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Caça-Fantasmas ocuparam a Assembleia Legislativa do Paraná

Duas mil pessoas saíram às ruas de Curitiba nesta quarta-feira [14] para protestar contra os atos secretos e a existência de centenas de funcionários fantasmas na Assembleia Legislativa do Paraná [Alep]. Por volta das 09h00 os manifestantes se reuniram na Praça Santos Andrade, de onde saíram em marcha pelas ruas do centro da capital em direção à Alep.

Antes, porém, passaram em frente à Prefeitura de Curitiba para protestar o contra Beto Richa [PSDB], licenciado do cargo de prefeito para a disputa do Governo do Estado, que é acusado de manter empregada irregularmente na Assembléia Legislativa a sogra de seu chefe de gabinete. Em seguida, pararam no Tribunal de Contas, onde uma comissão formada por representantes de várias entidades protocolou documento que requer informações sobre as contas da Assembleia. O mesmo aconteceu no Ministério Público Estadual.

Ao chegarem à Alep, os manifestantes foram surpreendidos com o bloqueio dos acessos a Casa. Alguns estudantes ficaram revoltados e, na agitação do movimento, derrubaram um dos portões e acabaram ocupando a Assembleia. Os parlamentares se refugiaram nos gabinetes e todas as portas de entrada ao plenário se encontravam fechadas. Estudantes e sindicalistas permaneceram por alguns minutos no saguão e cantavam palavras de ordem do tipo: “Pula sai do chão, roubalheira aqui não!” e “Bom dia Nelson Justos como vai? bom dia Nelson Justos como vai? Nós chegamos até aqui para ver você cair, bom dia Nelson Justos como vai?”.

Os ânimos só se acalmaram com a notícia que a comissão de representação dos movimentos sociais conseguira protocolar o ofício que exigia o afastamento de toda a Mesa Diretora da Assembleia. Nesse momento os manifestantes saíram cantando o Hino Nacional.

Entre as exigências do movimento “Caça-Fantasmas” estão a cassação dos parlamentares envolvidos nos atos secretos e nomeação de funcionários fantasmas, exoneração dos falsos empregados da Assembleia e devolução das verbas desviadas dos cofres públicos. O presidente da CUT Paraná, Roni Barbosa, considerou a atividade como muito positiva. “As manifestações estão em ascensão e a de hoje cumpriu com o objetivo de chamar a atenção da sociedade para os casos de corrupção na Assembleia. Permaneceremos mobilizados até que todas as denúncias sejam apuradas. Jamais abriremos mão disso. Queremos uma audiência pública com representantes das instituições que estão investigando a Alep para sabermos o que realmente está acontecendo e também para não deixar que as denúncias caiam no esquecimento”, afirmou.

O ato terminou por volta do meio dia com as falas dos líderes de cada entidade participante.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.cutpr.org.br.

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Carta dos Movimentos Sociais aos paranaenses e seus supostos representantes

A cada ano as denúncias de corrupção nos governos se repetem: as prefeituras, câmaras municipais e Assembleia Legislativa não cumprem a função de representação do povo, pelo contrário, lesam a população. O dinheiro desviado faz falta para setores estratégicos e necessários à sociedade, como a saúde, educação pública, habitação popular, transporte coletivo e reforma agrária.

Durante as últimas semanas uma série de denúncias trouxe à tona uma notícia que não é surpresa para ninguém: o mau uso do dinheiro público na Assembleia Legislativa do Paraná. A existência de mais de 600 funcionários fantasmas foi comprovada. No entanto, não foi novidade nenhuma para quem acompanha, ainda que pouco, a política paranaense. As primeiras denúncias de contratações irregulares surgiram nas eleições de 2008. A denúncia era vinculada ao prefeito Beto Richa, que durante anos empregou a sogra do seu chefe de gabinete na Assembleia Legislativa.

Os movimentos sociais já deram a primeira resposta para a crise de corrupção que envolve a Assembleia há anos. As mobilizações já realizadas reivindicaram um novo modelo de representação pública necessário. Mesmo assim, nenhuma resposta satisfatória sobre o caso foi dada por parte dos parlamentares.

Portanto, os movimentos sociais exigem que o Ministério Público do Paraná, Tribunal de Contas do Estado e a Política Federam cumpram com suas funções de fiscalização, apurando e julgando os fatos denunciados.

Também exigimos uma auditoria pública independente, sem qualquer interferência dos parlamentares, com participação de representantes da sociedade civil organizada, a fim de investigar a fundo as contas da Alep dos últimos anos, sobretudo nas gestões de Aníbal Kuri, Hermas Brandão e Nelson Justus.

Os movimentos sociais reivindicam o imediato afastamento da Mesa Diretora da Assembleia, pois os membros que a compõem já tiveram a oportunidade de promover a investigação e até o momento nada foi resolvido.

Apenas o afastamento dos funcionários fantasmas não basta! É necessária a exoneração de todos esses falsos empregados e diretores envolvidos. A cassação dos mandatos dos parlamentares que participaram dessa rede de corrupção é uma ação que toda a sociedade paranaense exige, a fim de que a moralidade finalmente impere na Casa de Leis. A devolução de todo o dinheiro desviado dos cofres públicos também faz parte do rol de reivindicações dos movimentos sociais.

Diante desta repudiável onda de corrupção na qual a Alep está envolvida, a sociedade civil organizada quer a realização de uma Audiência Pública, a ser realizada até o final do mês de abril, para a devida prestação de informações do Ministério Público, Tribunal de Contas e Polícia Federal sobre o andamento das investigações.

Os movimentos sociais conclamam todos os paranaenses que ainda não se engajaram nesta luta a participarem da construção do Fórum Paranaense pela Reforma Política Popular. Sem a organização da sociedade, a continuação dos atos de corrupção é iminente. É preciso cortas o mal pela raiz! O sistema eleitoral privilegia a classe dominante, os esquemas eleitorais e as campanhas milionárias. O atual modelo de democracia representativa está falido! Todos esses casos envolvendo a política paranaense comprovam a necessidade de uma profunda reforma no sistema.

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