Neste mês de maio completamos 30 anos após a greve de 1978, um dos marcos do movimento sindical e da luta de classes do Brasil. A greve que teve princípio na fábrica de caminhões e ônibus da Scania, em São Bernardo do Campo, desencadeou um grande processo de mobilização em defesa da democracia e dos direitos da classe trabalhadora em todo o país.
A participação das trabalhadoras metalúrgicas neste processo foi fundamental. Apesar de na época serem somente 8% da categoria metalúrgica do ABC, e não estarem representadas no sindicato, foram elas que, com coragem e ousadia, deram início à paralisação das máquinas da Cofap, em São Caetano, incitando toda a categoria a segui-las.
Trinta anos depois, no início deste mês, tivemos outro significativo momento de participação e protagonismo das mulheres. No Grito da Terra Brasil de 2008 mais de dez mil trabalhadores e trabalhadoras rurais estiveram em Brasília na luta pela reforma agrária, pelo direito à educação, à saúde e por um desenvolvimento sustentável com distribuição de renda.
Muitas foram as mulheres que construíram o Grito da Terra, e que lá estiveram presentes. Destacou-se à frente desta mobilização, uma trabalhadora mulher, presidente interina da CUT, Carmem Foro, também coordenadora da Comissão Nacional de Mulheres da CONTAG.
Estes exemplos, conquistas da organização e da luta das mulheres, nos atentam para a importância histórica da participação e do protagonismo destas nas mobilizações da classe trabalhadora.
Entretanto, a tentativa de exclusão das mulheres dos espaços públicos e políticos ainda se faz fortemente presente em nossa sociedade, capitalista e patriarcal. Assim, há muito a avançar, seja na garantia do direito das mulheres à participação política e aos cargos de poder, seja no combate à invisibilidade das mesmas quando lá conseguem chegar.
Tal situação somente será transformada a partir de processos de luta das mulheres, construídos em seus espaços específicos e levados a cabo em todos os espaços gerais.
Neste momento, estamos em período de realização de Plenárias Estaduais da CUT. A realização das Plenárias Estaduais de Mulheres nesta ocasião se faz imprescindível. Serão estes os espaços nos quais poderemos, para além da reivindicação da participação em si das mulheres nos espaços políticos, construir coletivamente proposições para intervir no projeto de sociedade que queremos. Uma sociedade com igualdade de direitos e oportunidades, sem violência, sem qualquer tipo de exploração e com respeito às diferenças e à diversidade.
Por Rosane da Silva, que é secretária nacional sobre a Mulher Trabalhadora da Central Única dos Trabalhadores (CUT).
ARTIGO COLHIDO NO SÍTIO www.cut.org.br.