A Campanha Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro obteve, há cerca de dois anos, uma grande conquista. A mesa única de negociações, envolvendo bancos públicos e particulares é uma mostra da força do trabalhador bancário e, ao mesmo tempo, exemplifica uma característica marcante da categoria: a unidade.
A unificação das conquistas vem sendo trabalhada há mais de duas décadas pelo movimento sindical bancário. Em 1982, houve a unificação das datas-base de alguns bancos. Em 1985, com a fundação do Departamento Nacional dos Bancários – CUT, teve início um projeto embrionário de tentativa de mesa única com a Fenaban. Em 91, a Contec saiu da mesa única e o movimento sindical cutista assumiu o controle das negociações.
Em 1992, o Departamento Nacional dos Bancários deixa de existir e dá lugar à Confederação Nacional dos Bancários (CNB – CUT), uma confederação nacional criada dentro da estrutura da Central Única dos Trabalhadores. No mesmo ano é criada a FETEC-CUT-PR (Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Paraná) e juntas, retomam a luta pela mesa única.
Dois anos depois, uma manobra do então ministro da fazenda Fernando Henrique Cardoso, obrigou os bancos públicos a saírem da Convenção Coletiva Nacional. A medida teve impacto direto nos trabalhadores da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil, pois seus salários ficaram estagnados durante quase seis anos. Na Caixa, entre 96 e 2001, o reajuste foi de mísero 1%. No Banco do Brasil, entre 96 e 99 não houve reposição salarial e mesmo nos dois anos seguintes, os índices oscilaram entre 1% e 2%.
Na avaliação do movimento sindical, a mesa única de negociações amplia as conquistas dos trabalhadores do ramo financeiro, favorecendo diretamente os bancários nos bancos públicos e privados. Assim, em 2007, a exemplo do que ocorreu nos últimos dois anos, a Contraf – CUT, suas federações (incluindo a FETEC-CUT-PR) e sindicatos filiados pretendem negociar com a Fenaban sob a mesma perspectiva.
Otávio Dias, Secretário de Finanças do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região e trabalhador bancário no Bradesco, explica que a mesa única de negociação com os bancos públicos e privados mudou a curva salarial e mexeu com a auto-estima dos bancários. “Até então vínhamos numa linha decrescente nos acordos; os trabalhadores nos bancos públicos viveram um momento difícil nos últimos oito anos anteriores a 2004 e nos bancos privados houve algumas perdas. Mas com a unificação das negociações, a situação melhorou. Hoje percebemos uma mobilização da categoria em todos os bancos e uma considerável melhoria no resultado financeiro para o trabalhador”, destacou.
Vale destacar que em 2006, tanto o Banco do Brasil quanto a Caixa Econômica Federal participaram das negociações desde o recebimento da minuta até assinatura da Convenção Coletiva de Trabalho. O resultado final foi um ganho real para os trabalhadores com o incremento de um adicional de R$ 1.500,00 da PLR (Participação nos Lucros e Resultados) para os trabalhadores nos bancos privados e uma PLR diferenciada para os trabalhadores no Banco do Brasil e na Caixa. Neste caso, privilegiando uma fatia maior de distribuição linear dos lucros para cada trabalhador.
Para 2007, a expectativa é a melhor possível. “A mesa única de negociação entre os bancos públicos e privados é fato consumado. Agora, vamos buscar as metas já consolidadas”, destaca Roberto Von Der Osten, trabalhador bancário no Itaú, diretor da FETEC-CUT-PR e um dos integrantes do Comando Nacional. Von Der Osten lembra que a categoria é a única do país e uma das únicas no mundo que possui mesa única de negociação. “Do Caburaí (RR) ao Chuí (RS), os direitos dos bancários são os mesmos, com salário inicial e jornada de trabalho igual para todos. Portanto, a mesa única regulariza e ajuda a homogeneizar os direitos e é uma garantia do emprego”, argumentou.
Os principais itens da minuta de reivindicações são:
· Reajuste de 5,5% mais a correção inflacionária do período;
· Melhoria na PLR;
· Fim das metas abusivas e do assédio moral;
· Remuneração variável.
“Os trabalhadores são os principais agentes na obtenção dos lucros bancários. Estes são cada vez mais altos, porém, não há uma contrapartida. É preciso equilibrar esta balança, interferindo na posição das instituições financeiras. Todos merecem ganhar”, declarou.
A minuta de reivindicações, que reflete a vontade dos trabalhadores do ramo financeiro, será entregue pela Contraf-CUT no dia 10 de agosto à Fenaban. Já no dia 14, será encaminhada a minuta de reivindicações específicas dos bancos públicos e privados.
Por Edson Junior
FETEC-CUT-PR