O jornalista Luiz Nassif publicou, em sua página na internet, nesta sexta-feira, a demissão por razões políticas de mais um funcionário da TV Cultura.
Segundo Nassif, “há uma semana, Gabriel Priolli foi indicado diretor de jornalismo da emissora estatal. Na véspera, planejou uma matéria sobre os pedágios paulistas. Foram ouvidos Geraldo Alckmin e Aloízio Mercadante, candidatos ao governo do Estado. Tentou-se ouvir a Secretaria dos Transportes, que não quis dar entrevistas. O jornalismo pediu ao menos uma nota oficial. Acabaram não se pronunciando”.
Ainda segundo o jornalista, “sete horas da noite, o novo vice-presidente de conteúdo da TV Cultura, Fernando Vieira de Mello, chamou Priolli em sua sala. Na volta, Priolli informou que a matéria teria que ser derrubada. Tiveram que improvisar uma matéria anódina sobre as viagens dos candidatos”. Priolli foi demitido do cargo na tarde desta quinta-feira.
“Não durou uma semana”, constata Nassif.
Semana passada foi Heródoto Barbeiro, demitido do cargo de apresentador do Roda Viva devido às perguntas sobre pedágio feitas ao candidato José Serra.
“Para quem ainda têm dúvidas: a maior ameaça à liberdade de imprensa que esse país jamais enfrentou, nas últimas décadas, seria se, por desgraça, Serra juntasse ao poder de mídia, que já tem, o poder de Estado”, conclui.
9/7/2010 17:11, Redação, de São Paulo.
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Serra se irrita com pergunta sobre pedágio, em programa de TV
Candidato à presidência pelo PSDB afirma que aperfeiçoou modelo de concessão de rodovias paulistas, que chegou a 227 praças de pedágio em todo o estado
São Paulo – Durante entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, o candidato à Presidência da República pelo PSDB, José Serra, voltou a demonstrar irritação com jornalistas.
Desta vez, Serra se exaltou com uma pergunta do jornalista Heródoto Barbeiro da TV Cultura, sobre o alto valor dos pedágios de São Paulo. “Como o estado poderia prestar serviço não cobrando pedágios tão caros como são cobrados no estado de São Paulo?
A gente viaja por aí e as pessoas reclamam que para ir de uma localidade à outra custa R$ 8,80”, questionou o jornalista.
Serra classificou a pergunta de Barbeiro de discurso petista. “Você tá transmitindo o que o PT vive dizendo”, acusou. O candidato explicou que o modelo de privatização de rodovias de São Paulo passou por mudanças em seu governo. “Nós mudamos o modelo de concessões e os pedágios baixaram em relação aos elementos anteriores”, afirmou o tucano, em relação à rodovia Ayrton Senna.
Serra e Barbeiro chegaram a discutir se o pedágio de mais de R$ 7 na rodovia Ayrton Senna, cobrado antes de 2009 pelo próprio estado, seria caro ou barato.
“Caríssimo”, classificou Barbeiro.
“Não era caro não”, retrucou o ex-governador de São Paulo.
O presidenciável limitou-se a defender as mudanças no contrato da rodovia Ayrton Senna, sem responder à pergunta de Barbeiro, sobre as demais estradas em que o número de pedágios aumentou, como nas rodovias Castelo Branco e Marechal Rondon. Mas acrescentou que o modelo de privatização de rodovias de São Paulo, passou por aperfeiçoamento em seu mandato. “Nós temos um modelo, eu aperfeiçoei o modelo. Nós fizemos 6 concessões e o estado arrecadou R$ 5,5 bilhões que investe em estradas”, informou o tucano.
Ao final da discussão, Serra classificou as indagações do jornalista de “trololó petista” e condenou Barbeiro por não apresentar resultados do governo tucano em São Paulo. “Essas perguntas têm sempre de vir acompanhadas de resultados”, exigiu o tucano.
Mobilizações antipedágio
O “Movimento estadual contra os pedágios abusivos do estado de São Paulo” realiza mobilizações e atos, em várias cidades, contra os pedágios que sofrem aumento no dia 1º de julho. “Basta ter uma praça de pedágio, para ter uma insatisfação”, afirma José Matos, coordenador do movimento.
Por: Suzana Vier, Rede Brasil Atual. Publicado em 22/06/2010, 17:15. Última atualização em 23/06/2010, 08:30.
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