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CUT desafia PSDB para o debate público

A mentira tem perna curta, diz Quintino Severo, secretário-geral da CUT, em artigo que critica a projeto neoliberal demotucano

No dia 09 de julho de 2010, a CUT, a Força Sindical, a CTB, a Nova Central e a CGTB, assinaram um documento intitulado “Serra: impostura e golpe contra os trabalhadores”. Neste documento (pode ser lido aqui), as centrais sindicais demonstraram que o FAT e o seguro-desemprego não foram criados pelo candidato Serra. Mais do que isso, Serra nunca esteve junto com a classe trabalhadora e suas ações sempre foram no sentido de subtrair direitos.

Se a mentira de Serra tem perna curta, nossa memória tem alcance longo. Não podemos esquecer de maneira alguma o que foram os oito anos de desgoverno tucano caracterizado pela expansão do desemprego e precarização do trabalho, baixo crescimento econômico, alto endividamento, enfraquecimento do papel do estado e pauperização das políticas públicas, manutenção da pobreza e crescimento das desigualdades sociais

Os tucanos tentaram flexibilizar o artigo 618 da CLT, ameaçando direitos consagrados dos trabalhadores como férias, décimo terceiro e licença maternidade, além de atacar o poder de negociação dos sindicatos. Não conseguiram graças a mobilização da militância cutista que saiu às ruas para defender os direitos da classe trabalhadora brasileira.

Com FHC, a taxa média de crescimento da economia brasileira foi a pior da história, em torno de 2,4%. Pior até mesmo que a taxa média da chamada década perdida, os anos 80, que girou em torno de 3,2%. No período, o patrimônio público representado pelas grandes estatais foi liquidado com privatizações escandalosas.

O BNDES, ao invés de financiar o desenvolvimento, foi utilizado para entregar nossas empresas ao capital externo. Mesmo com as privatizações, a dívida interna saltou de R$ 60 bilhões para impensáveis R$ 630 bilhões, enquanto a dívida externa teve seu valor dobrado. O sistema financeiro foi beneficiado com a farra do Proer. A Petrobrás foi sucateada e quase também privatizada, o FAT foi alvo de uma série de denúncias de desvios de recursos e a imprevidência do governo FHC e das empresas do setor elétrico gerou o apagão.

Estes são alguns exemplos do que significou o desgoverno tucano que quase quebrou o Brasil e que enfrentaram a firme resistência da CUT e dos movimentos populares. E foram estas políticas neoliberais que levaram a militância cutista a definir seu apoio ao então candidato Luiz Inácio Lula da Silva.

Agora, o candidato demotucano Serra continua a não entender que a CUT nunca mudou de lado. Não aceitamos o retrocesso expresso em sua candidatura, nem a criminalização dos movimentos sociais, a subserviência ao capital internacional, as privatizações, o ataque aos direitos dos trabalhadores, a flexibilização e a precarização das relações de trabalho.

A militância cutista que aprovou a nossa “Plataforma da CUT para as Eleições de 2010” defende que a disputa de projetos colocada signifique a garantia da continuidade e aprofundamento das políticas que contemplam nossa concepção democrática e socialista, sem permitir em hipótese alguma o retrocesso.

A CUT sempre irá denunciar quem ataca os direitos trabalhistas, como também quem busca confundir a opinião pública apresentando-se mentirosamente como autor de projetos de interesse da classe trabalhadora. Não aceitamos o arrocho salarial imposto ao funcionalismo pelos governos tucanos, sua recusa em negociar e seus métodos ditatoriais de repressão às manifestações, como recentemente aconteceu na greve dos professores, liderados pela Apeoesp, e nas mobilizações dos policiais civis.

Mas, ao contrário da tradicional arrogância tucana, do destempero e do despreparo do candidato Serra que ataca a CUT e se esconde na grande mídia, queremos o debate. Em primeiro lugar, solicitaremos por carta que os veículos de comunicação cedam à CUT o mesmo espaço dado ao candidato tucano em seu momento de destempero contra nós.

E, propomos ao candidato Serra e ao PSDB a organização de um debate público entre o presidente tucano, o senador Sérgio Guerra, e o presidente nacional da CUT, Artur Henrique. Na pauta, os direitos trabalhistas e os projetos de interesses dos trabalhadores, a valorização do trabalho, a distribuição de renda e a inclusão social, o estado democrático com participação popular.

Alguém tem medo do debate?

Quintino Severo, metalúrgico, secretário-geral da CUT

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.cut.org.br.

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Para socióloga, Serra segue política de factoides

Ao relacionar centrais sindicais a “profissionais da mentira”, o candidato foge de debate real acerca do papel da mobilização em torno dos trabalhadores

São Paulo – As recentes acusações de José Serra, candidato do PSDB à Presidência, contra as centrais sindicais refletem a cultura política brasileira de encobrir a falta de propostas com factoides. A avaliação é da professora de Sociologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Loriza Lacerda.

“O processo eleitoral no Brasil se notabiliza por uma coisa muito chamativa. Como não tem proposta, não tem muito o que apresentar ou não há a possibilidade de superação das dificuldades, vem a construção dos factoides”, analisa a docente.

Loriza acredita que ao relacionar as centrais sindicais a “profissionais da mentira”, o candidato não age em virtude de “uma reflexão profunda acerca das centrais”. O pronunciamento de Serra seria mais uma estratégia política para testar o peso de cada tema.

“Acho que é muito mais uma postura de ir fazendo balões de ensaio para perceber o que seria interessante trabalhar ao longo desse período, uma vez que as propostas são muito pontuais e repetitivas, muito pouco inovadoras. Mais que tudo, pouco corajosas”, aponta.

A pesquisadora continua sua avaliação dizendo que “[a afirmação sobre as centrais] pareceu-lhe significativa, mas isso cai por terra no instante que ele tiver uma outra frase de efeito, outra provocação a fazer ou responder e aí ele vai dando seus pequenos tiros”, prevê a docente. Ela lembra que criar factoides, acusações e “perrengues” é uma prática comum na sociedade brasileira.

A essa política de perrengues, Loriza soma o perfil do candidato tucano de mudar de ideia e discurso com facilidade e causar confusão para os eleitores sobre o que ele realmente defende ou acredita. “Serra tem uma capacidade imensa de transformação e adaptação. Ele é um camaleão que quer garantir a continuidade a projetos que estão postos”, conceitua.
Simbolismo

Já a doutora em Sociologia Maria Antonia Vieira Soares ressalta que há outro aspecto envolvido na troca de acusações de Serra com as centrais. “Talvez ele nem tenha isso com clareza, mas há uma questão simbólica. O Lula começou como sindicalista”, lembra a professora da Unesp.

“A luta de Serra é contra o Lula, não é contra a Dilma. É contra a projeção do Lula, da grande aceitação dele, da avaliação altamente positiva do Lula. Ele está na defensiva”, avalia.

Por: Suzana Vier, Rede Brasil Atual. Publicado em 15/07/2010, 19:55. Última atualização em 16/07/2010, 16:54

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.redebrasilatual.com.br.

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