Brasília – Ao lado do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje (23) que o Brasil deve ser exemplo para o Oriente Médio pelo convívio harmônico entre as comunidades árabes e as judaicas. Lula citou, além disso, outros exemplos dessa boa convivência entre diferentes na sociedade brasileira.
Segundo ele, a busca pela paz e o diálogo na região devem ser um esforço conjunto, e o governo brasileiro pode atuar nestes esforços.
“A experiência brasileira de abrigar grandes comunidades árabes e judaicas em convivência harmoniosa desmancha o mito de que o Oriente Médio está condenado ao conflitos e sofrimentos que tem vivido por décadas. Mantendo o diálogo aberto, franco com todos os países da região”, disse Lula, em entrevista coletiva ao lado de Ahmadnejad.
O presidente brasileiro lembrou ainda que recebeu, nos últimos dias, os presidentes do Irã, de Israel, Shimon Peres e da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas.
Por Renata Giraldi e Yara Aquino – Repórteres da Agência Brasil. Edição: Nádia Franco.
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Lula diz que é essencial acabar com isolamento político do Irã
Lula cobra de Ahmadinejad menos extremismo e fim do apoio ao Hamas
Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou hoje (23) do colega do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que ponha em prática uma política democrática e de respeito à diversidade. Indiretamente, Lula se referiu ainda ao fim do suposto apoio financeiro do Irã ao grupo radical Movimento de Resistência Islâmico (Hamas). Segundo ele, isso é essencial para encerrar o isolamento político internacional a que o Irã está submetido.
“No mundo que vivemos a distância geográfica e a diversidade cultural não devem servir de pretexto para manter os povos afastados”, disse Lula. “A política externa brasileira é balizada pelo compromisso com a democracia e o respeito à diversidade. Defendemos os direitos humanos e a liberdade de escolha dos nossos cidadãos e cidadãs com a mesma veemência com que repudiamos todo ato de intolerância ou de recurso de terrorismo.”
Integrantes da comunidade internacional suspeitam que o governo de Ahmadinejad apoie e financie as ações do Hamas. Para o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, é fundamental que o Irã deixe de ser associado ao grupo extremista e assim seja possível buscar alternativas para o fim dos conflitos no Oriente Médio.
Em janeiro de 2006, o Hamas venceu as eleições para o parlamento palestino derrotando o Fatah. Desde a vitória eleitoral do Hamas o conflito entre o Hamas e o Fatah está acirrado.
Em 2007, Abbas decretou a ilegalidade do Hamas. Em novembro 2009, o Hamas comprometeu-se a assinar o acordo de reconciliação interno na Palestina, a iniciativa teve apoio do Egito que havia obtido a assinatura do Fatah.
“O Irã pode ter papel decisivo não só no Oriente Médio, mas também na Ásia Central. Confiamos na experiência milenar de sua cultura para forjar a ordem internacional harmônica em sua própria região. Será particularmente importante a contribuição iraniana para lograr a unidade dos palestinos, sem a qual suas aspirações de liberdade não poderão ser alcançadas”, disse o presidente Lula.
Lula e Ahmadinejad conversaram sozinhos, apenas com ajuda dos tradutores, por cerca de três horas no Palácio do Itamaraty. Na conversa, Lula reiterou suas preocupações com as ações terroristas e a dificuldade de avançar nas negociações pela paz enquanto os grupos radicais atuarem.
Em sua visita ao Brasil, Ahmadinejad foi alvo de críticas de vários setores da sociedade. Os homossexuais e movimentos de diferentes etnias o acusam de preconceito. Os integrantes da comunidade judaica repudiam o iraniano por suas declarações questionando a ocorrência do Holocausto e defendendo o fim do Estado de Israel. No seu discurso, Lula disse ainda que o Brasil é um exemplo de convivência da diversidade.
Por Renata Giraldi – Repórter da Agência Brasil. Edição: Rivadavia Severo.
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Lula diz que apoia programa nuclear do Irã desde que seja com fins pacíficos
Brasília – Depois de uma longa reunião com o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu hoje (23) o direito de o governo do Irã desenvolver seu programa nuclear. No entanto, Lula ressaltou que a posição brasileira é defender um programa que obedeça o objetivo de fins pacíficos e respeite os acordos internacionais, a exemplo do que faz o governo do Brasil.
“Esse é o caminho que o Brasil vem trilhando em obediência à nossa Constituição que proíbe a produção e utilização de armas nucleares. Não proliferação e desarmamento mundial devem andar juntos”, disse Lula ao lado presidente do Irã. Ambos deram declarações conjuntas e responderam a duas perguntas de jornalistas brasileiros e estrangeiros.
Há polêmicas envolvendo o programa de energia nuclear do Irã que é suspeito de ocultar a produção de armas nuclear capazes de efeitos em massa. Os organismos internacionais responsáveis pelas fiscalizações enviam frequentemente inspetores para que analisem documentos e as usinas iranianas.
Lula afirmou que o Brasil sonha com um Oriente Médio livre de armas nucleares e encorajou o presidente iraniano a continuar o engajamento com países interessados de modo a encontrar uma solução justa e equilibrada para a questão nuclear iraniana.
“Reconhecemos o direito do Irã de desenvolver programa nuclear para fins pacíficos com todo o respeito aos acordos internacionais”, reiterou o presidente Lula. “O Brasil sonha com o Oriente Médio livre de armas nucleares, como ocorre em nossa querida América Latina.”
Segundo Lula, se o governo iraniano seguir as normas internacionais e tiver posição semelhante à brasileira contará com seu apoio. “Encorajo assim Vossa Excelência a continuar o engajamento com países interessados de modo a encontrar uma solução justa e equilibrada para a questão nuclear iraniana”, afirmou o presidente brasileiro.
Preocupado em evitar atrasos, Lula foi vencido pelo tempo e a ampliação da reunião bilateral com Ahmadinejad. A agenda política programada pelos assessores dos dois presidentes sofreu mais de duas horas de atraso.
Como habitualmente ocorre, Ahmadinejad respondeu longamente às questões e fez um discurso de 17 minutos. A declaração conjunta e a rápida entrevista de Lula e do iraniano ocorreram antes de ambos almoçarem o que provocou brincadeira do presidente brasileiro, que deu a entender que estava com fome.
Por Yara Aquino e Renata Giraldi – Repórteres da Agência Brasil. Edição: Lílian Beraldo.
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Brasil tem um papel importante para alcançar a paz no Oriente Médio
O presidente Lula dedicou o programa Café com o Presidente para fazer uma análise sobre a questão do Oriente Médio e o papel do Brasil nesse processo. O presidente falou sobre a importância do diálogo permanente em busca da paz e do problema da intolerância, que não permite que a paz seja alcançada. Lula se encontrou com líderes do Oriente Médio na semana passada e, nessa segunda-feira, tem um encontro marcado com o presidente do Irã.
Apresentador: Olá você em todo o Brasil. Eu sou Luciano Seixas e começa agora, o Café com o
Presidente, o programa de rádio do presidente Lula. Olá, presidente, como vai? Tudo bem?
Presidente: Tudo bem, Luciano.
Apresentador: Presidente, entre a semana passada e o início dessa, o senhor teve e terá reuniões com líderes do Oriente Médio. Que estratégia o Brasil adota ao conversar com esses líderes mundiais?
Presidente: Olha, primeiro Luciano, é importante o povo brasileiro compreender que poucos países têm a primazia de em 15 dias receber o presidente Shimon Perez, de Israel; receber o presidente Mahmoud Abbas, Autoridade Palestina; e receber o Ahmadinejad, presidente do Irã. Ora, são três países que estão envolvidos em conflito, três países que têm muita responsabilidade pela paz no Oriente Médio, e tem muita gente que acha que nós deveríamos receber só um, ou seja, iraniano acha que nós deveríamos receber só Irã, palestinos acham que nós deveríamos receber só palestinos e judeus acham que nós deveríamos receber só judeus. Ora, acontece que se tem um conflito, se tem uma divergência, e não é curta, é uma divergência muito longa, de muito tempo, não adianta você isolar as pessoas. É preciso você estabelecer um diálogo, uma política muito séria de conversação, para que você possa, então, acreditar que é possível estabelecer a paz no Oriente Médio. Eu tenho uma tese, sabe, que não é possível que não se encontre um caminho do meio para fazer a paz. Ou seja, porque nos achamos que é preciso envolver outros países, outros atores, outros negociadores, para que a gente possa tentar discutir a paz de verdade. Por exemplo: você tem dentro da Palestina, a Autoridade Palestina que quer a paz. Mas você tem o Hamas, que não quer a paz. Então, é preciso que, primeiro, tenha um acordo interno dentro da Palestina, para saber se eles são capazes de produzir uma proposta única de paz, que atenda aos interesses de vários grupos. Você tem, dentro de Israel, o povo que quer a paz, o presidente de Israel, Shimon Perez, que quer a paz, mas, certamente, tem gente que não quer a paz. É por isso que ela não existe. E não adianta você ficar instigando a discórdia entre eles. É preciso que a gente encontre um ponto de equilíbrio que possa permitir que haja paz no Oriente Médio. E eu acho que quem deveria estar negociando eram as Nações Unidas. A ONU deveria estar negociando, estabelecer com os países qual é o critério, qual é base para fazer o acordo e fazer o acordo e viver tranqüilo. Porque o mundo precisa de paz, o Oriente Médio precisa de paz. Aquelas pessoas estão cansadas de guerra, estão cansadas de morte, estão cansadas de ataques. Ou seja, é preciso encontrar um jeito. Não adianta alguém ficar pensando que é melhor do que o outro. Não adianta ninguém ficar acusando ninguém. É preciso olhar um pouco o passado, mas pensar no futuro. E o futuro tem que ser de paz. Eu acho que é um momento rico, porque mostra a capacidade de conversação que o Brasil tem, nesse momento. Ou seja, você tem uma série de países que não conversam com Irã. Não adianta você deixar o Irã isolado. Se o Irã é um ator importante em toda essa discórdia, é importante que alguém sente com o Irã, converse com o Irã e tente estabelecer um ponto de equilíbrio, para que a gente volte a uma certa normalidade no Oriente Médio. Eu, na verdade, nesse momento, Luciano, eu tenho uma inquietação dentro de mim que é o seguinte: ou seja, se é verdade que o povo palestino quer paz e o presidente da autoridade palestina quer paz; se é verdade que o povo do Israel quer paz, e o presidente de Israel quer paz, é preciso que a gente agora comece a perguntar quem é que não quer a paz. E detectar quais são os grupos que estão radicalizando para não ter a paz. Porque é com esses que nós precisamos procurar parceiros para conversar. Quem confia em quem para a gente poder restabelecer essa conversa. É com essa convicção que eu trabalho, e por isso eu converso com todo mundo. Não aceito intolerância de pessoas que acham que não se pode conversar. Quem acha que a gente não pode conversar é tão intolerante quanto aqueles que não querem a paz.
Apresentador: Você está ouvindo o Café com o Presidente, o programa de rádio do Presidente Lula.
Presidente, o senhor tem alguma agenda de viagens, marcada para o Oriente Médio?
Presidente: Tenho. Depois de receber os três presidentes aqui, já está mais ou menos marcado. No mês de março, eu vou visitar Israel, vou visitar a Jordânia, vou visitar a Palestina. Mais do que visitar, eu estou trabalhando, já conversei com o presidente, Shimon Perez, ele concordou; já conversei com o presidente da Autoridade Palestina, ele concordou. Ficaram de conversar com seus pares, quando regressarem aos seus países, e me darem uma resposta, que eu tenho já há três anos, o sonho de fazer um Jogo da Paz, sabe, em um estádio que possa ser neutro, de uma seleção mista, Israel e palestinos, para jogar contra a seleção brasileira. Eu acho que seria uma marca extraordinária para o Brasil e, sobretudo, um sinal muito importante para paz, porque os jogadores brasileiros são muito conhecidos no mundo inteiro. E eu acho que isso poderia mexer com a cabeça de muita gente.
Apresentador: Muito obrigado, presidente Lula, e até a próxima semana.
Presidente: Obrigado a você, Luciano, e até a próxima semana.
Apresentador: A partir de hoje, o site do Café com o Presidente está de cara nova. Você pode acessá-lo no endereço www.cafe.ebc.com.br. O programa Café com o Presidente, volta na próxima segunda-feira. Até lá.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO http://cafe.ebc.com.br/programas/brasil-tem-um-papel-importante-para-alcancar-a-paz-no-oriente-medio/