Brasília – Vítimas e parentes de vítimas de acidentes de trabalho foram homenageados hoje (28) com missa celebrada na Catedral de Brasília.
A data foi escolhida pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) para lembrar as vítimas desse tipo de acidente.
“Vários trabalhadores morreram, outros ficaram mutilados e muitos deixaram as famílias órfãs por causa de acidentes. Viemos orar, pedir a Deus que não ocorra mais nenhum acidente, e mostrar à sociedade que a perícia existe, existe o equipamento de proteção, o que falta é usar, aplicar, dar treinamento e investir em segurança no trabalho”, afirmou João Barbosa Arruda, diretor do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Brasília, que participou da missa.
Também assistiram à cerimônia autoridades da Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro, ligada ao Ministério do Trabalho e Emprego) e do Ministério da Previdência Socia
Cerca de 1,3 milhão de acidentes de trabalho foram registrados em 2006 no Brasil, segundo dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Em todo o mundo, o total chega a 270 milhões de casos, com um total de 2 milhões de mortes por ano.
O diretor do Departamento de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional do Ministério da Previdência Social, Remígio Todeschini, destacou a disposição, tanto da Previdência quanto do Ministério da Saúde, de trabalhar o Plano Nacional de Segurança e Saúde do Trabalho. No plano, “os aspectos prevenção, educação e segurança do trabalho são primordiais”, disse ele.
Para Todeschini, os índices de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho só deverão diminuir no Brasil com “o fortalecimento da cultura da prevenção”. Ele chamou a atenção para a nova metodologia empregada pela Previdência Social para reconhecer essas doenças: “Há um esforço de reconhecimento das doenças e acidentes, que antes eram subnotificados, mas hoje há uma nova metodologia, que mostra incremento de 134% de registros.”
Ele lembrou, porém, que é preciso aperfeiçoar a legislação de proteção no trabalho. Embora reconheça que a legislação trabalhista brasileira precisa de aperfeiçoamento, Todeschini considera o empregador o maior responsável pelos acidentes de trabalho.
“O governo deve aperfeiçoar sua legislação, exigir mais a proteção no ambiente de trabalho como formação permanente de todos os quadros e fazer com que mudem as condições de trabalho. Quem é responsável por manter o ambiente seguro são os empresários. Cabe ao governo fiscalizar”.
Por Morillo Carvalho – Repórter da Agência Brasil.
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Cerca de 1,3 mil trabalhadores morreram em acidentes de trabalho em 2006
São Paulo – Em 2006, 1.339 trabalhadores morreram em decorrência de acidentes de trabalho, segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), informados pelo ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi. De acordo com ele, outros 310 trabalhadores faleceram durante o trajeto trabalho-residência, 1.636 se aposentaram por invalidez decorrente de acidentes no trabalho e 3.786 por doenças profissionais.
Segundo o ministro, esse dados servem como parâmetro para enfatizar as campanhas e os esforços para conscientizar tanto trabalhadores quanto empregadores. Lupi acredita que, para diminuir os números de doenças e acidentes no trabalho, é necessário conscientizar por meio de cursos de orientação e capacitação que evitem acidentes.
Com esse objetivo, foi firmado um convênio entre o Ministério do Trabalho e Emprego, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e o Serviço Nacional da Indústria (Senai) para a realização de cursos sobre prevenção de acidentes de trabalho.
“Nós assinamos hoje esse protocolo de intenções com a Fiesp e o Senai e em breve assinaremos também com a Febraban [Federação Brasileira de Bancos] que já demonstrou interesse. Inicialmente esses cursos serão destinados aos jovens aprendizes do primeiro emprego”, explicou durante cerimônia do Dia Internacional em Homenagem às Vítimas de Acidentes e Doenças Relacionados ao Trabalho, hoje (28), na capital paulista.
Ao mesmo tempo, o ministro enfatizou a necessidade da utilização correta dos itens de segurança. “Há setores industriais, de construção civil pesada, eletricitários, metalurgia, onde precisa ter o equipamento necessário que evitam o acidente no trabalho.”
Apesar dos números apresentados pela Rais, o Anuário Estatístico de Acidentes de Trabalho – feito pela Previdência Social – contabiliza 2.717 mortes por acidentes de trabalho em 2006.
Lupi informou ainda que, no dia 30 de abril, o ministério deve lançar uma nova carteira de trabalho que conterá uma tarja magnética que dará ao trabalhador todas as informações sobre sua vida laboral. Ao mesmo tempo, os trabalhadores receberão um cartão magnético com fotografia e impressão digital que servirá como uma identidade.
Com isso, o trabalhador terá acesso ao seu saldo do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), a informações sobre seus direitos a abono salarial, seguro desemprego e, pela internet, poderá verificar informações sobre o tempo que falta para sua aposentadoria e sobre o pagamento da Previdência Social.
“Estamos querendo dar uma modernização no sistema dos direitos dos trabalhadores. Isso começará com aqueles que estão tirando a carteira pela primeira vez, porque não há condições de mudar todas as carteiras de um dia para o outro. Paulatinamente vamos substituindo as antigas. Não precisa correr para substituir carteira de trabalho porque a antiga tem validade também”, disse Lupi.
Por Flávia Albuquerque – Repórter da Agência Brasil.
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Vítima de acidente de trabalho faz apelo por mais segurança na construção civil
Brasília – Aos 39 anos, uma queda do sexto andar de um edifício na cidade satélite do Gama tornou o pedreiro Longino Alves Ferreira incapacitado para o trabalho. Hoje (28), aos 60 anos, ele se emocionou e conseguiu pronunciar apenas poucas palavras na missa que homenageou as vítimas de acidentes do trabalho, na Catedral de Brasília. Longino fez um apelo às autoridades pela fiscalização das condições de segurança.
“Eu não tenho muita cultura. A minha mensagem é simples, para que os colegas tenham mais cuidado, e as empresas também. Mais cuidado com os companheiros, para não deixar acontecer o que aconteceu comigo”, pediu.
No acidente, que completou 21 anos anteontem (26), Longino quebrou a perna esquerda e teve complicações no baço, no braço direito e no pulmão. Era o único provedor da família, formada por ele, a esposa e dois filhos, que na época tinham 10 e 11 anos. Hoje, o filho mais velho é pedreiro e faz parte do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Brasília.
Longino disse que, na obra, não havia equipamento de segurança para os operários. “Nesse tempo, nós entrávamos nas empresas e aqueles que não trabalhassem iam embora. Eu entrei na segunda e, na terça, o encarregado disse que, se eu desse conta de terminar um serviço até as 17h, teria a carteira assinada. Eram 14h30, estava terminando o serviço. Quando foi 15h15, eu caí e me machuquei.”
Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Brasília, João Barbosa de Arruda, falta fiscalização do governo sobre as empresas que não fornecem equipamentos coletivos e individuais de segurança. “Se as autoridades olhassem um pouco para o trabalhador da construção civil, setor que é o carro-chefe em número de acidentes, seria melhor para todos. Acontece que trabalhadores da construção estão aí há anos com ações na Justiça buscando direitos que lhes são garantidos, como a aposentadoria – já que muitos empregadores não assinam carteira.”
No caso de Longino, foram 12 anos para conseguir que a empresa o indenizasse pelo acidente. O coordenador da área técnica da Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro, ligada ao Ministério do Trabalho e Emprego), Luiz Brasil, considera altos os índices de acidentes de trabalho no país, mas ressalta o esforço para que se reverta esse quadro.
Luiz Brasil destacou o trabalho feito hoje, especialmente no nível educativo, para sensibilizar os empresários e incluir conteúdos sobre segurança e saúde do trabalho nas escolas de níveis fundamental, médio e técnico profissionalizante. “Há necessidade de mobilização de toda a sociedade, mas ainda é um número muito alto. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima em 6 mil o número de mortos por acidentes do trabalho no mundo por dia”, informou.
O número apresentado por Brasil é equivalente a três vidas perdidas por minuto no mundo – número que, segundo a OIT, representa quase o dobro de vítimas de guerra. No ranking de mortes, o Brasil ocupa o quarto lugar, com 2.503 óbitos, e perde apenas para a China, com 14.924, para os Estados Unidos, com 5.764, e para a Rússia, com 3.090.
Por Morillo Carvalho – Repórter da Agência Brasil.
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