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Por 20:18 Sem categoria

Lula reafirma importância do papel do Estado na economia e na promoção social

Ao participar na noite de quarta-feira (5) da abertura do Simpósio Internacional sobre Desenvolvimento Social, em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender a importância do fortalecimento do papel do Estado na economia e na promoção do bem estar social.

Lula afirmou que foram os governos que salvaram o mundo da crise econômica internacional. “Na hora que o alicate apertou, quem teve a confiança do povo e quem teve que fazer intervenção na economia foi exatamente o Estado, que foi desacreditado durante tanto tempo pelo Consenso de Washington, pelas políticas neoliberais”, afirmou.

O presidente das República disse ainda em seu discurso que o povo brasileiro foi um dos responsáveis para que a crise não causasse os mesmos danos que causou nas economias de outros países. “Aqui no Brasil, quem sustentou a crise econômica para não causar o estrago que a crise causou noutros países foi o povo brasileiro consumindo e o Estado brasileiro investindo”, disse. E ironizou, em portunhol, os empresários estrangeiros que se queixam da elevada carga tributária no Brasil.

“Quem vem aqui pedir para a gente ter uma carga tributária pequena são os empresários dos países que têm a maior carga tributária do mundo e o maior Estado de bem estar social do mundo”, disse Lula. “Um país que tem uma carga tributária de apenas 10% ou 8% não pode fazer política social porque o Estado não existe”, completou.

Lula destacou a importância do simpósio internacional iniciado hoje para compartilhar com outros países a experiência brasileira em políticas sociais. “As experiências do Brasil serão muito úteis a outros países desde que tenham ajuda financeira”, disse. O presidente chegou a sugerir que cada nação rica do mundo se disponha a “adotar” um projeto de desenvolvimento para algum país da África. “Se a gente não fizer isso, essa crise econômica, do jeito que está, pode até diminuir, mas os países que eram pobres vão ter mais problemas daqui para frente”, afirmou.

O Simpósio Internacional sobre Desenvolvimento Social vai até sexta-feira (7) e tem como principal objetivo analisar os avanços e os desafios dos países emergentes na superação da pobreza e da desigualdade.

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Leia a coluna O Presidente Responde desta semana

Na coluna “O Presidente Responde” desta semana, distribuída a jornais de todo o país, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fala sobre o fato de o Brasil ter saído fortalecido da crise econômica mundial, sobre o empréstimo ao FMI e3 sobre os programas para a área de Cultura. Leia abaixo:

Coluna semanal do Presidente Lula

Felipe Pereira, 25 anos, programador de TV de Paulínia (SP) – Com a crise econômica aparentemente controlada, o Brasil saiu mais fortalecido do que quando ela começou?

Presidente Lula – Quando chegou ao Brasil, a crise internacional encontrou nossa economia com muita força para resistir: reservas em torno de US$ 200 bilhões, mercado interno forte, instituições financeiras sólidas e relações comerciais diversificadas. Além de termos a economia bem estruturada, ainda determinei que fossem tomadas medidas para aumentar o crédito (só o BNDES teve R$ 100 bilhões a mais para empréstimos) e estimular o consumo como, por exemplo, a redução do IPI para carros e produtos da linha branca. Aumentamos os investimentos do PAC de R$ 504 bilhões para R$ 646 bilhões, ampliamos o Bolsa Família e lançamos o plano de construção de 1 milhão de moradias. Nós sempre dissemos que fomos o último país a entrar na crise e que seríamos o primeiro a sair dela. Hoje, até quem previa o pior está reconhecendo que tínhamos razão. Enquanto outros países ainda se debatem com a crise, nós estamos saindo dela fortalecidos, em condições vantajosas, com maior poder de negociação nas relações diplomáticas e comerciais.

Alexandre da Silva Passos, 48 anos, economista de Teresópolis (RJ) – De que maneira o empréstimo concedido ao FMI pode ser benéfico para o Brasil?

Presidente Lula – Durante muito tempo, o Brasil era devedor do FMI e obedecia, como um menino bem comportado, às ordens de seus técnicos. Eu cansei de carregar faixas de protesto e de gritar: “Fora FMI”. E agora, pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial, e mesmo em meio a uma grave crise econômica, o Brasil não apenas não pediu apoio financeiro, como vai repassar US$ 10 bilhões à instituição, na forma de empréstimo, o que não compromete nossas reservas. Nossa condição é a de que o dinheiro sirva para ajudar a economia dos países mais pobres e aqueles em desenvolvimento. Não se trata apenas de uma questão humanitária. Hoje, nenhum país é uma ilha, nenhum vive unicamente por seus próprios meios. Enquanto os demais países não emergirem da crise, nós não estaremos totalmente a salvo porque dependemos da saúde econômica de todos para normalizar o fluxo do comércio internacional. A verdade é que passamos a ser ouvidos. Hoje, nós é que estamos dizendo o que o FMI deve fazer e não o contrário, como sempre acontecia.

Francisco Pellé, 37 anos, ator e produtor cultural de Teresina (PI) – Qual a garantia que a sociedade brasileira terá, com o término de seu mandato, da continuidade de programas como o Cultura Viva (Pontos de Cultura) e o Mais Cultura, não como programas de governo, mas como políticas públicas de cultura?

Presidente Lula – No lançamento do programa Mais Cultura eu afirmei que o Brasil nunca tinha tido uma política cultural. Até então, os ministros faziam atendimentos pontuais, em geral bastante seletivos. Nós estamos mudando este quadro, construindo políticas públicas que ampliam como nunca o acesso a bens e serviços culturais. Enviamos recentemente ao Congresso a lei do Vale Cultura, que vai permitir a freqüência ao cinema, ao teatro, e a compra de CDs, DVDs, livros, de um número entre 12 e 14 milhões de brasileiros. Com o Mais Cultura, implementamos ações que valorizam a diversidade cultural do nosso povo. Os Pontos de Cultura – já são 1600 e devem passar dos 2 mil este ano – são uma experiência extraordinária e resultam da parceria da União com Estados e municípios. Para a consolidação deste e de vários outros programas está em votação no Congresso Nacional o Plano Nacional de Cultura, elaborado a partir de 27 seminários abertos à população. Aprovado, o Plano se torna uma política de Estado, que traça as diretrizes da política cultural para os próximos dez anos.

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