Temporão tranquiliza população e diz que superbactéria está restrita a hospitais
São Paulo – O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, pediu hoje (24) tranquilidade em relação à proliferação da superbactéria Klebsiella pneumoniae carbapenemase (KCP). “A população fique tranquila porque essa é uma situação que acontece apenas em ambiente hospitalar e em pacientes debilitados”, disse ele após participar de encontro na capital paulista sobre a definição de diretrizes para minimizar o risco cardíaco em pacientes em tratamento contra o câncer.
Segundo o ministro, com a adoção de medidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), “a situação vai ficar sob controle”. Entre as ações da agência, ele destacou a norma que determina a retenção da receita médica na compra de antibióticos. “[Isso] vai impedir muito o que hoje é um problema seríssimo, que é a automedicação, o uso abusivo e indiscriminado”, garantiu.
Além disso, o ministro lembrou a importância de procedimentos simples de higiene, como lavar as mãos, que diminuem muito o risco de contágio pela bactéria. “Isso serve para os profissionais de saúde e também para os visitantes ao entrar e ao sair [de um hospital]”.
Temporão destacou ainda que outro ponto fundamental no combate à bactéria é o cuidado no registros dos casos, para melhorar o embasamento de pesquisas sobre o assunto.
Por Daniel Mello – Repórter da Agência Brasil. Edição: Graça Adjuto.
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Preocupação com superbactéria envolve uso abusivo de antibióticos
Brasília – A superbactéria Klebsiella pneumoniae carbapenemase (KCP) é uma das grandes preocupações nacionais recentes na área de saúde. Não existe ainda uma informação oficial para a causa da proliferação da bactéria no país, mas, para alguns especialistas, como o presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Marco Antônio Cyrillo, uma das preocupações centrais é o uso indiscriminado de antibióticos.
“O uso de antibióticos nas unidades de Tratamento Intensivo [UTIs] em pacientes com imunossupressão [com o sistema imunológico debilitado] é o principal fator para que as bactérias apareçam”, afirma. Cyrillo explica que os antibióticos matam as bactérias sensíveis e as que sobrevivem transmitem para as gerações futuras os genes de resistência até criar uma bactéria super-resistente.
A enfermeira do Serviço de Controle de Infecção do Hospital Universitário de Brasília (HUB) Isabela Rodrigues confirma que existe o uso abusivo de antibióticos. “O acesso ao antibiótico na própria comunidade é muito fácil e o uso contínuo começa a afetar o organismo. Quando a pessoa precisa se internar já adquiriu resistência e nem todo antibiótico vai tratar sua doença. Na assistência hospitalar, também ocorrem abusos”, destaca.
De acordo com a professora de infectologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Ana Cristina Gales, a carbapenemase é a enzima produzida pela bactéria que a torna capaz de inativar os antibióticos betalactâmicos, incluindo os carbapenens, considerados os antimicrobianos mais potentes para o tratamento de infecções graves. “O paciente pode ter a bactéria colonizada ou estar infectado e desenvolver algum tipo de infecção como pneumonia, meningite, na corrente sanguínea, ou mesmo no local da cirurgia”, diz a professora.
Segundo Isabela Rodrigues, o tratamento para combater a KPC, nos hospitais, é normalmente feito com a associação de três antibióticos: polimixina B, tigerciclina e amicacina. Se o uso abusivo dos antibióticos pode ser a causa do surgimento das bactérias, a falta de uso de materiais de higiene médico-hospitalar básicos como luvas, máscaras, álcool e a ausência da prática de hábitos, como o de lavar as mãos após o contato com pacientes, são apontadas como fatores que podem explicar a proliferação do micro-organismo.
A transmissão ocorre por meio do contato direto entre as pessoas ou pelo uso de um objeto comum. Por isso, o presidente da SBI destaca medidas importantes a serem tomadas. “A qualificação dos profissionais de saúde, o número adequado de profissionais atendendo, a conscientização de que eles podem servir como vetor de contaminação, além de bons laboratórios para identificar a bactéria são fundamentais para se controlar a KPC”, enumera Cyrillo.
A higiene não deve ser esquecida também por quem visita pacientes internados nos hospitais. Após o contato com a pessoa internada, é importante lavar as mãos com sabonete e utilizar álcool em gel, conformem orientam os especialistas.
Atualmente não existe um diagnóstico sobre a expansão da contaminação pela KPC no país. Os registros oficiais ainda estão restritos ao Distrito Federal, com 183 casos e 18 mortes, e aos estados do Paraná, com 24 casos; da Paraíba, com 18; do Espírito Santo, com três; de Minas Gerais, com 12; de Santa Catarina, com três; de Goiás, com quatro; e de São Paulo, com 70 casos e 24 mortes. Os dados são da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e das secretarias estaduais de Saúde.
“É importante que haja uma rede de segurança mais efetiva para que tenhamos dados dos municípios, estados e em nível federal, não só desta bactéria, mas de outras bactérias. É uma política de prevenção conhecer a realidade nacional”, enfatiza Cyrillo.
Para conter a avanço da contaminação, a Anvisa anunciou na última semana (22) a obrigatoriedade da instalação de dispensadores de álcool em gel nos hospitais e clínicas públicas e particuladres. A agência vai publicar resolução tornando mais rígida a venda de antibióticos no país, sendo que uma via da receita médica deverá ficar retida na farmácia.
Por Lisiane Wandscheer – Repórter da Agência Brasil. Colaborou Carolina Pimentel//Edição: Lana Cristina.
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Medidas simples podem evitar contaminação por superbactérias, diz pesquisadora
Rio de Janeiro – O surto de contaminação pela superbactéria Klebsiella pneumoniae carbapenemase (KPC) poderia ser evitado por medidas simples adotadas pelos hospitais, como obrigar as pessoas a lavarem as mãos ao visitar os pacientes. A sugestão é da bióloga Ana Paula Carvalho Assef, do Laboratório de Pesquisa em Infecção Hospitalar, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), unidade credenciada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para confirmar os casos de KPC no país.
“São as medidas básicas de controle de infecção, como lavar as mãos antes e depois de entrar em contato com o paciente. A comissão do hospital deve estar alerta para esse tipo de coisa e orientar os visitantes e toda a equipe clínica que esteja tratando esses pacientes”, afirmou.
A bióloga ressaltou que esses cuidados básicos evitam contaminações perigosas e que geram altos custos para serem tratadas. “Você fica sem opção de tratamento e as alternativas para combater essas bactérias são antibióticos tóxicos e muito mais caros.”
Segundo ela, a KPC foi identificada em 2001, nos Estados Unidos, a partir de uma amostra de 1996. Nos anos de 2003 e 2005, ela provocou surtos em Nova York e depois se espalhou pelo mundo, com casos registrados na Argentina, Colômbia, em Israel e outros países.
Apesar da grande expansão da KPC, a bióloga da Fiocruz afirmou que não há riscos de haver uma contaminação generalizada da população, pois a bactéria é inerente ao ambiente hospitalar, onde há um grande número de pacientes debilitados, com procedimentos invasivos e recebendo altas cargas de antibióticos. “Uma pessoa saudável não vai se infectar por essa bactéria, nem vai haver um surto de KPC na comunidade. É um problema dos hospitais que deve ser controlado. É preciso cuidado para a comunidade não servir de veículo para levar a bactéria a pacientes debilitados.”
Ana Paula Carvalho Assef explicou que a KPC é uma bactéria comum, presente no sistema digestivo de quase todas as pessoas, mas que nos últimos anos adicionou uma informação nova ao seu DNA, passando a produzir uma enzima, a carbapenemase, que destrói a maior parte dos antibióticos, garantindo resistência.
A bióloga considerou positivo o controle que o Ministério da Saúde quer implantar sobre a venda de antibióticos no país, a fim de evitar que as pessoas comprem os medicamentos sem receita médica e sem conhecimento da correta administração. Um dos motivos da resistência de bactérias é justamente o fato de o tratamento não ser seguido até o fim, abandonado quando se nota as primeiras melhoras.
Outro problema, segundo Ana Paula Carvalho Assef, é o excesso de antibióticos utilizados na criação de animais de corte, que acabam sendo ingeridos pelos seres humanos no consumo de carnes, ovos e leite. Além disso, há o problema dos antibióticos jogados no esgoto pelos hospitais e nos lixões, que contaminam o meio ambiente. “Tudo isso junto faz com que as bactérias resistentes sejam selecionadas e vai aumentando cada vez mais a multirresistência”, alertou.
Por Vladimir Platonow – Repórter da Agência Brasil. Edição: Aécio Amado.
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