Os representantes dos trabalhadores bancários presentes esta manhã (17) no debate sobre segurança salientaram a importância de exigir que os bancos cumpram a Lei 7.102/1983. Esta legislação determina regras mínimas para o funcionamento dos estabelecimentos financeiros. José Boaventura Santos, presidente da CNTV (Confederação Nacional dos Trabalhadores Vigilantes) lembrou que a lei obriga o fechamento de agências que não tenham um plano de segurança aprovado pela Polícia Federal. “Os bancos querem retirar a palavra ‘obrigatoriedade’ da lei e manter o funcionamento normal das agências mesmo sem condições mínimas de segurança”, destacou. De acordo com os dados da Comissão Consultiva para Assuntos de Segurança Privada (CCASP), a inexistência de plano para as agências é a principal infração cometida pelos bancos.
Sem o plano de segurança ou apresentando irregularidades como descumprimento das determinações do mesmo, inoperância de itens ou não renovação perante a Polícia Federal, as agências deveriam ser interditadas. “Defendemos a preservação da vida dos trabalhadores e clientes e não do patrimônio dos bancos”, afirmou Ademir Wiederkehr, secretário de imprensa da Contraf-CUT. Infelizmente isto acontece em poucos casos.
Outras questões também foram abordadas como o transporte de valores e abastecimento de caixa eletrônico efetuados sem segurança por trabalhadores bancários, portas com detectores de metais antes do auto-atendimento, aumento do número de vigilantes armados e com coletes de segurança. Há também a preocupação de que as agências criem um espaço destinado ao estacionamento dos carros-fortes. O objetivo é de trazer mais segurança para vigilantes, clientes e pessoas que estão circulando nos arredores das agências, evitando transtornos no momento de carregar ou descarregar valores do veículo. Estes temas serão amplamente debatidos no decorrer da tarde de hoje.
Trabalhadores querem atualização da lei – O bancário Daniel Reis, do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região, defendeu perante os demais delegados a urgência da atualização da lei de segurança. Reis lembrou que a Contraf-CUT e a CNTV, que também integra a CCASP, entregaram um projeto de lei de segurança privada, no último dia 14, ao ministro da Justiça, Tarso Genro. No documento constam itens prioritários que foram esquecidos pelo projeto anterior apresentado pela Polícia Federal. Dentre eles, a ampliação dos equipamentos de prevenção, como a obrigatoriedade da porta com detector de metais e câmeras, a intensificação da segurança no transporte de valores e medidas para garantir a proteção da vida de clientes e trabalhadores também nos correspondentes bancários.
Para que as agências bancárias tenham mais segurança Reis também considera essencial que os sindicatos intensifiquem as denúncias, exigindo que a Polícia Federal realize perícia nas agências bancárias.
O dirigente sindical Marco Aurélio Cruz, do Sindicato dos Bancários de Curitiba, reitera a afirmação de Reis de que é preciso intensificar as notificações e os pedidos de fiscalização. Para ele, a Contraf/CUT e as demais Federações de todo o país precisam continuar incentivando que os sindicatos percorram as agências de suas bases para verificar os itens de segurança. “É necessária uma ação sistematizada e contínua nas agências. Cada sindicato deve se organizar para conversar com os bancários e vigilantes, levantando as informações de forma mais fidedigna possível”, comenta.
A convicção do dirigente de que este trabalho deve ser feito de forma “silenciosa” é justificada pela óbvia resistência dos gerentes em transmitir oficialmente estas informações para os sindicatos. Cruz também defende que as denúncias devem partir de uma ação conjunta entre bancários e vigilantes, o que daria ainda mais peso para a iniciativa.
Por Patrícia Meyer – Rede de Comunicação dos Bancários.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.bancariosdecuritiba.org.br.