fetec@fetecpr.com.br | (41) 3322-9885 | (41) 3324-5636

Por 09:11 Sem categoria

Bancos usam rotatividade para achatar salários

Levantamento mostra que empresas cortam remunerações mais altas e contratam pagando menos.

São Paulo – Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que as empresas usaram a rotatividade para baixar salários durante a crise. Com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o levantamento revela que praticamente um em cada quatro brasileiros com carteira de trabalho assinada trocou de emprego no período entre outubro de 2007 e março de 2008.

“A rotatividade da mão de obra no trabalho é historicamente alta no Brasil, porque nossas empresas não enfrentam restrições para demitir e contratar”, diz o presidente do Ipea, Marcio Pochmann. Ele pondera que essa flexibilidade tem possibilitado que as empresas se ajustem nos períodos de crise, o que amortece o seu impacto no fechamento de vagas. Mas ressalta que o trabalhador que foi demitido e não conseguiu um novo emprego vai onerar os cofres públicos, porque depende do dinheiro do seguro desemprego, enquanto o que foi contratado para ocupar o seu antigo posto vai ganhar menos.

> Convenção 158 da OIT dificulta a demissão imotivada
> Convenção 158 da OIT está na pauta do Supremo

Bancos – Essa rotatividade tem sido uma grande aliada dos bancos. A estratégia é simples: as instituições financeiras demitem os bancários que ganham mais e contratam outros com salários menores.

No ano passado, no Brasil, os bancos dispensaram 39.398 bancários com média salarial de R$ 3.325,89. E contrataram 54.627 novos funcionários com vencimentos de R$ 1.959,84, em média, segundo levantamento da subseção do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) do Sindicato, com dados do Ministério do Trabalho e Emprego. A mesma situação ocorreu em 2007, quando os bancos demitiram cerca de 40 mil bancários com salários médios de R$ 3.085,35 e contrataram 50 mil ganhando em média R$ 1.871,40.

A economista Ana Carolina Tosetti, do Dieese, explica que a rotatividade sempre gera achatamento salarial. Ela ressalta que há nuances que precisam ser levadas em conta, como as promoções, mas que elas também não acompanham os salários dos demitidos. “Em geral, sempre que a empresa substitui seus empregados os salários são achatados”, afirma.

Os próprios bancos não escondem que utilizam a rotatividade como forma de reduzir os vencimentos. No final de fevereiro passado, o ex-presidente da Nossa Caixa, Milton Luiz de Melo Santos, admitiu a estratégia quando divulgou o lucro da instituição em 2008. “Apesar do dissídio (sic) dos bancários, que elevou alguns salários em até 10%, tomamos uma série de medidas que manteve nossas despesas administrativas estáveis. Entre elas, a renovação do quadro de pessoal. Duas mil pessoas foram desligadas do banco e contratados 1.390 novos funcionários com salários mais realistas”.

Para o presidente do Sindicato, Luiz Cláudio Marcolino, só a ganância dos bancos explica essa atitude, já que o impacto da economia feita com a rotatividade nos balanços é irrisório. “É uma economia burra. Os bancários com salários mais altos também são os mais antigos e experientes. Parece inteligente dispensar um empregado e contratar outro ganhando menos. Mas não é, basta ver o quanto aumentou o número de reclamações dos clientes. Isso sem falar da irresponsabilidade social, pois não podemos esquecer que os bancos estão mandando embora pais e mães de família”, comenta Marcolino, destacando que o Sindicato mantém campanhas perenes pela manutenção dos empregos. “Esses números são mais uma mostra de que os bancos estão devendo à sociedade e vamos cobrar.”

Fábio Jammal Makhoul – Seeb SP

Close