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É preciso estar alerta para práticas protecionistas de países ricos, diz Lula

Acra (Gana) – O aprofundamento da cooperação entre as nações do hemisfério sul foi defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante plenária de abertura da 12ª Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad). Lula foi convidado de honra e o único chefe de Estado a discursar no evento ao lado do secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, e do presidente do país anfitrião Gana, John Kufour.

O presidente citou o G20 – grupo de países em desenvolvimento liderados pelo Brasil e pela Índia – como exemplo de relações Sul-Sul, frisou que é cada vez maior o intercâmbio comercial entre os países em desenvolvimento e alertou para a tentativa das nações mais ricas de impedir o aprofundamento dessa parceria.

“É preciso estar alerta contra a tentação dos países ricos em acentuar suas práticas protecionistas. Igualmente prejudiciais são as tentativas de perpetuar relações de dependência através da criação de entraves à expansão do comércio Sul-Sul”, disse o presidente.

Ele mencionou algumas iniciativas brasileiras na promoção do desenvolvimento do sul do planeta. Citou o Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul – que conta com recursos para projetos de desenvolvimento dos países mais pobres do bloco: Paraguai e Uruguai – também mencionou a realização de 80 projetos e atividades na África, apenas em 2007, e o estabelecimento de uma agência da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em Gana.

Lula convocou os países mais ricos a fazer a sua parte no âmbito da atual rodada de negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC), a Rodada Doha que está em sua fase final. “Alcançar êxito nas negociações da Rodada Doha da OMC tornou-se uma tarefa inadiável”, disse.

“Os subsídios milionários pagos pelo Tesouro dos países ricos são como uma droga que entorpece e vicia seus próprios produtores, mas cujas maiores vítimas são os agricultores das nações mais pobres”, defendeu Lula. Os países em desenvolvimento pedem na Rodada Doha a eliminação do apoio financeiro concedido pelas nações mais ricas aos seus agricultores e a abertura dos mercados para os produtos agrícolas dos países em desenvolvimento.

Outro fator que pode facilitar o processo de integração regional e estimular o comércio Sul-Sul, segundo Lula, é uma maior participação dos países em desenvolvimento nos organismos financeiros multilaterais. Na avaliação do presidente, essas mesmas instituições – como o Banco Mundial e o FMI – devem trabalhar, em conjunto com a Unctad, mecanismos que garantam segurança alimentar aos países mais pobres – os que mais têm sofrido os efeitos da alta nos preços mundiais dos alimentos.

E aproveitou para defender os biocombustíveis das críticas de que comprometem a produção de alimentos. “Não há contradição entre a busca de fontes alternativas de energia e o desenvolvimento de padrões agrícolas que garantam a segurança alimentar.”

Como exemplo, Lula disse que no Brasil os níveis de desnutrição caíram ao mesmo tempo em que aumentou a produção e o uso do etanol.

“Estamos prontos a compartilhar nossa experiência com outras nações pobres na África, na Ásia e na América Latina e Caribe”, completou o presidente.

Por Mylena Fiori – Enviada especial.

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Lula diz que está aberto a discutir biocombustíveis sem preconceito

Acra (Gana) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje (20) que está aberto a discussões sobre os biocombustíveis, desde que sem preconceito e “ideologismos”, olhando-os como alternativa de desenvolvimento para os países mais pobres em vez de culpá-los pela alta nos preços mundiais dos alimentos. A afirmação foi feita durante a inauguração do Escritório da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa África) em Gana.

Ele admitiu que nunca pensou que o programa brasileiro de produção de bioenergia sofreria tanta resistência mundial. As críticas se intensificaram com a elevação dos preços mundiais dos alimentos – 45% apenas nos últimos nove meses.

“Quando lançamos a proposta de produzir biodiesel no Brasil, eu imaginava que não iríamos ter muitos adversários no mundo desenvolvido. Afinal de contas, todo o mundo está de acordo que é preciso diminuir o aquecimento do planeta Terra, de que é necessário diminuir a emissão de CO2 [gás carbônico]. Por isso, foi assinado o Protocolo de Quioto, por todas as nações desenvolvidas do mundo”, discursou o presidente, acusando os países ricos de não cumprir sua parte no acordo.

“É importante que as pessoas percebam que o etanol e o biodiesel são possibilidades concretas e objetivas de que o Brasil detém tecnologia de produzir combustível, diminuir a emissão de CO2 e gerar milhões de empregos no mundo todo”, completou.

Lula disse ainda que toda vez que está na Europa e ocorrem as críticas, manda os seus oponentes olharem o mapa mundi e perceber aonde é que tem terra para plantar: “Não olhem para o seu próprio território, olhem para o território africano, olhem para o Brasil, para a América do Sul, para a América Latina e Caribe, olhem para alguns países que não tiveram chances no século 20”.

Ele também defendeu a produção de alimentos nos países em desenvolvimento, como forma de garantir abastecimento mundial. “O mundo está a pedir, e nós, países que éramos chamados do “terceiro mundo” estamos dispostos a atender”, defendeu, frisando que, para isso, é necessário que os países ricos abram mão do apoio financeiro concedido aos seus agricultores e abram seus mercados para os produtos agrícolas dos países pobres.

O argumento foi retomado em outro discurso, mais tarde, na abertura da 12ª Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad).

A transferência de tecnologia também é essencial, na avaliação do presidente, para que os países mais pobres possam produzir os alimentos para atender à demanda do resto do mundo. É justamente para isso que o Brasil decidiu levar os conhecimentos da Embrapa sobre agricultura tropical para a África.

De acordo com Lula, desde que a empresa se instalou em Acra, há pouco mais de um ano, 17 países africanos foram visitados pelos seus técnicos e outros 13 países receberam assistência a distância. “Dessas missões, vão surgindo projetos para melhorar a produção africana de mandioca, arroz, feijão e soja”, disse o presidente. Ele lembrou que o clima do cerrado brasileiro é muito parecido com o das savanas africanas e que se as condições de terra também forem semelhantes, a tecnologia da Embrapa poderá levar a uma “revolução verde” na África.

“Daqui a alguns anos, a África deixará de ser vista pelo mundo como um continente pobre, onde as pessoas passam fome, e passará a ser um continente verde, produtor de comida, para saciar não apenas a fome do povo africano, mas para saciar a fome daqueles que já não têm mais terra para plantar e querem comer”, afirmou.

O escritorio definitivo da Embrapa, inaugurado neste domingo, fica no campus do Conselho de Pesquisa Científica Industrial (CSIR) e foi doado pelo governo ganense.

Durante a cerimônia de inauguração, o presidente do conselho, E.S. Ayensu, disse que a presença da Embrapa em território africano é a primeira manifestação física da tão falada cooperação Sul-Sul.

Por Mylena Fiori – Enviada especial.

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