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Banqueiros preferem greve a negociar com trabalhadores

Comando Nacional dos bancários e a Federação dos Bancos (Fenaban) tiveram mais uma rodada de negociações ontem, em São Paulo. Conforme acertado anteriormente, o debate sobre assuntos não-econômicos deveria ter sido concluído. Porém, os banqueiros rejeitaram todas as reivindicações relativas a saúde e condições de trabalho, como: isonomia de tratamento entre bancários afastados por motivos de saúde e os ativos, eliminação de riscos nos locais de trabalho, o pagamento adicional por insalubridade e por periculosidade, intervalo para atividades repetitivas, custeio de tratamentos aos trabalhadores afastados por acidente de trabalho (remédios e terapias alternativas).

Na pauta que tratava de emprego, os patrões não deram prosseguimento. Pior: alegaram que esta discussão não pertencia aos sindicatos, que era de responsabilidade das empresas e que não cabe a Convenção Coletiva os mecanismos de proteção do emprego, em uma clara posição de enfrentamento.

Em Igualdade de Oportunidades, negaram a inclusão da licença maternidade de 180 dias no acordo coletivo, já que a lei só entra em vigor a partir de 2010 e, segundo eles, a discussão é prematura. E não quiseram firmar nenhum compromisso que irão contratar na forma de bloco no futuro. Talvez único avanço da rodada, os bancos aceitaram uma mudança na redação da cláusula sobre a mesa temática que está nos acordos dos anos anteriores, de forma a possibilitar que ela seja, de fato, colocada em prática. Quanto à igualdade de tratamento de homoafetivos, se isentaram do debate, justificando que tal benefício vai de encontro com os planos de saúde, impossibilitando a aplicação, apesar de bancários terem apresentado as vantagens legais, convencionais ou contratuais que se aplicam aos parceiros(as) de trabalhadores(as). Se ano passado os banqueiros não permitiram sequer a discussão do tema, este ano vieram com este subterfúgio legal, que acaba desobrigando-os.

Além da descabida negativa a todas as reivindicações dos trabalhadores, os banqueiros propuseram a retirada de direitos já conquistados, tais como: vale-transporte, auxílio creche e Pré-aposentadoria. “Propostas de redução de metas, das filas e das tarifas, não fazem. A miopia dos banqueiros não permite enxergar além das cifras”, avalia Marcelo Socoloski, trabalhador bancário no HSBC e secretário geral da FETEC-CUT/PR.

“É claro o tom de chantagem e provocação. Os banqueiros não querem dialogar. É uma postura que aponta para o confronto e para manifestações nacionais”, confirma Otávio Dias, representante paranaense no Comando Nacional e presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região.

Hoje, 17 de setembro, começaram as negociações sobre as cláusulas econômicas da pauta de reivindicações da Campanha Nacional dos Bancários de 2008, que incluem aumento real de 5%, PLR maior e simplificada e valorização dos pisos salariais. “São pontos delicados, mas esperamos uma melhora do discurso dos banqueiros” avalia Otávio. Segundo ele, o comando nacional deverá aprovar um calendário de mobilização nacional ainda hoje, para pressionar os bancos e mostrar que a categoria está preparada para cruzar os braços, caso as negociações não tenham resultados positivos.

Isabela Medeiros – FETEC/CUT-PR

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