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Geração de empregos pelos bancos é pífia perante a expansão do setor; quem sofre é o povo brasileiro

Bancos distantes dos brasileiros

A campanha salarial dos bancários termina neste mês de outubro com alguns avanços para a categoria e a estréia de uma nova dinâmica no calendário das negociações. Os bancários de todo o País conquistaram reajuste salarial de 6%, com aumento real de 1,13%, o pagamento de uma 13ª cesta-alimentação e Participação nos Lucros e Resultados (PLR) ampliada na comparação com a convenção anterior. Os primeiros passos para coibir o assédio moral dentro das instituições financeiras, com a criação de um canal de denúncias, também foram dados na mesa de negociação 2007, correspondendo a antiga reivindicação destes trabalhadores, que sofrem com a pressão excessiva para o cumprimento de metas.

No entanto, embora estas conquistas tenham sido obtidas a duras penas – e a categoria no Grande ABC mais uma vez deu exemplo com sua mobilização –, o resultado ainda é pequeno perto do que os bancos têm condições de oferecer. Setor recordista em lucratividade, sem registrar perdas há muitos anos, as instituições bancárias tiveram no primeiro semestre deste ano um ganho acumulado de R$ 14,52 bilhões, segundo estudo da consultoria Economática. Mas geraram apenas 4.320 postos de trabalho com carteira assinada no mesmo período, o que representa o menor índice entre os setores pesquisados mensalmente pelo Cadastro Geral de Emprego e Desemprego (Caged) do Ministério do Trabalho. A maior parte destes postos, é imprescindível ressalvar, ocorreu nos bancos públicos federais, o que definitivamente coloca os privados na lanterninha das contratações.

Pesquisa recente divulgada pelo The Gallup Consulting revelou que 67% dos que têm contas em bancos não gostam dos serviços oferecidos, e 43% as mantêm apenas porque não encontram outra saída para guardar seu dinheiro. As reclamações contra as instituições financeiras disparam: segundo o Banco Central, cresceram 52,9% em relação a julho do ano anterior, com repercussão nos Procons, onde o setor é o segundo em registro de queixas. Ou seja: os bancos no Brasil ganham muito, mas conseguem desagradar a seus trabalhadores, pela péssima política empregatícia; a seus clientes, pelo descaso, cobrança extorsiva de tarifas e as complicadíssimas comunicações, que poucos conseguem entender; as filas longas e a insegurança que qualquer um tem ao entrar hoje numa agência bancária. E desagradam ainda, como um todo, à sociedade brasileira, já que o setor não se preocupa em contratar ou investir em programas sociais.

É bem verdade que estas instituições gastam muito para tentar melhorar sua imagem. Tem banco que se apregoa verde, banco que se diz de alta tecnologia, banco amigo e camarada. Mas todos – usuários e bancários – sabem que não é nada disso. É necessário que, de uma vez por todas, um setor tão milionário seja de fato controlado pelos órgãos financeiros brasileiros – Banco Central, por exemplo -, com implementação de regras e condições claras que possibilitem ao cliente optar pela instituição financeira. O País não pode mais tolerar que esse lucro imensurável sirva apenas a interesses de meia dúzia de banqueiros, já que nem empregos eles conseguem gerar no mesmo ritmo. Ser banqueiro no Brasil é excelente. Já ser bancário e cliente, principalmente para os mais humildes, ainda é ser submetido a uma lamentável prática de exploração.

Por Maria Rita Serrano, presidenta do Sindicato dos Bancários do ABC e Região.

ARTIGO COLHIDO NO SÍTIO www.fetecsp.org.br.

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