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Assessor da Contraf-CUT defende regulamentação do sistema financeiro

O primeiro painel da 12ª Conferência Estadual dos Trabalhadores e das Trabalhadoras em Instituições Financeiras do Rio Grande do Sul, realizado no último sábado, dia 26, em Porto Alegre, debateu a Conjuntura Econômica e o Sistema Financeiro. O economista, professor da PUC-SP e assessor da Contraf-CUT, Carlos Eduardo Carvalho, levantou questões sobre o atual panorama econômico mundial e nacional, realizando paralelos com a campanha salarial que os bancários irão enfrentar nos próximos meses. Ele defendeu a regulamentação do sistema financeiro.

O painelista, que já foi bancário no início dos anos 80, traçou um quadro da economia e do sistema financeiro bancário internacional. Segundo ele, a época atual pode ser definida como o “rescaldo da crise”.

“Aquele incêndio que começou exatamente em setembro de 2008 já está controlado, mas é inegável que existe o risco de retorno. O abalo recente da economia européia, com a situação vivida pela Grécia, prova isto”, disse o economista, que completou afirmando que a crise grega pode trazer conseqüências para os bancos.

Ainda sobre a crise, Carvalho levantou duas questões, que para ele são discutidas de maneira diferente. A mais abordada é sobre o endividamento público causado pela recessão. O tema menos debatido, mas igualmente importante, é a pressão pública para responsabilizar os bancos pela situação de crise e a proposta de regulamentação do sistema financeiro.

“Esta crise prova que o sistema financeiro sem regulamentação é extremamente perigoso para a sociedade. Na Europa existe um forte clamor para que as instituições financeiras sejam responsabilizadas pela depressão. Foram realizadas alterações drásticas nos regulamentos bancários, pelo Banco Central Europeu. Além disso, os bancos podem ser obrigados a pagar pela crise, literalmente, através de impostos especiais sobre as instituições”, afirmou o economista.

Já no Brasil, a situação é diferente, segundo Carlos Eduardo. “Os bancos consideram o nosso país um paraíso. Temos um sistema financeiro regulamentado a favor das instituições. O Banco Central brasileiro está sempre disposto a repelir as dificuldades encontradas pelos bancos. Foi assim na crise, quando o BC contribuiu com concessão de créditos para os gigantes e manteve o Brasil estável durante a crise”, ressaltou.

“No Brasil os bancos são protegidos, o que colabora para que gigantes como Santander sejam salvos pelos lucros astronômicos obtidos aqui, mesmo que na Europa os resultados sejam perigosos”, finalizou o economista.

Fonte: Contraf-CUT com Fetrafi-RS.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.contrafcut.org.br.

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Brasil diverge de Estados Unidos e União Europeia no G20 e diz não à taxação de bancos

Toronto (Canadá) – Determinado a ampliar o espaço nas discussões econômicas mundiais, o Brasil assumirá hoje (27), no encerramento da reunião de cúpula do G20 (grupo que reúne os países mais ricos e alguns em desenvolvimento), opiniões divergentes das defendidas por Estados Unidos e União Europeia. Como os norte-americanos, o governo brasileiro prega que a crise econômica seja combatida com corte de gastos, desde que não se restrinjam as medidas de estímulo à retomada do crescimento. Ao contrário de Estados Unidos e Europa, o Brasil não quer a taxação dos bancos e espera a reformulação do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Representando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos debates, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, criticou ontem (26) duramente a possibilidade de os países ricos adotarem medidas que prejudiquem os emergentes, com restrições às relações comerciais. “Eu concordo em reduzir superávits, mas não aceito que os países tenham déficit em transações correntes”, disse ele.

Segundo o ministro, é possível consolidar o setor financeiro com corte de gastos públicos e adoção de políticas de estímulo ao consumo. De acordo com Mantega, o Brasil é “bastante assertivo” nesta defesa e não aceita recuos. “Em relação a este aspecto, os Estados Unidos estão numa posição semelhante a dos países emergentes”, disse.

Para o ministro, é fundamental ainda aprovar um calendário definindo prazos para a reforma do sistema financeiro internacional. De acordo com o governo brasileiro, há um desequilíbrio entre o que o Brasil representa e o poder de voto que tem no Fundo Monetário Internacional (FMI). Uma das alternativas é que a reforma no FMI siga o modelo adotado pelo Banco Mundial que, pelas novas regras, dá aos emergentes um aumento de 3,13 pontos percentuais no poder de voto, totalizando 47,19%.

No entanto, Mantega admitiu que a reforma em si deve demorar para ser executada. De acordo com o ministro, deve levar, pelo menos, dois anos até a conclusão das eventuais mudanças na regulação do sistema. Mas a disposição deve ser definida hoje e confirmada em novembro, em uma nova rodada de negociações.

Na declaração final que será divulgada hoje, o G20 deverá recomendar a taxação dos bancos, mas nenhum dos países do grupo é obrigado a seguir. O Brasil integra a ala dos países contrários à medida.

Mantega disse que a proposta não corresponde às necessidades brasileiras porque, anteriormente, já foram adotadas medidas neste sentido, como a Contribuição sobre o Lucro Líquido (CSLL) e o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). “Além disso, os bancos brasileiros não apresentaram problemas. Não cabe uma taxa única para o setor”, afirmou.

Por Renata Giraldi – Enviada Especial. Edição: Vinicius Doria.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.agenciabrasil.gov.br.

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