Em entrevista ao jornalista Ricardo Kotscho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que faz aniversário nesta segunda-feira, criticou quem joga na crise para tirar dividendos políticos com vistas à eleição de 2010.
“Lamentavelmente, temos um grupo de pessoas no país que está pedindo a Deus para que a crise chegue logo ao Brasil para desgastar o governo. O que é uma enorme imbecilidade. O Brasil não merece ser prejudicado porque nós fizemos as coisas certas e não temos que pagar pelos erros dos outros”.
Apurados os votos, no dia seguinte à eleição cada um faz suas contas de quem ganhou e quem perdeu. Políticos e jornalistas de todas as latitudes fazem suas análises sobre os resultados.
Achei melhor para os leitores do Balaio ouvir a opinião de quem entende de política um pouco mais do que eu: o presidente da República, meu amigo Luiz Inácio Lula da Silva.
Logo cedo, ele me recebeu contente da vida, no escritório da Presidência da República em São Paulo, num prédio na esquina da rua Augusta com avenida Paulista. É que hoje Lula faz aniversário (63 anos) e, assim que saiu do elevador, encontrou amigos, assessores, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e um bolo de chocolate com morango.
De roupa esporte, com sua jaqueta predileta que tem o brasão da República, ele me levou até a sua sala. Enquanto o presidente comia um pedaço de bolo, falamos só de dois assuntos _ a eleição de domingo e a crise econômica sem data para acabar.
Em seguida, ele teria uma importante reunião com Meirelles para fazer um balanço dos efeitos da crise econômica no Brasil e no mundo. Falariam também sobre a importante reunião do G-8 ampliado, no próximo dia 15, em Washington, para a qual Lula foi convidado pelo presidente George Bush.
Os dois assuntos acabaram se misturando no meio da conversa, quando Lula criticou quem joga na crise para tirar dividendos políticos com vistas à eleição de 2010.
“Lamentavelmente, temos um grupo de pessoas no país que está pedindo a Deus para que a crise chegue logo ao Brasil para desgastar o governo. O que é uma enorme imbecilidade. O Brasil não merece ser prejudicado porque nós fizemos as coisas certas e não temos que pagar pelos erros dos outros”.
A seguir, a entrevista com o presidente Lula:
Está todo mundo hoje fazendo contas e análises sobre quem ganhou as eleições municipais. Para o Presidente da República, qual foi o resultado mais importante?
Lula: Quem ganhou estas eleições foi o processo democrático brasileiro. Foi mais uma eleição que transcorreu da forma mais tranquila possível. E foi uma eleição atípica porque todos os candidatos, do DEM ao PT, defenderam as parcerias com o governo federal. Como o povo está satisfeito, ganharam todos os prefeitos de capitais que disputaram a reeleição, menos o Serafim Corrêa, em Manaus. O povo mostrou que sabia o que queria. Quer manter as obras que estão em andamento em cada cidade.
Mas, do ponto de vista dos partidos, quem cresceu e quem perdeu votos nestas eleições?
Lula: Três partidos perderam: DEM, PSDB e PPS. Os três partidos da oposição foram os que perderam mais prefeituras. E os partidos da base do governo todos eles cresceram: PT, PMDB, PSB, PCdoB, PP, PTB, todos.
Em número de votos e de prefeitos o grande vencedor foi o PMDB, que agora está sendo apontado como o fiel da balança para a sucessão presidencial em 2010.
Lula: Ainda é muito cedo para tirarmos conclusões sobre os resultados de domingo. Eu não trabalho assim com esta antecedência porque em política as coisas não funcionam automaticamente, uma eleição definindo a próxima. Eu me lembro do Mário Covas que teve uma grande votação para senador em São Paulo e foi apontado como futuro presidente da República, mas ficou em quarto lugar, em 1989. Quando o Quércia fez do Fleury seu sucessor em São Paulo, também saiu em capa de revista como futuro presidente, mas teve só 5% dos votos, em 1994. Não dá para fazer uma ligação robotizada entre 2008 e 2010. É incorrer num grande erro. Cada eleição tem sua própria história, seus próprios candidatos, uma é diferente da outra. É como no futebol. Eleição presidencial é um clássico, e clássico não tem favorito…
Vamos mudar de assunto, presidente. A eleição já passou e agora todo mundo quer saber como ficará sua vida diante desta crise econômica globalizada. O que vai acontecer com o mundo? O que vai acontecer com o Brasil?
Lula: Com o mundo, eu não sei o que vai acontecer… A única coisa certa é que vamos ter esta importante reunião em Washington no dia 15 de novembro em que deverão ser tomadas medidas para controlar o sistema financeiro internacional. Temos que fazer a regulação porque ninguém pode brincar com a economia, a ponto de causar prejuízos para todas as pessoas do mundo, sem produzir nada, apenas com especulação.
E como fica o Brasil nesta história?
Lula: Teoricamente, esta crise pode causar problemas ao Brasil, mas numa escala bem menor do que em outros países. No Brasil, temos um sistema financeiro mais sólido, não envolvido no sub-prime. Temos um mercado interno ascendente, com muitas obras financiadas pelo governo federal e por grandes empresas, como a Vale do Rio Doce e a Petrobras, que não vão diminuir seus investimentos. Temos uma exportação hoje muito diversificada, não dependendo apenas de um ou dois países. Agora, sabemos que está faltando crédito no mundo. Não há mais confiança entre os bancos, sequer para funcionar o interbancário (empréstimos de um banco a outro). Mas também neste aspecto o nosso governo, com suas reservas e o compulsório, com bancos públicos bastante sólidos, pode ajudar a combater os efeitos da crise. A Caixa, o Banco do Brasil e o BNDES vão cuidar de irrigar de crédito a economia.
O que você diria para um cidadão brasileiro que te perguntasse se deve fazer um investimento ou esperar um pouco?
Lula: Falaria para ele investir. Outro dia, um sobrinho meu, o Rogério, que é caminhoneiro, veio me fazer esta pergunta. Ele estava na dúvida se deveria comprar um caminhão novo. Falei para ele: compra o caminhão.
Mas nem todo mundo pensa assim. Alguns políticos e analistas econômicos já estão anunciando que a crise do fim do mundo está chegando por aqui e vai influir em 2010 …
Lula: Lamentavelmente, temos um grupo de pessoas no país que está pedindo a Deus para que a crise chegue logo ao Brasil para desgastar o governo. O que é uma imbecilidade, porque o Brasil não merece ser prejudicado. Nós fizemos as coisas certas e não temos que pagar pelos erros dos outros.
Para terminar a nossa conversa, presidente: o que você gostaria de ganhar de presente de aniversário?
Lula: Já ganhei no sábado… O meu Coringão voltou pra primeira divisão…
Fonte: Blog Balaio do Kotscho
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.vermelho.org.br.
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Sínteses das eleições municipais de 2008
Embora derrotado em capitais importantes, como SP e Porto Alegre, nos 97 municípios que tinham mais de 250 mil habitantes em 2007, o PT conquistou 27 prefeituras. A seguir ficou o PMDB, com 21 prefeitos e, em terceiro, o PSDB, com 13.
O PMDB elegeu 1.202 prefeitos em 2008, contra 1.059 em 2004;
O PSDB fez 786 em 2008, contra 870 em 2004;
O PT obteve 560 prefeituras agora, contra 411 em 2004.
O DEM/PFL ficou com 500 prefeituras em 2008, contra 789 em 2004.
Na eleição municipal de 2000, o quadro era o seguinte:
PMDB – 1.250 prefeituras
PSDB – 985 prefeituras
DEM/PFL – 1.025 prefeituras
PT – 174
Embora derrotado em capitais importantes, como SP e Porto Alegre, nos 97 municípios que tinham mais de 250 mil habitantes em 2007, o PT conquistou 27 prefeituras. A seguir ficou o PMDB, com 21 prefeitos e, em terceiro, o PSDB, com 13.
Por Redação – Carta Maior. Com agências de notícias.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.cartamaior.com.br.
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Balanço geral
36,10% e 13,87%. Este foi o crescimento absoluto no número de prefeituras registrado pelo PT e PMDB, respectivamente, nas eleições municipais de 2008.
Há quatro anos, o PT administrava 410 municípios. Agora, comandará 558 prefeituras. A base aliada do presidente Lula, que reúne 16 partidos (PT, PMDB, PSB, PDT, PC do B, PRB, PR, PP, PTB, PV, PSC, PMN, PHS, PT do B, PTC e PRTB) governará 93,5 milhões de eleitores em todo o país – tem em mãos o comando de 20 das 26 capitais brasileiras.
O PMDB foi um dos protagonistas, no Rio de Janeiro, da disputa mais acirrada no País. O candidato Eduardo Paes disputou voto a voto com Fernando Gabeira (PV) e saiu vitorioso, com 50,83% contra 49,17% de Gabeira. O PMDB administrará 1.207 cidades, ante as 1.060 de 2004.
O DEM e o PSDB foram os partidos que mais perderam o comando municipal. O PSDB elegeu 788 candidatos. Em 2004, o número era 870.
A queda do DEM foi de 36,90% – apesar da conquista da administração de 501 cidades em 2008, há quatro anos comandou 794. A despeito do fraco desempenho nas principais metrópoles, o ex-PFL obteve êxito em São Paulo: Gilberto Kassab venceu Marta Suplicy (PT) por 61% a 39%.
O PSB de Marcio Lacerda (prefeito eleito em BH com 59% dos votos válidos) terá em 2009 três cidades.
Confira abaixo o resultado final das 30 cidades onde aconteceu o segundo turno das eleições.
Região Sudeste
São Paulo/SP
Gilberto Kassab – DEM
3.790.558 60%
Marta – PT
2.452.527 39%
Rio de Janeiro / RJ
Eduardo Paes – PMDB
1.696.195 50%
Gabeira – PV
1.640.970 49%
Belo Horizonte / MG
Marcio Lacerda – PSB
767.332 59%
Leonardo Quintão – PMDB
530.560 40%
Bauru / SP
Rodrigo Agostinho – PMDB
97.288 54%
Caio Coube – PSDB
81.896 45%
Campos dos Goytacazes / RJ
Rosinha Garotinho – PMDB
135.955 54%
Arnaldo Vianna – PDT
113.638 45%
Contagem / MG
Marilia Campos – PT
174.198 56%
Ademir Lucas – PSDB
132.066 43%
Guarulhos / SP
Almeida – PT
320.472 56%
Carlos Roberto – PSDB
244.922 43%
Juiz de Fora / MG
Custódio Mattos – PSDB
148.137 51%
Margarida – PT
137.719 48%
Mauá / SP
Oswaldo dias – PT
117.337 55%
Chiquinho do Zaira – PSB
93.382 44%
Montes Claros / MG
Tadeu – PMDB
96.374 52%
Athos Avelino – PPS
86.920 47%
Petrópolis / RJ
Paulo Mustrangi – PT
110.154 65%
Ronaldo Medeiros – PSB
59.065 34%
Santo André / SP
Dr. Aidan – PTB
214.810 55%
Vanderlei Siraque – PT
175.513 44%
São Bernardo do Campo / SP
Luiz Marinho – PT
237.617 58%
Orlando Morando – PSDB
170.728 41%
São José do Rio Preto / SP
Valdomiro Lopes – PSB
109.145 51%
Joao Paulo Rillo – PT
103.967 48%
Vila Velha / ES
Neucimar Fraga – PR
108.476 52%
Dr. Hércules – PMDB
98.418 47%
Região Sul
Porto Alegre / RS
José Fogaça – PMDB
470.696 58%
Maria do Rosário – PT
327.799 41%
Florianópolis / SC
Dário – PMDB
129.969 57%
Esperidião Amin – PP
95.369 42%
Canoas / RS
Jairo Jorge – PT
98.736 52%
Jurandir Maciel – PTB
88.851 47%
Joinville / SC
Carlito – PT
170.955 62%
Darci de Matos – DEM
104.135 37%
Londrina / PR
Antonio Belinati – PP
138.926 51%
Hauly – PSDB
129.625 48%
Pelotas / RS
Fetter – PP
109.011 56%
Marroni – PT
83.193 43%
Ponta Grossa / PR
Wosgrau – PSDB
89.538 52%
Sandro Alex – PPS
81.782 47%
Região Nordeste
Salvador / BA
João Henrique – PMDB
753.487 58%
Pinheiro – PT
535.492 41%
São Luís / MA
João Castelo – PSDB
271.014 55%
Flávio dino – PC do B
214.302 44%
Campina Grande / PB
Veneziano – PMDB
116.222 51%
Romulo Gouveia – PSDB
109.343 48%
Região Centro-Oeste
Cuiabá / MT
Wilson Santos – PSDB
175.038 60%
Mauro Mendes – PR
114.432 39%
Anápolis / GO
Antonio Gomide – PT
122.245 75%
Onaide Santillo – PMDB
39.394 24%
Região Norte
Manaus / AM
Amazonino Mendes – PTB
495.460 57%
Serafim Corrêa – PSB
371.845 42%
Belém / PA
Duciomar Costa – PTB
436.693 59%
Priante – PMDB
295.997 40%
Macapá / AP
Roberto Góes – PDT
91.558 51%
Camilo Capiberibe – PSB
85.659 48%
Por Redação CartaCapital.
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