Apesar de todo o alarde feito pelo marketing da instituição, o impacto nos ganhos com prestação de serviços é pouco maior do que 1%
São Paulo – O marketing faz parecer coisa de outro planeta, uma revolução no mundo bancário. Mas a realidade dos números mostra que a redução de tarifas anunciada a quatro cantos pelo Itaú não representa, em uma estimativa, mais do que 1,11% do total de receita de prestação de serviços que o banco teve neste primeiro semestre.
É fundamental dizer que esta estimativa é generosa, ou seja, o impacto pode ser ainda menor.
Nos primeiros seis meses do ano, o total arrecadado pelo banco com a prestação de serviços foi R$ 4,969 bilhões. Este número é o resultado de tudo o que o banco ganhou principalmente com administração de recursos, cartões de crédito, TAC e garantias prestadas, serviços de recebimento e serviços de conta corrente.
A medida tomada pelo Itaú é somente em cima dos serviços de conta corrente e eles representaram nada mais do que 16,33%, ou R$ 811 milhões, dos R$ 4,969 bilhões. Em média, a redução anunciada é de 6,8%, ou R$ 55 milhões. Em português claro, é este último valor que o banco deixaria de arrecadar. Do total (R$ 4,969 bilhões), ele representa somente 1,11%.
É importante salientar que se o banco tivesse extinguido completamente todas as tarifas de conta corrente, e não apenas reduzido em 6,8%, ainda assim o impacto seria irrisório. Ao invés de arrecadar cerca de R$ 4,9 bi, somaria aproximadamente R$ 4,1 bi.
“Isso demonstra que o banco pode reduzir a tarifa completamente e mesmo assim continuar lucrando com a receita de prestação de serviços e com a venda de produtos. O Sindicato defende a isenção de tarifa para todos os trabalhadores que têm folha de pagamento em banco. Para as instituições financeiras esses valores podem parecer irrisórios, mas para o trabalhador significa aumento real nos salários e ampliação do poder de compra”, disse Luiz Cláudio Marcolino, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.
Vale dizer ainda que os R$ 55,1 milhões são 3,5 vezes menores do que o que banco arrecada somente com a confecção de cartões de crédito para outras empresas: R$ 196 milhões. E olha que o banco não faz nem o cartão inteiro, somente a parte magnética. Fora isso, ganha mais R$ 341 milhões de anuidade e R$ 630 milhões com o uso dos mesmos em compras. O total de ganhos é de quase R$ 1,2 bi, ou 23,50% do total (R$ 4,969 bilhões). Daqui, a redução passou longe.
Quem tem mais, paga menos – Além de irrisória, a redução é ainda elitista. Dos seis tipos de tarifas de conta corrente que o Itaú cobra, as mais sofisticadas serão as a que receberão os maiores abatimentos.
A mais sofisticada, MaxiConta Total, cairá 12%, o dobro da média, passando de R$ 22,50 para R$ 19,80. Já as mais simples, MaxiConta Básica e MaxiConta Simples, cairão 3,45% e 3,85% respectivamente. Saem de R$ 14,50 e R$ 13,00 e vão para R$ 14 e R$ 12,50, também respectivamente. A mais barata, MaxiConta Eletrônica, também terá um abatimento de R$ 0,50, saindo de R$ 8,00 e indo para R$ 7,50, uma variação de 5,88%.
Por André Rossi – 16/08/2007.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.spbancarios.com.br.
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Itaú reduz tarifas e estabelece algumas gratuidades
SÃO PAULO – A partir de 1º de setembro, correntistas do Banco Itaú gastarão até 12% a menos com pacotes de tarifas bancárias. Na última quarta-feira (15), o banco anunciou barateamento das cobranças para todos os seus clientes pessoas físicas, em cinco pacotes diferentes mais a manutenção universal da conta. Também foram definidas algumas gratuidades nos serviços.
As isenções valerão para compensação de cheque com baixo valor (até R$ 25), segunda via do extrato por meio da internet, excedente de depósito em dinheiro e em cheque, comprovante de pagamento por bankfone, atendimento pessoal pelo telefone e informações via fax. A direção do Itaú definiu ainda que a cada aniversário da conta-corrente, a pessoa ganhará R$ 100 em recursos aplicados na tabela de tarifas.
Novas tarifas
Se não optar por pacotes, em vez de pagar R$ 9 mensalmente para a manutenção da conta, o cliente desembolsará R$ 8,5. No caso de cestas, os barateamentos são distintos:
* MaxiConta Total: de R$ 22,50 para R$ 19,80
* MaxiConta Básica: de R$ 14,50 para R$ 14
* MaxiConta Simples: de R$ 13 para R$ 12,5
* MaxiConta Econômica: de R$ 9 para R$ 8,5
* MaxiConta Eletrônica: de R$ 8,50 para R$ 8
MP e ganhos
As modificações vêm poucos dias depois do Ministério Público dar ao Banco Central mais 30 dias úteis de prazo para a proibição de algumas tarifas. Há pouco mais de um mês, o MP estabeleceu o primeiro prazo, em resposta a diversas audiências realizadas no Congresso Nacional sobre o ganho das instituições financeiras com a oneração de serviços.
Pesquisa realizada pela Austin Rating mostrou que a receita com tarifas bancárias cresceu quase oito vezes desde o Plano Real e dobrou no governo Lula, atingindo R$ 52,8 bilhões em dezembro do ano passado. Apenas essa cobrança representa 20% dos ganhos das instituições.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO http://noticias.uol.com.br/economia/ultnot/infomoney/2007/08/16/ult4040u6249.jhtm.