O professor de economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Reinaldo Gonçalves, explica o que está em jogo por trás da compra realizada pelo Banco do Brasil
Na última semana, o Banco do Brasil (BB) anunciou a compra de parte do Banco Votorantim. Serão investidos R$ 4,2 bilhões para compra de 49,99% do capital votante do banco privado e 50% do capital social. Assim, a família Ermírio de Moraes, dona da instituição, manterá o controle acionário, mas a gestão será compartilhada com o Banco do Brasil.
A concretização do negócio acontece após três meses de negociações. Enfrentando dificuldades, especialmente após a intensificação da crise econômica mundial, a família procurou o Palácio do Planalto. O grupo Votorantim – um dos grupos controladores da empresa Aracruz Celulose – foi um dos mais afetados pela crise cambial no último ano, com grandes perdas em operações com dólar no mercado financeiro.
A Radioagência NP entrevistou o professor de economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Reinaldo Gonçalves, para entender o que está em jogo por trás desta compra.
Radioagência NP: Reinaldo. Como você avalia esta compra?
Reinaldo Gonçalves: Esse caminho está parecendo uma operação de resgate feita pelo governo federal, principalmente se levarmos em conta que o grupo Votorantin foi um dos grupos mais afetados pela crise cambial no último ano. Esse grupo teve grandes perdas em operações no mercado de derivativos em função de operações com dólares, com taxa de câmbio. O resultado é que o governo federal está de uma forma ou de outra atuando no sentido de evitar turbulências na área financeira.
Essa medida faz parte da política do governo para combater a crise financeira mundial?
No conjunto de baterias para enfrentar a crise financeira, uma delas é criar o que se chama empresa de gerenciamento de ativos. É o que a medida provisória 443 criou com a Caixa e o BB. Acontece que esse tipo de medida funcionou muito bem na Suécia, mas em vários outros países não funcionou, porque há problemas de avaliação dos ativos dos bancos que estão sendo comprados. Então, isso abre margem para muita prática oportunista.
E o que motiva o governo a adotar medidas como essa?
Essa é uma avaliação difícil de ser feita. O grupo Votorantin é um grupo grande, que tem patrimônio, que tem ativos substantivos, é um grupo politicamente muito importante no país, economicamente muito poderoso, então pode ser que o governo esteja fazendo política também. Agora o outro lado é saber se vale a pena o Banco do Brasil deslocar seus recursos para resgatar esse banco privado, que, na verdade, é um banco que há dez anos praticamente não existia. Outros bancos de grupos privados brasileiros quebraram, faliram, foram vendidos para outros bancos sem a necessidade de intervenção do setor público.
O governo alegou que com essa aquisição, o Banco do Brasil se aproxima muito do Itaú-Unibanco, o maior banco do país em termos de ativos. Isso faz a compra valer a pena?
Isso é um argumento absolutamente irrelevante. O problema é o que o Banco do Brasil faz em termos de políticas de crédito, de sua atuação, que tenha um impacto social, um benefício social significativo, que o Itaú não tem – é um banco privado que está interessado em acumulação do capital do banco e lucro dos acionistas. O Banco do Brasil não deve ter essa função. Então, não tem a menor relevância se o BB tem 80% ou 120% dos ativos equivalentes aos ativos do banco Itaú. E a dúvida que fica é que essa participação minoritária no grupo Votorantin não necessariamente melhora a relação benefício social.
Por quê?
O que o Banco do Brasil fez foi injetar recursos no Banco Votorantin e não controlando o grupo. Deixou o controle com o setor privado. Então, claramente isso é uma linha de crédito que um banco paraestatal está dando para o setor privado. Isso mostra o viés privatista do governo Lula. E você corre o risco de transformar o BB e a Caixa em hospital de bancos, o que aconteceu com o BNDES no passado.
E quais medidas você acha que deveriam ser adotadas?
A recomendação no caso específico dessa operação de resgate é que a sociedade civil tenha controle de fato sobre essas operações, porque isso dá margem para se criar um balcão com recursos públicos que a sociedade não sabe exatamente a relação de custo-benefício. Está no momento de fazer um saneamento, uma maior regulação e maior controle sobre o setor financeiro e, particularmente, sobre os bancos privados brasileiros que tem práticas comerciais restritivas muito sérias.
Por Vinicius Mansur, de São Paulo (Radioagência NP).
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Compra do Banco Votorantim pelo Banco do Brasil não garante emprego nas montadoras
Para presidente da Federação dos Metalúrgicos do Rio Grande do Sul, Milton Viário, a compra de parte do Banco Votorantim pelo Banco do Brasil não garante empregos no setor automobilístico. Medida pode beneficiar banco e montadoras em detrimento da população
A compra da metade do Banco Votorantim pelo Banco do Brasil não entusiasmou trabalhadores do setor automobilístico. O presidente da Federação dos Metalúrgicos do Rio Grande do Sul, Milton Viário, avalia que a medida não garante os empregos, já que a crise das montadoras não está ligada ao consumo e sim a atividades no mercado financeiro.
“Por parte dos consumidores, parece que não se justificaria essa crise. Fechamos o ano de 2008 com quase 5 mi de automóveis produzidos e vendidos. Este é um recorde histórico. O Brasil, há dois anos atrás, estava produzindo dois milhões, dois milhões e meio de carros”, afirma.
Uma das principais atividades do Banco Votorantim é o financiamento de automóveis via a BV Financeira. Com a compra de 49,9% do capital volante e de 50% do capital social do Votorantim, o Banco do Brasil espera aumentar em 21% o financiamento de carros por meio da expansão de crédito.
Viário analisa que a medida não vai ajudar o setor. Isso porque as montadoras já receberam dinheiro do governo federal e dificilmente o mercado consumidor de automóveis vai crescer mais do que em 2008. O sindicalista responsabiliza as próprias empresas pela crise, que para aumentarem os lucros investiram no mercado financeiro e agora estariam quebrando.
“A pergunta é saber o que está sendo comprado. Se está sendo comprado algum tipo de negócio que vem beneficiar o Banco do Brasil e as atividades estatais ou está comprando a parte podre da jogatina, que na verdade está representando o socorro econômico disfarçado”, diz.
Viário estima que Janeiro e Fevereiro sejam nebulosos para os metalúrgicos gaúchos. Caso as montadoras não recuperem os lucros, a tendência é de demissões.
Por Raquel Casiraghi, Porto Alegre (RS). Agência Chasque.
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Sem CUT, sindicatos e Fiesp discutem redução de jornada como forma de garantir emprego
São Paulo – Para enfrentar a crise econômica mundial, sindicatos, centrais sindicais e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) iniciaram na tarde de hoje (13/01) – sem a presença da Central Única dos Trabalhadores (CUT), a maior do país – uma série de reuniões para tentar fechar um acordo que permita colocar em prática alternativas, previstas na lei, nas relações de trabalho.
Entre estas alternativas, estariam a redução da jornada de trabalho, com remuneração proporcionalmente menor. A contrapartida para os sindicatos seria a garantia de emprego.
“Nós estamos dispostos a negociar alternativas que estão dentro da legislação. Não vamos inventar nada, nós vamos usar o que está na legislação para que a gente possa fazer algum entendimento para não demitir, para garantir os empregos”, explicou o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva.
De acordo com ele, as outras alternativas que serão discutidas são: férias coletivas, licença remunerada, banco de horas, suspensão do contrato de trabalho.
As reuniões vão ocorrer até o próximo dia 22, quando está previsto que um acordo seja anunciado na sede da Fiesp, em São Paulo.
“A lei está prevendo uma série de iniciativas que podem ser feitas. Não precisa flexibilizar a lei, não precisa criar nova lei. Nós vamos começar pelo que é mais fácil, pelo que está na lei. Podemos fazer desde que haja entendimento [com os sindicatos]. Então, o que nós precisamos pregar é o entendimento”, disse o presidente da Fiesp, Paulo Skaff.
A CUT não aderiu às negociações por não concordar com medidas que reduzam o salário dos trabalhadores. “A CUT não vai participar de uma reunião que tem como ponto de partida a redução de salários atrelada à redução da jornada, suspensão de contratos e flexibilização de direitos”, disse, em nota, o presidente da central, Artur Henrique.
“A Central Única dos Trabalhadores reafirma que a luta pelo emprego deve ter como princípio a garantia de manutenção das vagas sem flexibilização dos direitos, nem redução de salários. A saída para a crise passa pela geração de novos empregos, com a necessária redução drástica das taxas de juros e o fim do superávit primário”, diz o texto.
Por Bruno Bocchini – Repórter da Agência Brasil.
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“Irresponsabilidade social demite mais que crise”
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio Nobre, voltou a criticar os empresários que estão propondo demitir ou flexibilizar direitos para superar a crise econômica.
“Esse pessoal passou os últimos cinco anos ganhando dinheiro e agora, no primeiro abalo, quer jogar a conta pra cima dos trabalhadores reduzindo os salários, ou em cima do Estado, usando os recursos do FAT”, criticou.
Sérgio Nobre ressaltou que suspender o contrato de trabalho ou demitir não podem ser as primeiras alternativas diante dos problemas, e que isso só acontece porque é barato demitir no Brasil.
“Na Europa ou nos Estados Unidos, onde é caro demitir, esse recurso é usado só em último caso. Como aqui uma demissão custa pouco para o empresário, essa é uma das primeiras alternativas”, prosseguiu.
“Isso permite que usem a crise como desculpa para demitir e depois contratar o mesmo trabalhador por metade do salário que recebia antes. Essa irresponsabilidade social acaba provocando mais demissões que a própria crise”, concluiu Sérgio Nobre.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.smabc.org.br.
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Sindicato dos Metalúrgicos acompanha a Volks
Depois de fechar um acordo com a montadora Renault, que suspende os contratos de trabalho de aproximadamente 4,5 mil trabalhadores por cinco meses, o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (Simec) acompanha agora os passos a serem dados pela montadora Volkswagen.
A empresa havia anunciado folgas das suas equipes de produção às segundas e sextas-feiras como forma de evitar demissões, mas até ontem, segundo o Simec, não tinha ocorrido a convocação das folgas para os trabalhadores.
Segundo o presidente do Simec, Sergio Butka, o momento é delicado, mas se for confirmada a produção normalmente, será um bom indício. “Havia sido feito um pré-acordo para essas folgas, mas pode significar um aumento nos pedidos de veículos e dessa maneira não haveria necessidade, o que seria uma boa notícia para a categoria”, disse.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.paranaonline.com.br.