Sem avanços econômicos e sociais, os bancários podem deflagrar greve
Bancos empurram proposta para a próxima negociação
O Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban concluíram nesta quinta-feira, 16 de setembro, a quarta rodada de negociações da Campanha 2010, sem que os bancos apresentassem qualquer proposta para as principais reivindicações dos trabalhadores: reajuste de 11%, melhoria na Participação nos Lucros e Resultados (PLR), valorização dos pisos salariais, elevação dos auxílios refeição/alimentação e creche/babá, combate às metas abusivas, fim do assédio moral, plano de carreiras, cargos e salários em todos os bancos, proteção ao emprego, mais contratações, auxílio-educação e segurança contra assaltos.
A próxima rodada de negociação será realizada na quarta-feira, 22 de setembro, quando os bancos apresentarão uma proposta global para a categoria. O Comando Nacional já decidiu orientar os sindicatos a realizarem assembléias no dia 28 para discutir e deliberar sobre a proposta que vier a ser apresentada pela Fenaban. Em caso de rejeição da proposta, a categoria poderá deflagrar greve a partir do dia 29 por tempo indeterminado.
“Essa postura intransigente das empresas está empurrando os bancários para a greve”, adverte Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT e coordenador do Comando Nacional. “O descaso dos bancos na mesa de negociações ocorre no momento em que a economia brasileira passa pela maior fase de crescimento das últimas décadas e as instituições financeiras batem novos recordes de lucratividade”, destaca.
Os seis maiores bancos que operam no país (Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco, Caixa, Santander e HSBC) apresentaram R$ 21,7 bilhões de lucro líquido no primeiro semestre do ano, resultado quase 32% superior ao do mesmo período de 2009 e uma rentabilidade média sobre o patrimônio líquido de 25%. “Isso significa que os bancos quase dobram de tamanho a cada três anos, o que é uma rentabilidade que não tem paralelo no mundo, e mesmo assim eles se recusam a atender as reivindicações legítimas de seus trabalhadores”, critica Carlos Cordeiro.
Remuneração
A reunião desta quinta-feira fechou a quarta rodada de negociação, sobre o tema remuneração, que começou na quarta-feira 15, quando o Comando Nacional reafirmou as reivindicações de reajuste salarial de 11%, valorização dos pisos salariais e plano de carreiras, cargos e salários (PCCS).
Nesta quinta-feira, as negociações com a Fenaban giraram em torno da PLR, dos auxílios-refeição e educação, cesta-alimentação, 13ª cesta-alimentação, auxílio-creche/babá, previdência complementar e 14º salário.
PLR
O Comando Nacional defendeu a reivindicação de três salários mais R$ 4 mil fixos de participação nos lucros e resultados. Os bancos disseram que não querem mexer na fórmula atual, que prevê a regra básica e uma parcela adicional, e apenas corrigir os valores.
“Discordamos dessa avaliação dos bancos, porque os lucros crescem tanto que a regra atual já não nos contempla. Queremos que a PLR acompanhe a evolução dos lucros dos bancos e por isso defendemos que seja de três salários mais os R$ 4 mil fixos”, argumenta o presidente da Contraf-CUT.
Auxílio-refeição e cesta-alimentação
O Comando Nacional também insistiu nas reivindicações de elevação para um salário mínimo (R$ 510) os valores do auxílio-refeição, da cesta-alimentação e da 13ª cesta-alimentação, salientando que as verbas atuais são muito pequenas e insuficientes.
Os representantes da Fenaban, no entanto, rejeitaram as demandas dos bancários e adiantaram que o reajuste desses auxílios acompanhará o mesmo índice de reajuste dos salários.
Auxílio-creche/babá
Em relação ao auxílio-creche/babá, os bancos não apenas rejeitam a reivindicação de elevação do valor para um salário mínimo (R$ 510), como querem reduzir a concessão dessa conquista dos atuais 6 anos e 11 meses para 5 anos e 11 meses, alegando que a lei de ensino fundamental reduziu a idade de ingresso escolar para 6 anos.
O Comando Nacional defendeu a manutenção da período atual e reforçou a necessidade de aumentar o auxílio creche/babá, cujo valor atual não garante o pagamento da creche e o salário de uma babá.
Auxílio-educação
Apesar da exigência cada vez maior de formação superior dos bancários, os representantes dos banqueiros se negaram a atender essa reivindicação, já conquistada em alguns bancos. Eles disseram que essa demanda deve ser tratada banco a banco.
Intransigentes, eles ainda se recusaram a incluir uma cláusula sobre auxílio-educação na Convenção Coletiva para que essa demanda possa ser negociada banco a banco.
Previdência complementar
O Comando Nacional defendeu a criação de planos de previdência complementar em todos os bancos, como forma de garantir uma renda para os bancários na aposentadoria. Mas a Fenaban se recusou a discutir a proposta, preferindo remeter o tema para a negociação empresa a empresa.
14º salário
O Comando Nacional propôs a concessão de um 14º salário, como forma de melhorar a remuneração dos bancários, diante da evolução dos lucros dos bancos. Mas a Fenaban negou a reivindicação.
Calendário de negociação e mobilização
O Comando Nacional definiu um calendário, que combina negociação e mobilização, visando intensificar as atividades dos sindicatos e construir a unidade, a luta e a vitória dos bancários de bancos públicos e privados. “É fundamental a participação de todos os trabalhadores para conquistar avanços econômicos e sociais. Outro banco é preciso, com as pessoas em primeiro lugar”, convoca Carlos Cordeiro.
Terça – dia 21 – dia nacional de luta
Quarta – dia 22 – negociação com a Fenaban
Quinta – dia 23 – indicativo de negociações com os bancos públicos
Terça – dia 28 – assembléias em todos os sindicatos
Quarta – dia 29 – indicativo de greve, em caso de rejeição das propostas
Fonte: Contraf-CUT.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.contrafcut.org.br.
==============================
Bancos empurram proposta para a próxima negociação
Resultados excepcionais e mostram que bancos podem pagar o que devem aos bancários: aumento real, PLR e piso maiores, fim do assédio moral, das metas abusivas, mais segurança e empregos
São Paulo – Rentabilidade em alta, mas disposição de valorizar seus funcionários muito baixa. Na rodada de negociação sobre remuneração, realizada nessa quarta e quinta-feira, os representantes da federação dos bancos (Fenaban) voltaram a remeter boa parte dos temas abordados na mesa para o debate “banco a banco”.
Também informaram que só vão apresentar proposta de índice para o reajuste salarial na próxima semana, em negociação marcada para quarta-feira 22. O Comando Nacional dos Bancários deixou claro aos negociadores da Fenaban que devem ser apresentadas respostas também para outras reivindicações de remuneração, como PLR, vales e piso, assim como questões de saúde como o fim do assédio moral, das metas abusivas, além de segurança e geração de mais empregos.
O Comando vai cobrar das direções do Banco do Brasil e da Caixa Federal que também apresentem suas propostas até o dia 23.
A presidenta do Sindicato, Juvandia Moreira, lembra que na terça 21 tem Dia de Luta em todo o país. “Vamos fazer um grande ato nacional mostrando aos banqueiros nossa mobilização e indignação com o descaso dispensado às reivindicações dos trabalhadores.”
No dia 28 de setembro, os bancários vão fazer assembléias em todo o Brasil para apreciar a proposta que os banqueiros se comprometeram a apresentar no dia 22. “Já estão sabendo: se a proposta não trouxer aumento real, PLR maior e respostas para nossas outras reivindicações, os bancários podem paralisar suas atividades já a partir do dia 29”, avisa Juvandia.
PLR – O Comando Nacional dos Bancários apresentou na mesa de negociação os números da rentabilidade do setor, destacando também que os lucros crescem muito. “O setor está muito bem, em mais um ano excepcional, cresceu muito e os bancários querem sua parte desse crescimento”, diz Juvandia, lembrando a reivindicação de três salários mais R$ 4 mil para todos.
Os dados de rentabilidade – retirados dos relatórios dos seis maiores bancos – foram questionados pela Fenaban. “Eles ficaram incomodados porque dissemos que a rentabilidade sobre o patrimônio é alta, de até 29% em alguns casos, o que significa que a cada quatro anos uma instituição tem capital para comprar outra do mesmo porte”, explica Juvandia.
Esse quadro se mantém assim ao longo dos anos e faz do setor financeiro brasileiro um dos mais rentáveis do mundo, maior até que em países desenvolvidos. “Os números do setor dizem que podemos ter remuneração de primeiro mundo também. Os bancos não gastaram mais em 2009 que em 2008 para pagar a PLR. Mas em 2010 lucraram muito mais e têm de distribuir mais”, salienta Juvandia.
Vales – Distantes das realidades dos trabalhadores, os representantes dos banqueiros afirmaram na rodada desta quinta-feira que os vales refeição e alimentação são adequados às necessidades dos bancários. Disseram “não” à reivindicação de pagamento de um salário mínimo (R$ 510) para o VA, VR e 13ª cesta, informando que a decisão deles é de corrigir essas conquistas pelo mesmo índice que for acordado para o reajuste dos salários.
Chegaram a comentar que muitos bancários transformam o VR em VA porque não precisam. “Os banqueiros vivem mesmo em outra realidade. Os bancários transformam o VR em VA porque o valor é insuficiente para as compras de supermercado e fazem uma dura contabilidade para passar o mês e fazer suas refeições”, destaca Juvandia. “Os valores precisam ser melhorados e os bancos têm plenas condições de fazer isso se quiserem valorizar seus empregados. E, inclusive, o impacto para eles é muito pequeno.”
Auxílio-educação – Sem qualquer consideração com a reivindicação dos bancários, a Fenaban informou que trazia a “mesma resposta” de outros anos para o auxílio-educação: é uma estratégia de cada banco. “Disseram que não têm interesse em discutir isso com o movimento sindical e acordar em Convenção Coletiva, apesar de exigirem cada vez mais formação dos trabalhadores que ingressam na empresa e que querem crescer na carreira”, rebate Juvandia.
Auxílio-creche – Enquanto os bancários reivindicam aumentar o valor do auxílio-creche/babá atual, que é insuficiente, os negociadores dos bancos, mais uma vez, querem reduzir, em um ano, o prazo do pagamento.
Previdência complementar – O Comando também utilizou os números de crescimento do lucro do setor para mostrar que os bancos podem ajudar a contribuir para a criação de uma previdência complementar para os bancários. Mas a Fenaban novamente remeteu o debate a cada banco, que faz se quiser, dizendo que isso não se convenciona.
“Argumentamos que o ganho médio do bancário é de R$ 3 mil, mas quando ele consegue se aposentar fica com valor menor, sem vales, PLR e plano de saúde. Trata-se de um debate de remuneração muito importante para o trabalhador que os bancos estão se recusando a fazer, sem pensar no futuro dos funcionários que constroem a riqueza dos bancos”, diz Juvandia.
14º salário – Os bancários merecem e precisam de mais dinheiro no bolso: essa foi a argumentação do Comando para a reivindicação de 14º salário para os trabalhadores. Os representantes da Fenaban, no entanto, disseram “que se o salário é pouco, que se pague 13 salários melhores”.
A presidenta do Sindicato ressalta que é exatamente isso que os bancários querem. “O 14º salário seria uma forma de melhorar a remuneração da categoria, que não está acompanhando o crescimento astronômico dos bancos. Queremos os 13 salários melhores que eles reconheceram que têm de pagar e o 14º para corrigir as distorções que ocorrem ao longo do ano.”
Por Redação – 16/09/2010.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.spbancarios.com.br.