Os patrões, com certeza, já estão preparados para enfrentar a greve dos bancários. Eles já entram nas negociações armados para o embate.
No transcorrer da campanha, os banqueiros calibram o instinto nato de exploradores conforme o humor detectado nos locais de trabalho. Permanecem atentos ao nível de pressão que pode atingir o movimento dos trabalhadores no desfecho das negociações. Se percebem ilusões na categoria, elevam a intransigência ao grau máximo, sem a menor preocupação com o sacrifício a ser imposto aos seus empregados.
Agem assim não apenas por serem patrões como quaisquer outros. Agem assim, sobretudo, porque são patrões do sistema financeiro, gente talhada para o ofício da exploração, que se dedica quotidianamente à lógica do lucro a todo custo, sem responsabilidade social, ambiental ou de qualquer outra ordem.
As instituições financeiras se guiam por ataques aos direi-tos dos bancários e por práticas lesivas à sociedade. Usam de toda sorte de artifícios para burlar a jornada de trabalho, para impor metas abusivas e para arrochar os salários. São indife-rentes em relação às condições de saúde e de segurança dos trabalhadores.
Dos clientes e usuários, procuram extrair cada centavo, sem oferecer a segurança adequada aos que se dirigem às agências. As tarifas bancárias praticamente dobraram em sete anos. Em dezembro de 2000, os brasileiros pagaram o equivalente a R$ 14,8 bilhões em tarifas por serviços bancários (valor atualizado pela inflação do período). Em dezembro do ano passado, as tarifas rederam aos bancos R$ 28 bilhões.
Os bancos lucraram mais com serviço pior. O número de reclamações de clientes contra os dez maiores bancos do país subiu 302% de 2002 para 2008. Em junho deste ano foram registradas pelo Banco Central 3.058 queixas contra 761 em junho de 2002.
Os resultados do sistema financeiro foram fantásticos no primeiro semestre de 2008. Em comparação com os seis primeiros meses do ano passado, o crescimento médio envolvendo os oito maiores bancos do país foi expressivo em todos os índices: lucro (15,25%); patrimônio líquido (19,09%); operações de tesouraria (20,63); operações de crédito (33,97%); ativo total (23,46%); e receita de prestação de serviços (5,02%). A rentabilidade anualizada dos mesmos oito bancos, em 2008, atingiu 27,7%.
Está claro que os bancos poderiam tranqüilamente atender a todas as reivindicações que estão sendo apresentadas pelos trabalhadores. Mas o que se constata nas negociações em curso é que os banqueiros mantêm a faca nos dentes para fazer valer os seus propósitos. Buscam, inclusive, retirar conquistas.
A indignação move a categoria bancária por todo o país. E a idéia de que vai ter greve precisa ser assimilada por todos, para que a resposta à intransigência patronal seja a mais contundente possível.
EDITORIAL COLHIDO NO SÍTIO www.bancariosdf.com.br.