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Financial Times: Dark Horse é “comédia de erros” e tem aprovação de Bannon

O jornal britânico Financial Times publicou nesta segunda-feira (25) uma análise em que classifica a cinebiografia Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, como uma “comédia de erros”: o projeto, concebido como peça de propaganda para o movimento conservador internacional, tornou-se um passivo político para o senador Flávio Bolsonaro após revelações de que ele negociou o financiamento do filme com Daniel Vorcaro.

O desgaste internacional

A expressão escolhida pelo Financial Times não deixa margem para interpretação: “antes mesmo de seu lançamento, a cinebiografia em inglês sobre Jair Bolsonaro está se transformando em uma comédia de erros”, escreveu o jornal.

A classificação resume o efeito acumulado de um escândalo que, segundo o FT, abalou a imagem de Flávio Bolsonaro no exato momento em que aliados o projetavam como herdeiro político do pai.

O jornal britânico destaca que a crise em torno do Dark Horse levanta dúvidas concretas sobre a viabilidade eleitoral do senador.

Um das fontes ouvidas pelo FT, contudo, apoiou a movimentação: o ex-estrategista da Casa Branca Steve Bannon — que chegou a defender Eduardo Bolsonaro presidente no ano passado — afirmou ao Financial Times que pretende promover o Dark Horse nos Estados Unidos, argumentando que a presença do ator Jim Caviezel no elenco seria um trunfo junto ao público do movimento MAGA.

“Se você está no Brasil e ouve falar que estão fazendo um filme sobre o seu ex-presidente, com uma grande estrela de Hollywood no elenco, esse tipo de coisa multiplica o investimento em termos de alcance. É muito melhor do que fazer comerciais de 30 segundos na TV”, declarou Bannon ao jornal.

A conexão financeira sob suspeita

O centro da crise está na articulação direta de Flávio Bolsonaro que captou recursos junto a Daniel Vorcaro. Segundo reportagem publicada pelo The Intercept Brasil em 13 de maio, o senador negociou um aporte de US$ 24 milhões, equivalentes a cerca de R$ 134 milhões na cotação da época, destinados à produção do longa. De fevereiro a maio deste ano, R$ 61 milhões já teriam sido transferidos ao fundo Havengate, sediado no Texas e ligado a aliados de Eduardo Bolsonaro, de acordo com as mesmas apurações.

As mensagens divulgadas pelo Intercept mostram o senador tratando Vorcaro como “irmão” e cobrando a continuidade dos pagamentos. Em um dos trechos, Flávio afirma: “Estou e estarei contigo sempre.” Os áudios revelam ainda o senador atuando como operador direto do negócio, chegando a oferecer jantares exclusivos com Jim Caviezel para manter o banqueiro “fisgado” no acordo.

O contexto em que esses recursos foram captados agrava o quadro. Vorcaro foi preso em novembro de 2025 sob acusação de fraude ao Fundo Garantidor de Crédito, e o Banco Master foi liquidado pelo Banco Central. O Financial Times descreve o banqueiro como alguém que cultivava “contatos de alto nível em importantes instituições enquanto ostentava um estilo de vida luxuoso”. O dinheiro, claro, vinha de fundos de pensão de funcionários públicos e papéis podres em negociatas esquisitas de prefeituras e governos de extrema-direita.

Texto: Yuri Ferreira

Fonte: Revista Fórum

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