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Terceiro mandato é pauta artificial que não tem apoio de Lula nem do Partido dos Trabalhaores

O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini, afirmou nesta quarta-feira (9), que a retomada da discussão em torno de um terceiro mandato consecutivo para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não está na agenda do partido.

“É mais uma vez uma pauta artificial que não tem apoio nem do presidente Lula nem do PT”, afirmou Berzoini em entrevista concedida ao site Terra Magazine.

Ele negou a existência de qualquer conflito ente o partido e o presidente sobre o tema e classificou de “factóide político” a especulação em torno de uma suposta declaração de Lula durante reunião com parlamentares do PDT.

O presidente teria dito, segundo declaração do senador Cristóvam Buarque (PDT-DF), que “romperia com o PT” caso este insistisse na tese do 3º mandato consecutivo.

“Mas nós não damos a menor importância nem à declaração em si, nem ao tema, porque não está na nossa pauta. (…) Nós somos contra, o presidente é contra e portanto não há nenhum tipo de dissenção nesse tema”, disse Berzoini, lembrando que a “amplíssima maioria” do PT rejeita a tese de mudar as regras para permitir uma nova reeleição.

Leia abaixo a entrevista:

O senhor tomou conhecimento dessa suposta declaração do presidente, de que ele poderia romper com o PT se insistissem em terceiro mandato também pela imprensa ou o senhor chegou a conversar com ele?

Ricardo Berzoini – Não, não falei porque esse assunto para nós já é mais do que resolvido. É mais uma vez uma pauta artificial que não tem apoio nem do presidente Lula nem do PT. O que achamos é que o presidente foi enfático com os parlamentares do PDT que o visitaram e alguns se arvoraram a porta-voz do presidente (risos). Tentaram fazer, digamos, um factóide político. Mas nós não damos a menor importância nem à declaração em si, nem ao tema, porque não está na nossa pauta.

O senhor acha que tenham talvez ampliado aquilo que ele disse?

Eu não sei, não estava presente. Mas não dou importância porque todo mundo sabe a relação do presidente Lula com o PT e o seu compromisso com o partido. Como sabemos que o presidente também é enfático em suas declarações para demonstrar sua opinião política. E a opinião política sobre esse tema nós discutimos com o presidente no ano passado, quando esse assunto veio à pauta. Como especulações também. Nós somos contra, o presidente é contra e portanto não há nenhum tipo de dissenção nesse tema. Esse tema, no PT, tem uma amplíssima maioria contrária a uma eventual discussão de mudar as regras do jogo e o presidente disse também que é completamente contrário e que não aceita sequer discutir esse assunto. Portanto estamos totalmente alinhados e não há qualquer conflito entre o PT e o presidente. O que há é um deputado do PT que tem dado declarações. E ele tem direito de fazer isso e está fazendo em nome próprio, pessoal.

Mas para a sociedade, não soa contraditório isso?

Não. Os partidos não cerceiam a liberdade de expressão. Cada deputado pode dar sua opinião. Eu tenho opiniões, embora seja presidente do PT que eventualmente não coincidem com as opiniões do PT. Mas eu, como presidente, sou obrigado a verbalizar a opinião do PT.

E a posição oficial do PT é não apoiar a mudança da regra do jogo?

Isso. Nós não apoiamos a existência de mais de uma reeleição. Ao contrário, o PT, do ponto de vista conceitual, é favorável que haja apenas uma eleição. Que não haja reeleição. Mas sequer esse assunto estamos priorizando nesse momento, porque achamos que seria alterar novamente a regra do jogo no curso do processo, o que implicaria em alterar expectativas de governadores e prefeitos atuais que estão convivendo com uma regra que os permite sonhar com a reeleição. Os que estão no primeiro mandato. Então mudar no meio do jogo seria um grande equívoco.

Discutir essa questão pontual ao invés de tratar uma grande reforma política ou falar de dossiê ou levantamento de dados ao invés de falar de outras reformas que o País tem prioridade, criando duas CPIs para tratar do mesmo assunto… não é um desvio de foco das prioridades do País?

Eu acho. Eu concordo. Na verdade, existe hoje uma certa falta de foco no Parlamento, que se revela nesse debate extemporâneo e sobre a questão da reeleição, ao invés de se discutir as grandes distorções que nós temos no sistema político. Eu estive recentemente com o presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), e nós ficamos de estruturar o diálogo entre os dois partidos para, depois de definido esse consenso, tentar fazer uma proposta de Reforma Política que possa ser votada em 2009. Porque esse ano não é mais possível, por causa das eleições municipais. Mas em 2009 é possível sim que nós tenhamos aí uma proposta que passa de dois grandes partidos, sem prejuízo de discutir com todos os demais.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.pt.org.br.

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Partido dos Trabalhadores é contra mudanças para viabilizar terceiro mandato para Presidência da República

O líder da bancada do PT na Câmara, deputado Maurício Rands (PE), descartou ontem a possibilidade de o presidente Lula disputar um terceiro mandato. Em entrevista, Rands afirmou que o partido é contra a mudança “das regras do jogo” para viabilizar um terceiro mandato.

“Sabemos que o presidente Lula é aprovado pela população brasileira. Mas a bancada do PT acha que as regras do jogo não devem ser mudadas com o jogo em andamento, como fizeram PSDB e DEM (ex-PFL). A democracia brasileira, embora consolidada, ainda é jovem e o casuísmo de mudar as regras com o jogo em andamento não favorece a consolidação das instituições democráticas”, disse Maurício Rands.

O líder do PT ressaltou que o desejo da sociedade é ver a continuidade do programa que vem sendo implementado pelo governo Lula. “O que a sociedade quer é a continuidade do grande governo do Lula, e isso pode acontecer sem mudar a Constituição. Isso pode ser feito com a escolha de um candidato ou candidata que faça avançar o programa iniciado pelo presidente Lula de combate a desigualdades e de promoção do crescimento sustentável”, frisou.

Na avaliação do líder do PT, o “jeito diferente” de Lula governar, viajando pelos estados e conversando com a população, “não pode ser confundido” com um processo de campanha eleitoral. “Não existe campanha porque não há hipótese de terceiro mandato. Alguns setores da oposição querem que o presidente Lula fique dentro de um gabinete, mas o que ele tem feito é manter um diálogo constante com a sociedade, dando andamento às obras do PAC, fundamentais para que o Brasil se transforme num país desenvolvido e justo”, disse Rands.

CPI – Sobre a CPMI dos Cartões de Pagamento do Executivo, Rands disse que a oposição precisa explicar porque quer quebrar o acordo que foi celebrado quando se discutia se haveria uma ou duas CPIs. “Parte do acordo previa uma só CPI com deputados e senadores, com a presidência da oposição. E agora a oposição está quebrando o acordo querendo uma CPI só de senadores?”, questionou Rands.

Reforma Tributária – O líder do PT defendeu o nome do deputado Antonio Palocci (PT-SP) para a relatoria da comissão especial da reforma tributária. “A bancada do PT defende que o deputado Palocci seja o relator. Pelo trânsito que tem aqui no Congresso e na sociedade, Palocci como relator seria um indicador a mais para viabilizar o êxito dessa reforma. E a bancada admite que essa composição para a comissão deve ter também a participação da oposição, mostrando que a reforma tributária não deve ser vista como uma proposta do governo ou da oposição, e sim do Estado brasileiro”, disse Rands.

Por Gizele Benitz.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.ptnacamara.org.br.

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