CUT responde a José Serra
Candidato demonstra mais uma vez desequilíbrio. Que ele saiba pelo menos administrar o seguro-desemprego dele
As declarações de José Serra a respeito da CUT demonstram, mais uma vez, o desequilíbrio do candidato e não combinam com o cargo que, em sua vã pretensão, causa-lhe devaneios.
Acusações tolas, deselegantes, pronunciadas na sede de uma outra central.
A CUT vai continuar independente, de luta, de massa, – algo que o PSDB jamais foi e jamais será – e tem orgulho de reafirmar seu compromisso com as mudanças, das quais somos uma das protagonistas.
Esperamos que o candidato, no futuro próximo, saiba administrar de maneira eficiente pelo menos o seu seguro-desemprego, que ele diz falsamente ser sua criação.
Artur Henrique, presidente nacional da CUT
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.cut.org.br.
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Serra classifica sindicalistas de profissionais da mentira
Candidato tucano criticou o governo Lula e exaltou educação de São Paulo. Aldo Rebelo, representando Dilma, e Marina Silva, evitaram troca de críticas. A CUT respondeu.
São Paulo – O candidato à Presidência pelo PSDB, José Serra, afirmou a uma plateia de sindicalistas na tarde desta quarta-feira (14) que as centrais sindicais que o acusaram de atribuir a si a criação do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) são “profissionais da mentira”.
“Nessa campanha se criou uma nova profissão, que são os profissionais da mentira.” A afirmação foi feita durante a entrega da Agenda Democrática de Desenvolvimento Sustentável da UGT (União Geral dos Trabalhadores) aos candidatos à Presidência da República, na capital paulista. A central foi a única a não participar da Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), realizada em junho, também em São Paulo. Na oportunidade estiveram reunidas CUT, Força Sindical, NCST, CGTB e CTB.
Além de Serra, a candidata Marina Silva (PV) também esteve no evento. Já Dilma Rousseff, do PT, foi representada pelo deputado federal Aldo Rebelo (PC do B).
Trololó
Serra voltou a afirmar que um projeto de lei de sua autoria fazia referência ao FAT. Mas admitiu que quem criou o fundo foi a Constituinte.
Na linha do foi o Serra que fez, ele também afirmou que praticamente implantou o Plano de Saúde da Família (PSF), foi o responsável pela vinculação dos recursos do PIS/Pasep ao seguro-desemprego, o uso do FAT para qualificação profissional e que teria dado inicio ao Pronaf.
Chamando os anfitriões de companheiros, o tucano ofereceu aos sindicalistas um “Manual de Direitos do Trabalhador”, que ele teria elaborado na década de 1980. “Se vocês quiserem podem usar e tirar a autoria, eu empresto”, ironizou.
Acompanhado pelo candidato ao governo do estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, de deputados tucanos, do PPS e do DEM, José Serra falou pouco da agenda apresentada pela UGT e se concentrou em criticar ações do governo Lula e ressaltar programas de São Paulo.
Entre as críticas, o tucano disse que acha “graça” da política industrial do governo Lula. Também voltou a comentar o excessivo gasto com transporte no país para levar soja ao porto de Paranaguá. “Gasta-se tanto em transporte aqui dentro quanto para mandar produtos para a China”, enfatizou. Na plateia, o comentário causou alguns protestos e lembranças sobre os pedágios de São Paulo. “E o pedágio, Serra?”, citavam alguns ouvintes.
Concessões
Evitando falar em privatizações, o presidenciável ressaltou a importância de fazer a concessão dos aeroportos. “Bastava ter feito a concessão”, afirmou.
Para Serra, a educação de São Paulo deve inspirar programas nacionais e citou a criação de bolsas para ensino técnico em escolas particulares, o Protec.
Serra também se disse agitador na adolescência, espontâneo, elogiou a UGT e encerrou afirmando que entidade sindical tem de ser independente, fazer greve quando for o caso e tem que lutar, porque político só se mexe com pressão. E ainda emendou uma crítica ao PSOL: “Os deputados do PSOL são ardidíssimos”.
Por: Suzana Vier, Rede Brasil Atual. Publicado em 14/07/2010, 18:50. Última atualização em 15/07/2010, 12:37.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.redebrasilatual.com.br.
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Serra precisa de amigos
Não deixa de ser curioso ouvir essa expressão, “república sindicalista”, vinda da boca de quem, naquele mesmo ano do golpe, colocava-se ao lado do presidente João Goulart contra os golpistas que se aninhavam nos quartéis com o mesmíssimo pretexto, levantado agora pelo candidato do PSDB, para amedrontar a classe média. Ao se encarcerar nesse conceito político arcaico, preconceituoso e, sobretudo, falacioso, Serra completou o longo arco de aproximação com a extrema-direita brasileira, iniciado ao lado de Fernando Henrique Cardoso, nos anos 1990. O artigo é de Leandro Fortes.
Ao acusar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ter transformado o Brasil em uma “república sindicalista”, José Serra optou por agregar a seu modelito eleitoral, definitivamente, o discurso udenista de origem, de forma literal, da maneira como foi concebido pelas elites brasileiras antes do golpe militar de 1964. Não deixa de ser curioso ouvir essa expressão, “república sindicalista”, vinda da boca de quem, naquele mesmo ano do golpe, colocava-se ao lado do presidente João Goulart contra os golpistas que se aninhavam nos quartéis com o mesmíssimo pretexto, levantado agora pelo candidato do PSDB, para amedrontar a classe média. Jango, dizia a UDN, macaqueavam os generais, havia feito do Brasil uma “república sindicalista”.
Ao se encarcerar nesse conceito político arcaico, preconceituoso e, sobretudo, falacioso, Serra completou o longo arco de aproximação com a extrema-direita brasileira, iniciado ao lado de Fernando Henrique Cardoso, nos anos 1990. Um casamento celebrado sob as cinzas de seu passado e de sua história, um funeral político que começou a ser conduzido sob a nebulosa aliança de interesses privatistas e conveniências fisiológicas pelo PFL de Antonio Carlos Magalhães, hoje, DEM, de figuras menores, minúsculas, como o vice que lhe enfiaram goela abaixo, o deputado Índio “multa-esmolé” da Costa.
Pior que o conceito, só a audiência especialmente convidada, talvez os amigos que lhe restaram, artistas e intelectuais arrebanhados às pressas para ouvir de Serra seus planos para a cultura brasileira: Carlos Vereza, Rosa Maria Murtinho, Maitê Proença, Zelito Viana, Ferreira Gullar e Marcelo Madureira – este último, raro exemplar de humorista de direita, palestrante eventual do Instituto Millennium, a sociedade acadêmica da neo UDN. Faltou Regina Duarte, a apavoradinha do Brasil, ausente, talvez, por se sentir bem representada. Diante de tão seleta platéia, talvez porque lhe faltem idéias para o setor, Serra destilou fel puro contra as ações culturais do governo Lula, sobretudo aquelas levadas a cabo pela Petrobras, a mesma empresa que os tucanos um dia pretenderam privatizar com o nome de Petrobrax.
Animado com o discurso de Serra, o humorista Madureira saiu-se c om essa: “Quero que o Estado não se meta na cultura e no meu trabalho, como está acontecendo”. Madureira trabalha na TV Globo, no “Casseta & Planeta Urgente”. Como o Estado está se metendo no trabalho dele, ainda é um mistério para todos nós. Mas, a julgar pela falta de graça absoluta do programa em questão, eu imagino que deva ser uma ação do Ministério da Defesa.
O que José Serra não confessou a seus amigos artistas é que a “república sindicalista” saiu-lhe da boca por despeito e vingança, depois que as maiores centrais sindicais do país (CUT, CGT, CTB, CGTB, Força Sindical e Nova Central) divulgaram um manifesto conjunto no qual acusam o candidato tucano de mentiroso por tentar se apropriar da criação do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e por “tirar do papel”, seja lá o que isso signifique, o Seguro-Desemprego. “Serra não fez nenhuma coisa, nem outra”, esclareceram as centrais.
O manifesto também lembra que, na Assembléia Nacional Constituinte (1987-1988), o então deputado federal José Serra boicotou inúmeros avanços para os trabalhadores e o sindicalismo. Serra votou contra a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, a garantia de aumento real do salário mínimo, a estabilidade do dirige nte sindical, o direito à greve, entre outras medidas.
Desmascarado, Serra partiu para a tese da “república sindicalista” e, apoiado em apenas uma central que lhe deu acolhida, a União Geral dos Trabalhadores (UGT), chamou todas as outras de “pelegas” e as acusou de receber dinheiro do governo federal para fazer campanha para a candidata Dilma Rousseff, do PT. Baseado nesse marketing primário, ditado unicamente pelo desespero, Serra mal tem conseguido manter firmes seus badalados nervos de aço, que logo viram frangalhos quando defrontados por repórteres dispostos a fazer perguntas que lhe são politicamente inconvenientes, sejam os pedágios de São Paulo, seja sua falta de popularidade no Nordeste.
Sem amigos e, ao que parece, sem assessores, Serra continua recorrendo ao tolo expediente de bater boca com os jornalistas. Continua, incrivelmente, a fugir das perguntas com outras perguntas, a construir na internet, nos blogs, no youtube e nas redes sociais virtuais uma imagem permanente de candidato à deriva, protagonista de vídeos muitíssimo mais divertidos que, por exemplo, as piadas insossas que seu companheiro de artes cômicas, Marcelo Madureira, insiste em contar na televisão.
Por Leandro Fortes – Brasília, eu vi. Do blog Brasília, eu vi (http://brasiliaeuvi.wordpress.com/)
ARTIGO COLHIDO NO SÍTIO www.cartamaior.com.br.