião pública” que corresponda à opinião dos donos de tevês, rádios e jornais e/ou de seus anunciantes, cujos mais pesados são precisamente banqueiros e transnacionais. Havendo uma relação direta entre cifrão e notícia, é bom saber o que vem por aí.
Temos de manter frescos na memória os ensinamentos da última disputa eleitoral, onde o grosso da mídia tomou lado e entrou em campo para varrer nossa “raça”. Só assim não continuaremos incorrendo nos mesmos erros do passado, sejam eles por ilusão de classe ou falta de ousadia.
Na Secretaria Nacional de Comunicação da CUT viemos nos dedicando, em parceria com as CUTs estaduais, a conformar instrumentos próprios que sejam potencializados com o apoio em rádios e tevês comunitárias e articulações com os movimentos sociais, contando com parceiros na imprensa alternativa. Junto com a clareza sobre o que dizer, é preciso investimento para termos atualizadas as nossas páginas na internet, produzirmos os nossos programas de rádio e tevê, publicarmos os nossos jornais e revistas.
Os excelentes Seminários que realizamos em Rondônia, Piauí e Minas Gerais demonstraram o imenso potencial represado em muitos Estados e que precisa ser liberado para inundar o país de informação e energia. Sem matérias e fotos, como saberíamos do crime da Cargill em Sidrolândia, no interior do Mato Grosso do Sul, onde um operário morreu e o local foi modificado antes da chegada dos fiscais do Ministério? Teríamos esta informação pela Globo ou pela Folha de S. Paulo? E as conquistas das habitações rurais pela agricultura familiar? E a luta pela anulação do leilão da Vale do Rio Doce? E a parcialidade da cobertura das mobilizações e paralisações ocorridas contra o apagão de direitos que representa a Emenda 3?
Como dirigentes temos de dar um passo a mais na compreensão do que significa a batalha pela democratização, sua abrangência política-ideológica-cultural, sua importância para a ruptura com a camisa-de-força da dependência e da alienação e, por isso mesmo, de seu imenso potencial revolucionário. Mas isso será tema de uma outra conversa.
Por Rosane Bertotti, que é secretária nacional de Comunicação da CUT.
ARTIGO COLHIDO NO SÍTIO www.cut.org.br.