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Agrocombustíveis podem abastecer frota de 15 milhões de automóveis

Prioridade para o setor energético pode inviabilizar a produção de alimentos

Dentro de três anos, a frota brasileira de automóveis movidos a etanol e biodiesel chegará a 15 milhões de unidades. Essa projeção, da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), aumentou a demanda por fontes renováveis e colocou a matriz energética brasileira no centro das discussões do governo, investidores e movimentos sociais. Com isso, o Plano Estratégico da Petrobras estabeleceu uma meta de produção anual de 640 milhões de litros de biodiesel e 3,9 bilhões de litros de etanol para o ano de 2013.

Porém, José Cláudio da Silva, integrante da Via Campesina, alerta para os riscos de se investir nos agrocombustíveis, sem levar em consideração um outro setor estratégico, a produção de alimentos. “A discussão dos processos de geração de energia deve estar atrelada, sobretudo, à soberania e à segurança alimentar. A produção da cana e da mamona não pode ser mais importante que a do feijão. Da mesma maneira, os projetos das grandes hidrelétricas devem pensar naquela população que está ali em volta, nos camponeses, na produção agrícola e na biodiversidade. Se não for pensado dessa maneira, continuaremos gerando mais impactos sociais”, analisa.

Devido ao alto teor de óleo e à capacidade de se desenvolver em regiões secas, a mamona é uma das principais matérias-primas utilizadas na produção do biodiesel. Uma linha de financiamento criada a partir de uma parceria entre a Petrobras e o Banco do Brasil destinará recursos para a expansão dessa oleaginosa. A projeção de crescimento da área plantada, feita pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), é de 21% para este ano. Os repasses se darão por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

Mercado mundial

Os agrocombustíveis já respondem por 10% do mercado mundial de energia. Anualmente, são utilizados um volume aproximado de 60 bilhões de litros. No Brasil, cerca de 45% da energia e 18% dos combustíveis consumidos são renováveis. Os dois principais combustíveis extraídos de produtos agrícolas no Brasil são o etanol, da cana-de-açúcar, e o biodiesel, que é produzido a partir de óleos vegetais ou de gorduras animais e adicionado ao diesel de petróleo. A soja representa 75% da produção voltada para o setor.

Sendo considerado o responsável por muitas das principais tensões no atual cenário geopolítico internacional, o petróleo é encarado como uma fonte energética que caminha para o esgotamento e que precisa ser substituída por alternativas menos prejudiciais ao meio ambiente. Em visita ao Brasil em 2007, o então presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, assinou um acordo com o governo brasileiro que prevê a padronização da produção de etanol, buscando atender parte da demanda mundial.

José Cláudio acredita que a discussão da matriz energética é indissociável do modelo de desenvolvimento econômico. “A produção de energia a partir de hidrelétricas, por exemplo, é pensada para atender às necessidades dos grandes grupos, como é o caso do Grupo Votorantin, na região Norte”, avalia.

Reginaldo Pacheco de Castro, professor de Geografia da rede estadual de Goiás, acrescenta que o atual modelo de desenvolvimento econômico demanda uma capacidade de geração de energia incompatível com as reservas naturais. “O padrão de consumo nas cidades é insustentável. Isso exige uma superexploração, que esgota a capacidade produtiva do solo. Precisamos refletir, também, até que ponto a monocultura voltada para a produção de energia pode beneficiar os agricultores”, afirma.

Agricultura familiar

Até 2013, a Petrobras deverá investir 2,4 bilhões de dólares na produção de biodiesel e etanol. A Zona da Mata, na região Nordeste, é um dos principais focos. Apenas em 2009, os negócios envolvendo a comercialização e processamento da mamona movimentaram R$ 27 milhões. De acordo com o MDA, 41 mil famílias de assentamentos estiveram envolvidas na produção. Uma área de 155 mil hectares foi destinada para as lavouras de oleaginosas na safra 2009/2010.

Para José Cláudio, os produtores da agricultura familiar devem assumir uma outra posição e sair da condição de fornecedores. “No Nordeste, a produção de mamona é voltada para empresas como a Brasil Ecodiesel. É incompatível você pensar em produzir mamona apenas para uma grande esmagadora, uma grande processadora. Poderíamos pensar em unidades de beneficiamento menores, que possibilitassem a utilização do combustível em máquinas do meio rural, como tratores, forrageiras e em casas de produção de farinha.”

O integrante da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) Francisnaldo Alves acredita que a produção agrícola com foco na energia deve ser pautada pela sustentabilidade. Para ele, existe uma relação entre a ação predatória do latifúndio com os desastres naturais, cada vez mais freqüentes e intensos. “Antes, era Zona da Mata. Hoje, é zona canavieira. A busca insana por fontes de energia provocou grandes impactos sociais e ambientais, como o êxodo rural e a ocupação dos mananciais de importantes rios. O resultado está aí: desastres ambientais, como as enchentes que destruíram cidades inteiras no nordeste brasileiro”, elucida.

Por Jorge Américo, enviado a Caruaru (PE) – Brasil de Fato. Texto: / Postado em 19/07/2010 ás 20:46.

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Agricultura familiar pode produzir biodiesel necessário para o Brasil

No Ceará, Petrobras Biocombustíveis reafirma prioridade em trabalhar com pequenos agricultores associados em cooperativas

Cerca de duzentas pessoas, entre representantes de cooperativas da agricultura familiar, comunidades de bairros e estudantes da Universidade Federal do Ceará (UFC), participaram de debate sobre agroenergia realizado em Fortaleza (CE), no dia 30 de junho. Com o tema “Matriz energética brasileira: suas potencialidades e desafios”, este foi o primeiro de uma série de cinco eventos promovidos pelo Brasil de Fato, em parceria com a Petrobras, para discutir a diversificação da matriz energética brasileira a partir de fontes limpas e sustentáveis, e organizar a agricultura familiar para a produção de agrocombustíveis no Brasil.

“É muito importante para um país não depender só de petróleo”, destacou o gerente de gestão tecnológica da Petrobras Biocombustíveis, João Noberto Noschang Neto, um dos palestrantes do seminário. “Nós estamos desenvolvendo tecnologia agrícola, melhorando as condições de cultivo e de sementes para macaúba, pinhão-manso… A fixação do agricultor no campo, com a geração de emprego e renda, não é um problema só nosso, mas do mundo todo, e os biocombustíveis têm essa função social”, afirmou.

O biodiesel é alternativa para substituir os derivados do petróleo na produção de energia e pode ser refinado a partir da soja, mamona, girassol, macaúba, dendê, entre outras espécies. No Ceará, o programa de biodiesel tem incentivo do governo estadual, que dá ao agricultor R$ 200 por hectare plantado com oleaginosa consorciada com alimentos. Três mil e duzentos agricultores destinam parte do trabalho para esse tipo de produção depois de uma parceira entre a Petrobras Biocombustíveis e cooperativas da agricultura familiar.

“Estamos neste projeto por duas questões: primeiro porque estamos evitando a monocultura. A outra questão é que a produção de oleaginosa é uma forma de agregar renda ao produtor.”, explicou a representante dos movimentos sociais do campo e também palestrante do seminário, Antônia Ivoneide da Silva, da Via Campesina. “Mas não iremos substituir a produção de comida pela de oleaginosa para atender a demanda. Todos os pés de mamona, girassol ou algodão que nós plantamos foram consorciados com alimentos. Se não for assim, não serve para a agricultura familiar”.

Cadeia produtiva

Priorizar a plantação de alimentos não significa descartar a agricultura familiar da cadeia produtiva de agrocombustíveis. Dados da Petrobras Biocombustíveis confirmar que 75% do agrocombustível produzido no país tem origem no esmagamento da soja. Como são poucos os pequenos agricultores que conseguem trabalhar com esse grão no país, a principal fonte de óleo para o biodiesel não cria nenhum emprego a mais no campo.

Também não há garantias de que a renda oriunda da plantação de qualquer oleaginosa seja suficiente para a manutenção da família do pequeno produtor no campo. Isso porque 80% do custo do biodiesel está no processamento do óleo. Como cabe à agricultura familiar somente vender a semente para esmagamento, resta ao produtor rural uma mísera parte da renda gerada.

Segundo Norberto, a Petrobras Biocombustíveis estuda formas de esmagar a semente e retirar o óleo a partir das próprias cooperativas, o que agregaria mais valor ao produto e garantiria maior renda para quem trabalhou duro na plantação. “Estamos percebendo que existe muito que melhorar. Nunca se investiu na cadeia das oleaginosas como investimos atualmente, porque nunca houve tanta necessidade. Eu estive com o presidente Lula e ele pediu para que fizéssemos um balanço do Programa Nacional do Biodiesel pois confia que o biodiesel é a grande esperança para a geração de emprego e renda para o pequeno produtor no semi-árido”.

O desafio que se coloca é como diversificar as culturas de oleaginosas no país e, ao mesmo tempo, garantir que a produção de agrocombustível não fique sob controle das grandes empresas. Representantes da agricultura familiar, presentes no evento, reivindicaram o controle da cadeia produtiva, e disseram que estão dispostos a plantar, esmagar e produzir o óleo. “Quero saber como é possível aplicar essas técnicas na minha região que ainda não tem nada.”, indagou Neuber Josélio Amador, assentado no estado de Goiás.

Por Aline Scarso/Brasil de Fato, enviada a Fortaleza (CE). Texto: / Postado em 08/07/2010 ás 15:45

NOTÍCIAS COLHIDAS NO SÍTIO www.patrialatina.com.br.

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Encontro incentiva agricultura familiar

A Federação de Trabalhadores da Agricultura Familiar – Fetraf/Sul, disponibilizou uma equipe de profissionais para explicar a população as políticas públicas existentes voltadas a agricultura familiar. O evento ocorrido no sábado a tarde, na localidade de Encruzo, foi organizado pela Assintraf – Associação Institucional de Trabalhadores da Agricultura Familiar.

Embora ainda não seja o ideal, as notícias são boas. Ações como o Programa Nacional de Crédito Fundiário tem a preocupação de dar meios para que as famílias permaneçam no campo, tornando mais acessível e ágil a liberação de crédito para o plantio e aquisição de implementos agrícolas.

O tecnólogo em gestão ambiental e responsável pelas atividades técnicas e produtivas do grupo, Rafael Souza da Rosa, aponta que há muitas políticas públicas voltadas ao pequeno produtor, mas há também dificuldade destas informações chegarem às famílias rurais. Por isso a Fetraf está realizando encontros diretamente nas comunidades. “O crescimento demográfico é que faz com que ainda existam agricultores familiares, mas precisamos orientá-los. Vale a pena porque 75% da produção do Brasil vem da agricultura familiar”, diz Rafael.

O agricultor de Nova Fátima, Pedro Peruchi Costa, já tem feito em sua propriedade algo que é bastante indicado, a diversificação da produção. Ele e a mulher não se atem apenas a plantação de fumo, e tem opções como aipim, mandioca, feijão, batata-doce, moranga e produção de leite. Atrás de informação, participou da reunião pensando em crédito para a reforma da residência.

Joanita Suzelaine Benedet Pereira faz parte da coordenação da Assintraf, e percorreu dois caminhos na vida. Nascida no meio rural tentou a vida fora do campo, mas voltou. “O que faz o jovem sair da agricultura é a questão financeira. Existe dificuldade tanto em lidar com as produções que costumam ser anuais, como o fumo que trabalho, como para obter opções de investimentos e manutenção da propriedade. Por isso é preciso saber as linhas de crédito que se pode usar”, salienta.

Fonte: Correio do Sul. Por Luciane Bosenbecker – Imprensa Fetrafsul.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.fetrafsul.org.br.

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