Professor da Universidade de Quebec debate o tema na sede do Sindicato e alerta sobre importância das denúncias
São Paulo – “Eu sou uma vítima. Estou empregada há 10 anos em uma empresa e afastada há 5 anos por depressão, causada por assédio moral.” O depoimento é de uma trabalhadora que participou na quinta-feira 23 da palestra de Ângelo Soares, doutor em sociologia do trabalho, pesquisador sobre assédio moral, emoções e saúde mental no trabalho e professor da Universidade do Quebec, em Montreal (Canadá). O desabafo da mulher está relacionado a outros casos expostos pelo professor durante a palestra Assédio moral: quando o trabalho é indecente, promovido pelo Observatório Social e realizado na sede do Sindicato.
O combate à prática é uma das reivindicações permanentes dos bancários para a área de saúde e um dos eixos prioritários dos trabalhadores na Campanha Nacional 2009.
Ângelo relatou algumas experiências no campo da pesquisa, em que entrevistou trabalhadores que convivem em ambientes estressantes de trabalho no Brasil e no Canadá e os casos de assédio moral que se tornam cada vez mais frequentes. O professor falou sobre o perfil dos assediadores e ressaltou que em diversos casos nem sempre o supervisor é o assediador. Os bancários, por exemplo, estão sujeitos a sofrer assédio moral praticado pelos gestores e ainda pelos colegas de profissão e pelos clientes. O professor Ângelo Soares deixou seu recado: “ninguém é invulnerável ao assédio moral, pode acontecer com qualquer trabalhador” e disse ainda que “quem nega uma situação desta está banalizando a violência”.
Para Ângelo, alguns especialistas em saúde mental devem conhecer melhor a gestão organizacional das empresas para reconhecer que muitas doenças são causadas pela prática abusiva de pressão por metas, humilhações, pressões e constrangimentos. “Uma administração sem respeito é assédio, é um ataque à dignidade da pessoa”, concluiu o professor.
Campanha – O Sindicato conseguiu um avanço no debate do tema na última campanha nacional, em 2008. O assunto foi discutido com os banqueiros, mas houve um entrave quando os patrões barraram a inclusão de uma cláusula de combate ao assédio na convenção coletiva.
Neste ano o debate sobre o assunto começou com força. Em maio foi lançada a campanha Saia do Isolamento, para mostrar aos bancários que o Sindicato está junto com a categoria nesta luta, para receber denúncias, resolver questões de casos de assédio moral e, se for preciso, orientar as vítimas a procurar a Justiça para punir os responsáveis pelos casos. “Essa luta toma um fôlego ainda maior com o início da Campanha 2009”, diz o secretário de Saúde do Sindicato Walcir Previtale, que alerta: os casos de situações vexatórias, constrangedoras contra o trabalhador ou qualquer colega de trabalho devem ser denunciados imediatamente ao Sindicato. “Muitas vezes não é com você, mas é com um colega, e é preciso fazer a denúncia. Não é necessário se identificar, o Sindicato vai apurar o caso e tomar as providências”, alerta Walcir.
Por Gisele Coutinho – 23/07/2009.
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Contraf-CUT e Observatório Social promovem palestra sobre assédio moral em SP
Nesta quinta-feira (23), o Instituto Observatório Social, em parceria com a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), promoveu a palestra “Assédio Moral: quando o trabalho é indecente”. Mais de 70 pessoas, representantes de diferentes ramos, além de pesquisadores e profissionais das áreas de saúde e segurança, estiveram presentes e puderam debater com o professor Ângelo Soares, da Universidade do Quebec (Canadá), temas como identificação das causas, estratégias de prevenção e como trabalhadores e empregadores podem agir frente a esse tipo de violência.
“A partir dos anos 90, a palavra de ordem na vida das pessoas foi trabalho. As pessoas passaram a ser vítimas do escritório. Passaram a não ter mais pausa em seus afazeres, começaram a abrir mão do horário do almoço para dar conta das atividades. Também se tornaram mais constantes situações onde os trabalhadores começaram a ser chamados para desenvolver trabalhos atípicos e em horários inadequados”, exemplificou Ângelo Soares durante sua exposição. “É necessário que as organizações lutem para que seus trabalhadores sejam respeitados, para que haja trabalho decente, para que não haja humilhação de trabalhadores e trabalhadoras”, completou.
Plínio Pavão, secretário de saúde da Contraf-CUT, representou a organização no evento. Segundo ele, a divulgação do problema e a mobilização dos trabalhadores são fundamentais para a luta e a garantia de condições dignas de trabalho em qualquer lugar do mundo. “A exploração das forças do trabalho não pode ir além das condições humanas. Mas, infelizmente, o que vemos como objetivo dos empregadores é a exploração, ao máximo, do trabalhador. Por isso, percebemos que, se não envolvermos o trabalhador e se não os conscientizarmos sobre o que esta atrás dessa exploração, não teremos como mudar esse cenário”, reforçou.
A incidência do assédio moral no ramo bancário foi mencionada também pelo secretário de saúde e condições do trabalho do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Walcir Bruno. “O que vemos com muita freqüência no setor bancário são as conseqüências físicas do assédio moral nos trabalhadores. E, além disso, vimos as dificuldades existentes no tratamento dessas vítimas”, afirmou. “Debates como esse são importantes para tentar dialogar com os responsáveis pelo setor da saúde em nosso país, para evitar o represamento social das pessoas vítimas do assédio moral, para reinseri-las adequadamente no mercado de trabalho”, completou.
Além do setor bancário, também estiveram representados os setores comerciário, químico, petroquímico e de serviços. Também estiveram presentes pesquisadores e profissionais de saúde e segurança dos trabalhadores. Após a palestra, os participantes debateram temas como leis brasileiras e punições aos patrões, trabalhos de reinserção das vitimas no mercado de trabalho e as dificuldades enfrentadas pelo trabalhador para comprovar que é vitima de assédio moral. Diálogo social, invasão de privacidade, vigilância excessiva, sobrecarga de trabalho, certificações de qualidade, e a crise como justificativa infundada para assédio moral, reestruturação e demissões também foram assuntos debatidos.
Sobre o palestrante – Ângelo Soares é professor da Universidade do Quebec em Montreal (Canadá) e pesquisador sobre assédio moral, emoções e saúde mental no trabalho. Doutor em sociologia do trabalho, ensina os cursos de comportamento organizacional, violência no trabalho e administração de recursos humanos.
Fonte: IOS.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.contracfcut.org.br.