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Pesquisa indica que bancos estão mais otimistas com relação a crédito e inadimplência; por que será ?

São Paulo – Pesquisa da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) mostra que as instituições financeiras do país estão apostando em um aumento de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN) em 2009.

Realizada nos últimos dias 18 e 19 de junho e divulgada hoje (24), a pesquisa indica que a expectativa dos bancos é de um crescimento total de 16,1% da carteira de crédito do SFN, neste ano, em relação a 2008.

Os bancos esperavam um aumento de 14,2% na carteira de crédito do SFN em maio. Para 2010, a projeção é de um crescimento de 17,7%. A pesquisa é realizada com 30 instituições financeiras.

As instituições também revisaram a expectativa sobre a inadimplência. Para 2009, o percentual esperado é de 5,6%, segundo o levantamento de junho, ante os 5,9% de maio. A inadimplência foi apontada no início do ano pelos bancos como um dos principais fatores para que o spread bancário não diminua acentuadamente.

“Com a expectativa melhor em relação à inadimplência, as instituições financeiras estão mais agressivas, estão emprestando mais, estão competindo mais, estão reduzindo os juros. Isso já está ocorrendo e acredito que vá continuar a acontecer”, disse o economista-chefe da Febraban, Rubens Sardenberg.

A pesquisa apontou que expectativa para a cotação do dólar ao final de 2009 é de R$ 2,01. Em maio, os bancos esperavam que o dólar fechasse o ano em R$ 2,17.

Em relação à Selic, os bancos revisaram para baixo a estimativa para a taxa básica de juros, ao final deste ano. Em maio, eles previam um percentual de 9,25% e, agora em julho, a previsão é de 8,75%.

As instituições financeiras esperam que haja uma redução no ritmo da queda de juros. A expectativa, de acordo com a pesquisa, é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central promova mais um corte de 0,5 ponto percentual, na próxima reunião. Depois disso, as instituições responderam que esperam uma estabilidade na taxa de juros.

A pesquisa indicou, ainda, que as expectativas são diferentes em relação às economias do Brasil e dos Estados Unidos. Dos entrevistados, 65,4% acham que a economia brasileira já está em processo de recuperação, enquanto 73,1% avaliam que a economia dos EUA se estabilizou.

Por Bruno Bocchini – Repórter da Agência Brasil. Edição: Lana Cristina.

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Investimento externo no setor produtivo brasileiro chegou a US$ 2,483 bilhões em maio

Brasília – O investimento estrangeiro no setor produtivo chegou a US$ 2,483 bilhões no mês passado, o maior resultado para meses de maio da série histórica do Banco Central (BC), iniciada em 1947.

Entretanto, para junho deste ano, o BC espera uma entrada menor desse tipo de investimento. A projeção é de US$ 1,5 bilhão. Neste mês, até hoje (24), a entrada de investimento estrangeiro direto está em US$ 1,2 bilhão.

“É um pouco menor do que vinha se observando, mas também não é um número tão ruim assim”, disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes. Ele voltou a afirmar que o investimento estrangeiro direto está disseminado em vários setores da economia. Lopes acrescentou que é normal a oscilação nos valores de investimento estrangeiro direto que entram no país.

No acumulado de janeiro a maio deste ano, o investimento estrangeiro no setor produtivo chegou a US$ 11,234 bilhões. A previsão do BC para o ano é de US$ 25 bilhões.

Por Kelly Oliveira – Repórter da Agência Brasil. Edição: João Carlos Ropdrigues.

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Estrangeiros retiraram R$ 14,5 bilhões da dívida interna desde agosto

Brasília – Desde agosto, quando registrou o nível recorde, os estrangeiros retiraram R$ 14,5 bilhões a mais do que aplicaram em títulos da dívida pública interna. Segundo números divulgados hoje (23) pelo Tesouro Nacional, o valor de títulos da dívida interna nas mãos de investidores estrangeiros caiu para R$ 67,77 bilhões em abril, o menor nível em um ano e meio.

A quantia equivale a 5,6% do estoque da dívida mobiliária (em títulos) interna. No mês anterior, a participação de estrangeiros tinha atingido R$ 68,56 (5,64%).

A presença dos estrangeiros atingiu o auge em agosto, quando o volume da dívida nas mãos de investidores internacionais tinha somado R$ 82,3 bilhões (7%). Com o agravamento da crise econômica internacional, a participação caiu a partir de dezembro. Em dezembro, houve ligeira alta, mas a aplicação de estrangeiros voltou a diminuir nos meses seguintes.

Os estrangeiros têm vantagens para aplicar em renda fixa no Brasil. Desde fevereiro de 2006, os investidores externos são isentos de Imposto de Renda, diferentemente dos investidores nacionais. Além disso, os aplicadores internacionais não pagam Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) desde o final de outubro do ano passado.

Em março, o governo passou a cobrar 1,5% de IOF sobre as aplicações de estrangeiros em renda fixa para frear a entrada de recursos externos e conter a queda do dólar. No entanto, por causa da fuga de capitais provocada pela crise financeira, a equipe econômica decidiu zerar a alíquota no final de outubro.

Os dados referentes a maio só serão divulgados no fim de julho. No entanto, o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Guilherme Pedras, afirmou que as informações preliminares indicam uma forte entrada de investidores estrangeiros na dívida no mês passado.

“O que a gente viu, ao longo de maio, foi uma entrada de investidores estrangeiros na dívida. Mas é importante destacar que também cresceu a participação de outros grupos de investidores, como os fundos de pensão e a tesouraria de banco”, disse o coordenador.

Por Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil. Edição: Aécio Amado.

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Crise econômica não deve afetar campanha eleitoral de 2010, diz Delfim Netto

São Paulo – Para o economista e ex-ministro da Fazenda Delfim Netto, a economia brasileira já está dando sinais de recuperação e deve apresentar um crescimento de até 4% do Produto Interno Bruto (a soma de bens e serviços produzidos no país) no próximo ano. Em entrevista hoje (16) à Agência Brasil e ao telejornal Repórter Brasil, apresentado pela TV Brasil, Delfim disse acreditar que o Brasil já pagou o seu preço e que, nas próximas eleições presidenciais, os candidatos não precisarão estar tão preocupados com a crise econômica.

“Na minha opinião, a eleição vai ser tranquila no ponto de vista social. Porque eu sempre brinco que o Brasil tem muito vendedor de óleo de cobra, aquele sujeito de filmes de faroeste que andava de carroça e vendia um óleo para curar desde [problemas com] unha encravada até câncer no cérebro. Os vendedores de óleo de cobra não vão ter nenhum sucesso”, disse o economista.

Agência Brasil: O pior da crise já passou? O governo brasileiro tem afirmado isso em diversas oportunidades, mas o diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, disse ontem que a crise mundial ainda não acabou.

Delfim Netto: O FMI e o Strauss não se leva a sério hoje. O que ele diz não se leva a sério. Sobre o governo, deve-se ter dúvidas. Mas o FMI tenho certeza: não é para levar a sério.

ABr: Então, para o senhor, o pior da crise já ocorreu?

Delfim: São duas coisas diferentes.No Brasil, realmente, o momento mais crítico foi no quarto trimestre de 2008. Ainda teve uma repercussão no primeiro trimestre desse ano, mas já começou a recuperação. No segundo trimestre, é possível ter um crescimento com relação ao primeiros meses do ano. Mas se compararmos o segundo trimestre desse ano com o mesmo período do ano passado, deve ter crescimento ainda menor. Isso porque no terceiro trimestre de 2008 estávamos crescendo a 6,8%. Por uma tragédia aritmética, o Brasil vai revelar decréscimo de crescimento durante três trimestres até que volte a aparecer o crescimento. Você terá o retrato do sujeito com um atraso, quando ele já estará superando algumas dificuldades. Vamos vê-lo ainda com uma cara de muito sofredor. Mas acho que já passamos, provavelmente, pelo mínimo. Já pagamos o preço.

ABr: Qual será então o cenário para o próximo ano?

Delfim: O cenário é que vamos estar rodando, na eleição, entre 3,8% e 4%. Significa que o Brasil vai se libertar. Se você fizesse a eleição num processo recessivo, os vendedores de óleo de cobra, que são o remédio que trata desde unha encravada até câncer, iriam abundar no Brasil e fazer um estrago danado. Crescendo como acho que vai estar crescendo, só vão sobrar realmente os candidatos viáveis e razoáveis.

ABr: A crise então não vai ser um problema para os candidatos?

Delfim: Não. A crise vai permitir que cada um apresente o seu projeto. A eleição vai ser tranquila até do ponto de vista social. Sempre brinco que o Brasil tem muito vendedor de óleo de cobra, aquele sujeito de filmes de faroeste que andava de carroça e vendia um óleo para curar desde unha encravada até câncer no cérebro. Os vendedores de óleo de cobra não vão ter nenhum sucesso. E no meio de uma recessão, eles seriam até ouvidos, estariam vendendo o seu produto. Acho que o Brasil tem três candidatos visíveis. Os três vão continuar com processo de crescimento adequado. O Brasil tem uma outra vantagem que são as reservas de petróleo do pré-sal. As pessoas não têm levado isso a sério. O pré-sal é uma mudança completa. O que abortava o crescimento do Brasil e o que sempre abortou era ou crise de energia ou crise nas contas externas. O pré-sal resolve os dois ao mesmo tempo. Está a 300 quilômetros da praia, a 6 mil metros de profundidade, mas sabemos como ir até lá. O Brasil tem uma Autobahn alemã (uma autoestrada). Não é uma estradinha, mas uma estrada de concreto, com 25 anos à frente e tranquilidade para crescer.

ABr: O senhor tem afirmado que o Brasil vai sair da crise em um ano e que a economia deve retomar o crescimento anterior a este período (de crise). Em que o senhor se baseia ao afirmar isso?

Delfim: Na crença no Brasil. Uma das vantagens de ser velho é que se aprende forçado. O Brasil realmente é um país que tem uma certa habilidade para enfrentar crises. Importamos a crise dia 16 de setembro de 2008. O Brasil é um país com um sistema financeiro rígido, com mercado externo relativamente fechado. O Brasil não precisava ter importado essa crise. E importou a crise primeiro porque os banqueiros brasileiros foram solidários. Seria muito deselegante para o banqueiro brasileiro não cortar o crédito quando ele vê no mundo inteiro os outros cortando o crédito. Eles seriam postos fora do clube. Em segundo lugar, o Banco Central não deu o que tinha de musculatura para dar, não deu o conforto que podia ter dado naquele instante. O BC sempre agiu na direção correta, mas infelizmente sempre muito atrasado e em doses homeopáticas. Na verdade, o BC faz em junho de 2009, o que podia ter feito em setembro de 2008, que é baixar os juros. Do ponto de vista fiscal, o governo agiu com rapidez no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Poderíamos ter dado um pouco mais de ênfase no investimento e ter convencido a sociedade de que era o momento de postergar algumas despesas públicas.

Por Elaine Patricia Cruz e Florestan Fernandes Jr. – Repórteres da Agência Brasil e da TV Brasil. Edição: Enio Vieira.

NOTÍCIAS COLHIDAS NO SÍTIO www.agenciabrasil.gov.br.

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