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A situação do negro no mercado de trabalho

A propósito do Dia da Consciência Negra, 20 de novembro, em homenagem ao líder Zumbi dos Palmares, o Dieese e a Fundação Seade lançaram um estudo analisando a situação dos negros no mercado de trabalho na Região Metropolitana de São Paulo1 . No geral, os dados da pesquisa reiteram uma situação amplamente desfavorável aos negros, relativamente aos não-negros na maneira como se inserem no mercado de trabalho metropolitano de São Paulo.

Naquela região, enquanto negros (e pardos) representavam cerca de 36,5% da população, o contingente de não-negros (brancos e amarelos) correspondia aos outros 63,5%2 . Embora as distâncias tenham diminuído entre 1998 e 2007, como indica o estudo, as participações dos negros nos segmentos mais desfavoráveis do mercado de trabalho são sistematicamente maiores que sua participação na população. Figuram em maior proporção no grupo de desempregados, no grupo dos vínculos informais, no grupo do emprego doméstico, no grupo daqueles com menor escolaridade, no grupo daqueles que percebem as menores remunerações, entre outros.

Alguns números podem dar uma noção melhor das dificuldades adicionais enfrentadas por esta parte da população em sua inserção no mercado de trabalho. Por exemplo, em 2007, a taxa de desemprego de negros era de 17,6%, contra 13,3% de não-negros, e aquele contingente representava 42,9% do total de desemprego. Por sua vez as taxas de participação de negros eram maiores em meio aos mais jovens, nas faixas de 10 a 14, 15 a 17 e 18 a 24 anos, e em meio aos mais idosos, com 60 anos ou mais. Isto indica a necessidade de permanecer por mais tempo no mercado de trabalho de forma a prover as suas necessidades.

No que se refere à remuneração, em média, negros recebem menos por hora trabalhada que não-negros. Esta ocorrência está associada a fatores como formas de contratação e qualidade dos postos de trabalho. A proporção de negros nas posições informais é relativamente maior, seja nos empregos sem carteira assinada, seja nos empregos domésticos, seja no grupo de trabalhadores autônomos. Da mesma forma, há uma presença relativamente maior nos postos de trabalho de mais baixa produtividade, como aqueles oferecidos na construção civil. Entretanto, mesmo em situações menos desiguais, do ponto de vista dos postos de trabalho e da escolaridade, observa-se diferenciais de remuneração em desfavor dos negros.

Na região metropolitana de Salvador, outra capital onde a pesquisa acontece, enquanto 86,6% da população economicamente ativa era formada por negros, a taxa de desemprego entre estes era de 22,7% contra 15,6% entre os não-negros. Nesta região metropolitana, o rendimento médio da população negra ocupada, em 2007, correspondia a 51,8% do rendimento médio dos ocupados não negros. Esta situação reflete a menor presença da população negra entre os ocupados em postos de trabalho de maior remuneração e maior presença entre aqueles ocupados em situação de maior precariedade.

Estes resultados apontados pela pesquisa nas duas regiões metropolitanas, embora mostrem alguma melhora comparativamente ao quadro observado em 1998, mostram, também, que há um longo caminho a ser trilhado no sentido de uma sociedade menos desigual sob o ponto de vista étnico.
1 Estudos semelhantes foram realizados em cada uma das regiões metropolitanas em que o Dieese e seus parceiros realizam a Pesquisa de Emprego e Desemprego – PED: DF, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife e Salvador. Os mesmos podem ser acessados integralmente através do endereço www.dieese.org.br. Infelizmente a pesquisa não é realizada na região metropolitana do Rio de Janeiro.

2 Segundo o IBGE, PNAD/2007.

Fonte: Dieese

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