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Para FAO especulação de múltis com alimentos é a causa da fome

A ganância que leva a especulação ao mercado de cereais, fazendo os alimentos se tornarem comodities, foi repudiada pelo Papa Bento XVI em mensagem aos participantes do encontro da FAO

“Devemos manter os recursos nacionais da produção alimentar para garantir o atendimento às necessidades da população. Eliminar a fome da face da Terra requer 44 bilhões de dólares anuais em investimentos em infraestrutura, tecnologia e insumos modernos. Trata-se de uma quantidade pequena se comparada com os 1,3 trilhão de dólares que o mundo gastou em armamentos somente no ano de 2007”, afirmou o Diretor Geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, o senegalês, Jacques Diouf, aos líderes mundiais reunidos em Roma para a Cúpula Mundial sobre a Segurança Alimentar.

Só o orçamento militar dos Estados Unidos de 2010, aprovado em 28 de outubro passado pelo presidente Barack Obama – em que não estão inclusas muitas despesas relacionadas com a guerra e custos militares — atinge os US$680 bilhões. “O orçamento militar anunciado para 2010 é realmente apenas cerca da metade dos custos anuais dos EUA com despesas militares”, revelou Sara Flounders, do IACenter dos EUA, assinalando que o total dos gastos reais configura um orçamento militar total de US$1,15 trilhão.

Assinalando que mais de 1 bilhão de pessoas sofre fome no mundo, Diouf sublinhou a necessidade de produzir alimentos no lugar onde residem os pobres e famintos e impulsionar os investimentos agrícolas nessas regiões.

“O planeta pode se alimentar bem, desde que se cumpram as decisões tomadas e se mobilizem os recursos necessários de forma efetiva”, acrescentou Diouf solicitando um incremento da ajuda oficial ao desenvolvimento, uma percentagem maior do orçamento dos países em desenvolvimento dedicado à agricultura.

O dirigente da FAO lembrou que “nos últimos cinco anos, diversos países da África, América Latina e Ásia conseguiram reduzir de forma substancial o número de vítimas da fome em seu território”. “Isso significa que sabemos o que há que fazer e como se deve fazer para derrotar a fome”.

O presidente Luiz Inácio da Silva foi homenageado no encontro por sua política e bons resultados na luta contra a fome no Brasil. “De 1980 para cá nossa produção de grãos cresceu 142%, enquanto que a área plantada expandiu-se no mesmo período 24%”, afirmou Lula destacando que ainda há 77 milhões de hectares de terra agricultáveis fora da Amazônia.

Lula defendeu o programa brasileiro de etanol demonstrando que este não prejudica a produção de alimentos: “Vejo que muitos dedos apontados contra a energia limpa dos biocom-bustíveis estão sujos de óleo e carvão”.

Dirigindo-se aos Estados Membros da FAO em todas as línguas oficiais, o Papa Benedicto XVI frisou que “A fome é o sinal mais cruel e tangível da pobreza. A opulência e o esbanjamento não são aceitáveis, quando a tragédia da fome adquire uma proporção cada vez maior”.

Ele condenou a “ganância que faz a especulação levantar sua cabeça até no mercado de cereais, como se alimentos pudessem ser tratados como commodities”.

“Ao mesmo tempo deve se favorecer o aceso aos mercados internacionais para aqueles produtos que procedem das regiões mais pobres, que hoje em dia são frequentemente marginalizadas. Para poder alcançar estes objetivos, é necessário separar as regras do comércio internacional da lógica do lucro visto como um fim em si mesmo”, concluiu.

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Jogatina na bolsa gera a alta nos preços do milho, soja, trigo e arroz

Os preços dos alimentos de hoje não têm relação com a lei de oferta e procura. São sim, resultado da especulação exercitada pelos monopólios dos alimentos em conluio com o sistema financeiro internacional.

Em 2003 o total da produção mundial de arroz ficou 20 milhões de toneladas abaixo do que foi consumido, havendo então um déficit em relação ao utilizado. Em 2008, após aumento na produção, houve um superávit de 1 milhão de toneladas/ano. Caso fossem regidos pela lei do mercado, ou seja pela propalada lei da oferta e procura, os preços teriam apresentado uma razoável baixa entre 2008 e 2003, com o grande aumento de oferta em relação à procura. No entanto, o que de fato aconteceu é que o preço passou de US$ 200 em 2003 para US$ 499 em 2008, de acordo com dados da FAO e da Bolsa de Chicago.

Quanto ao milho o acesso aos estoques por déficit na produção caiu 11% comparando as colheitas de 2003-2004 com as de 2007-2008. Além disso, estes estoques estavam em 90 milhões de toneladas, ou 10% do consumo mundial, quer dizer, muito longe do esgotamento. No entanto, apesar do avanço da produção em relação ao consumo, houve um aumento na direção oposta ao que a lei de mercado pura e simples determinaria: o preço saltou 125% no período.

O caso mais escandaloso é a soja: a produção cresceu 28% entre 2003-2004 e 2007-2008. Os estoques mundiais cresceram 40% e são hoje equivalentes a uma parcela maior do consumo do que antes. Mas a tonelada de soja aumentou de US$ 300 em 2003 para US$ 500 em 2008.

Tomado o ano de 2006 como referência, no ano de 2008 o preço do trigo, onde também a oferta aumentou em relação à procura, houve alta de 135%.

O que estes exemplos mostram é que está por trás do aumento dos preços dos alimentos a determinação dos mesmos através dos cartéis que dominam sua produção e distribuição. Além disso, transformados em comodities e depois disso em títulos nas bolsas de futuros, os produtos sofrem uma especulação alucinada. Aposta-se nos preços que vão existir meses depois – mas que serão impostos por meia-dúzia de monopólios, que ganham nessas bolsas o que quiserem, pois são eles, afinal, que determinam o resultado do jogo, ou seja, os preços.

Foi o fim de qualquer restrição à ação dos monopólios em nome de um inexistente “livre mercado”, com suposta alta capacidade de autorregulação que fez os preços serem catapultados ao tempo em que a fome aumentava.

Para isso, como destaca em seu artigo “La Bolsa de Valores e Control Mundial de Alimentos”, Aurélio Suárez Montoya, os monopólios passaram a dominar a produção após uma ação de dumping devastadora: “os países do Norte, encabeçados pelos Estados Unidos, tomaram o controle mundial dos alimentos, graças aos bilhões de dólares diários de subsídios estatais que lhes permitem exportar seus excedentes a preços abaixo do custo e quebrar as produções domésticas do Sul, ao qual, para facilitar o assalto, se obrigou a eliminar ou reduzir as tarifas [sobre as importações]”.
Como conseqüência, acrescenta Montoya: “entre 1994 e 2004, a produção de alimentos de todos os países em desenvolvimento caiu 10% em relação à década anterior, enquanto suas compras alimentícias externas cresceram 33%”.

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Kadafi denuncia que corporações montam latifúndios com terras do Continente Africano

Durante a reunião de Cúpula contra a Fome que a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação, FAO, realizada em Roma no dia 17 passado, o dirigente da Líbia Muamar Kadafi denunciou na plenária que congrega os 193 países membros “o novo feudalismo que se expande por toda a África e nos países em desenvolvimento, onde empresas estrangeiras compram as melhores terras cultiváveis, transformando-se em novos latifundiários que devemos combater para impedir mais esse saque”.

Kadafi que preside também a União Africana, denunciou a pilhagem realizada pelos países ricos sobre as riquezas das populações colonizadas e que agora “investem os fundos obtidos com essa pilhagem no fabrico de armas para prosseguir os massacres”.
O líder líbio apontou para a ausência de chefes de Estado dos EUA, Inglaterra e França. Para ele essa ausência configura “uma mensagem clara de que os países ricos decidiram não contribuir para a resolução do problema da segurança alimentar mundial”.

“Eles”, acrescentou, “mostram uma hipocrisia flagrante, ao exprimir a sua compaixão e parecendo chorar pelos pobres enquanto gastam trilhões de dólares em armamentos e arsenais nucleares”.

No encontro, várias entidades de trabalhadores rurais lideradas pela Via Campesina denunciaram as corporações multinacionais do setor alimentar de tentar se apoderar de milhões de hectares de boa qualidade pertencentes a pequenos camponeses do terceiro mundo.

As entidades realizaram um ato na entrada do prédio da FAO onde frisaram a atividade criminosa das corporações do setor de alimentos, em especial a norte-americana Monsanto, que destrói as terras com o uso de organismos geneticamente modificados, com conseqüências funestas para os trabalhadores e a população que moras nas regiões em que atuam, além de torna-los dependentes do uso de seus produtos – sementes e pesticidas.

O presidente da Malásia, Tan Sri Muhyiddin Yassin, destacou: “temos os meios e recursos para reduzir a fome global. O que nós precisamos é traduzir nossos objetivos comuns em ação tangível nos níveis mundial, nacional e regional”.

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Comércio mundial deve garantir alimentação dos povos e não a valorização de comodities”

“A luta contra a fome deve ser levada a cabo com o crescimento do investimento das nações em agricultura. É necessária uma reforma no sistema de comércio global que ajude a garantir a alimentação da população mundial e não, como hoje, a valorização dos alimentos como comodities”, destacou o presidente do Zimbábue, Robert Mugabe. Ele alertou que “os países que estão interessados em erradicar a fome estão diante do desafio de constituir uma ação unitária nesta direção”.

Mugabe denunciou: “Nós enfrentamos uma intervenção hostil após havermos realizado nossa reforma agrária. Os inimigos neocolonialistas queriam o fracasso da nossa reforma, de tal forma que seguíssemos dependentes da importação de seus alimentos. “Passaram a utilizar-se para este fim de sanções ilegais e desumanas”, acrescentou, “estas sanções causaram graves prejuízos a nossa produção de alimentos, mas nosso país seguiu investindo na agricultura”.

NOTÍCIAS COLHIDAS NO SÍTIO www.horadopovo.com.br.

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