Bancos travam avanços no combate ao assédio moral e às metas abusivas
Começaram mal as negociações da Campanha Nacional dos Bancários 2010. Na segunda rodada de negociações sobre saúde do trabalhador (o que inclui assédio moral e metas abusivas) e segurança bancária, realizada nesta quarta e quinta-feira em São Paulo, os bancos rejeitaram quase todas as reivindicações apresentadas pelo Comando Nacional dos Bancários.
As consultas realizadas pelos sindicatos e a pesquisa nacional encomendada pela Contraf-CUT revelaram que mais de 80% dos bancários consideram hoje o assédio moral e as metas abusivas os problemas mais graves que enfrentam nos locais de trabalho. A pesquisa sobre emprego na categoria desenvolvida pela Contraf-CUT e pelo Dieese também mostrou que a metade dos 18 mil bancários desligados dos bancos no primeiro semestre de 2010 foi por iniciativa dos próprios trabalhadores, fundamentalmente em razão da situação cada vez insuportável no trabalho provocada pelo assédio moral e pelas metas abusivas.
“Os bancários deixaram muito claro que, além do aumento de salário e de melhorias na PLR, a campanha nacional deste ano precisa avançar na direção de relações de trabalho mais humanas, o que passa necessariamente pelo combate ao assédio moral e pelo fim das metas abusivas”, afirma Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT e coordenador do Comando Nacional dos Bancários. “O resultado das primeiras rodadas de negociação foi ruim nesse sentido. Vamos intensificar a mobilização para pressionar os bancos a atenderem as reivindicações da categoria.”
Assédio moral
As negociações sobre assédio moral e metas abusivas, nessas primeiras rodadas, partiram dos resultados das discussões na mesa temática de saúde do trabalhador. Conquistada na campanha nacional do ano passado, esse fórum bipartite já realizou três reuniões este ano.
A discussão gira em torno da implantação de um programa de prevenção de conflitos no ambiente de trabalho, o que inclui a possibilidade de apuração de denúncias de assédio moral encaminhadas pelos sindicatos. O programa vem sendo debatido desde 2006, mas permanece com uma série de pendências em razão da intransigência dos bancos.
Metas abusivas
Os negociadores da Fenaban também rejeitaram as propostas dos bancários para acabar com as metas abusivas, entre elas o fim do ranking individual de vendas de produtos e o fim das metas para os caixas.
O Comando Nacional reafirmou aos representantes dos bancos que o problema a ser solucionado não é a existência de metas, mas a forma como essas metas são instituídas e cobradas dos trabalhadores, o que é o principal fator gerador do assédio moral e de adoecimento dos bancários.
Outras reivindicações de saúde
Os representantes dos banqueiros recusaram ainda uma série de outras reivindicações, como por exemplo a manutenção de salários e isonomia de direitos para quem está afastado por licença-saúde (cesta-alimentação, tíquete-refeição e PLR). Os bancos também negaram a concessão de abono de falta aos bancários com deficiência para o reparo de aparelhos que precisam usar.
Segurança bancária
A Fenaban negou o atendimento das principais reivindicações que tratam de segurança, como a proibição ao transporte de numerário e à guardas das chaves pelos bancários. Também negaram o adicional de risco de vida de 30% para quem trabalha em agências, postos e tesouraria e que está sendo conquistado pelos vigilantes em acordos coletivos e em votações de projetos no Congresso Nacional.
Os bancos se recusaram ainda a garantir medidas preventivas contra assaltos, como a colocação de portas giratórias em todas as agências e postos, câmeras de filmagem com monitoramento em tempo real e outros equipamentos. “Denunciamos a irresponsabilidade do Itaú Unibanco, que está retirando portas de segurança em cidades onde não existe legislação municipal que obriga sua instalação, e do Banco do Brasil, que está fazendo um projeto-piloto de retirada dessas portes em várias cidades do país”, destaca Carlos Cordeiro.
Em relação à assistência às vítimas de assaltos, seqüestros e extorsões, os bancos se limitaram a garantir atendimento médico ou psicológico no local da ocorrência. Não asseguraram tratamento psicológico, nem aceitaram o fechamento da agência ou posto no dia do assalto, muito menos o acompanhamento de um advogado do banco na identificação de suspeitos na polícia.
Os negociadores dos banqueiros aceitaram a emissão obrigatória do Boletim de Ocorrência (BO) na polícia para os casos de assaltos, consumados ou não, e seqüestros. Também concordaram em fornecer estatísticas semestrais de assaltos a bancos em âmbito nacional. Essas medidas haviam sido discutidas na Mesa Temática de Segurança Bancária.
“É preciso que os bancos avancem nas propostas para combater a insegurança e proteger a vida de bancários, vigilantes e clientes. No primeiro semestre deste ano, 11 pessoas foram mortas em assaltos envolvendo bancos. No mesmo período, os bancos foram multados em R$ 4,6 milhões pela Polícia Federal em razão do descumprimento das leis e normas de segurança. Gastar em segurança não é custo e sim investimento na vida das pessoas, o maior patrimônio que existe”, destaca o presidente da Contraf-CUT.
Dia Nacional de Luta em defesa do emprego
Para avançar nas negociações, o Comando Nacional avalia a necessidade de aumentar a mobilização e a pressão da categoria sobre os bancos. Por isso convocou Dia Nacional de Luta em defesa do emprego para a próxima quarta-feira, 8 de setembro.
No mesmo dia, começa a terceira rodada de negociação entre o Comando Nacional e Fenaban, agora sobre emprego e condições de trabalho. A rodada continuará na quinta-feira 9. Entre outras coisas, os bancários reivindicam mais contratações, proibição de demissões imotivadas e reversão das terceirizações.
Fonte: Contraf-CUT.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.contrafcut.org.br.
===============================
Negociação com poucos avanços e muito “não”
Representantes dos bancos entram na fase da negativa para as demandas dos trabalhadores. Bancários avisam que reivindicações vão voltar ao debate
São Paulo – O tradicional script dos banqueiros não falhou. Depois de um dia e meio de negociação, os representantes dos principais bancos do país deram mais uma demonstração de descaso com os problemas que afligem seus funcionários. A rodada começou na tarde de quarta-feira 1 e se estendeu pela quinta-feira 2.
Apesar de 80% dos bancários, em consulta realizada nacionalmente, indicarem o fim do assédio moral e das metas abusivas como fundamentais, os integrantes da federação dos bancos (Fenaban) disseram “não” às principais reivindicações de saúde e segurança apresentada pelo Comando Nacional dos Bancários.
“Temos mais duas rodadas de negociação previstas para as próximas semanas (veja calendário). Se essa postura do “não” for mantida, novamente os banqueiros estarão empurrando os bancários para a greve. De nossa parte, apostamos na negociação, mas sabemos que os trabalhadores estão mobilizados para a luta”, afirma a presidenta do Sindicato, Juvandia Moreira, que faz parte do Comando.
Metas – O debate sobre metas, principal problema que aflige a categoria e causa do assédio moral, não avançou. Os banqueiros não aceitaram fechar uma proposta concreta para mudar esse modo de gestão. “Queremos resolver essa situação que faz dos bancários uma das categorias que mais adoece no país. Os bancos não podem desperdiçar a chance de avançar nesse debate até o fim do processo negocial”, salienta Juvandia.
Assédio – O reconhecimento de que o problema do assédio moral existe e é grave, não fez com que os banqueiros avançassem. “Fizemos um debate importante, com base em dados. Nossa expectativa era sair da rodada dessa quinta-feira com algo concreto, mas os bancos quiseram jogar a discussão para frente”, informa Juvandia. “Esse tema está amadurecido e vamos insistir nas próximas rodadas, na criação de um instrumento para combater o assédio moral nos locais de trabalho.”
Saúde – A presidenta do Sindicato destaca que a Campanha Nacional Unificada tem foco em resultados não apenas econômicos, mas também nas condições de trabalho. “Não podemos admitir o nível de adoecimento que acomete os bancários. Essa situação tem de mudar.”
Mas não é o que os banqueiros querem. Eles se recusam a convencionar o direito de falta aos trabalhadores com deficiência que precisam fazer manutenção em suas próteses. Afirmam que essa discussão deve ser feita por local de trabalho. Também não querem debater o fim do descomissionamento dos afastados, alegando que se a pessoa não está exercendo a função não tem porque receber comissão. “Isso é inadmissível. O trabalhador que retorna da licença tem direito de voltar para sua função e receber o salário que tinha antes de adoecer”, destaca Juvandia.
Ilegalidade? – Os representantes da Fenaban chegaram a colocar em questão a ilegalidade que pode estar acontecendo nos bancos. Trata-se do pagamento dos salários dos bancários que estavam afastados, mas que tiveram o benefício suspenso em função da alta programada e não podem voltar ao trabalho porque são considerados inaptos pelo médico do banco. “Ou seja, esse trabalhador não pode retomar suas funções então fica sem salário, e também não recebe mais o benefício porque o INSS o colocou em alta antes de verificar seu estado de saúde. Como o contrato de trabalho não foi cessado, o banco tem de pagar o salário, mas não está pagando. Essa é a ilegalidade”, explica Juvandia.
O negociador da Fenaban, Magnus Ribas Apostólico, informou que vai consultar seus advogados e, caso a irregularidade se confirme, os bancos devem corrigi-la.
Segurança – Apesar de as dez reivindicações de segurança que prevêem medidas reparatórias e preventivas terem sido debatidas em quatro reuniões da mesa temática, a Fenaban não quer avançar no assunto.
Não querem falar em acabar com o porte das chaves das agências e cofres, e com o transporte de numerário por bancários. Também não admitem colocar no acordo a obrigatoriedade da emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), nem a ampliação das indenizações para as vítimas de assaltos, nem o adicional de risco.
O mesmo “não” valeu para as portas de segurança. “Nossa reivindicação é que o acordo preveja e manutenção das portas e a instalação onde não tem. Sem regras, os bancos fazem o que querem e aumentam o risco à vida de bancários, vigilantes e clientes”, ressalta Juvandia, lembrando que o Itaú Unibanco, no novo layout, está retirando as portas e o Banco do Brasil tem um projeto piloto que também prevê a retirada. “Isso é um retrocesso que indica que os bancos estão preocupados só com o patrimônio e não com a vida das pessoas.”
A Fenaban concordou em fornecer estatísticas sobre assaltos a cada seis meses e em convencionar a emissão obrigatória de Boletim de Ocorrência. Também deverá estar previsto no acordo, conforme já havia sido acertado na mesa temática, o atendimento médico ou psicológico aos bancários no local da ocorrência.
“Mas os banqueiros disseram não para outras questões fundamentais, como a isonomia de direitos para afastados em licença (pagamento de VA, VR e PLR) e o fechamento das agências assaltadas, além do acompanhamento de advogado para identificação de suspeitos”, relata Juvandia. “Sabemos da importância da retomada dos debates de segurança e isso tem de continuar para que possamos avançar mais na defesa da vida e do direito dos bancários.”
Por Cláudia Motta – 02/09/2010.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.spbancarios.com.br.