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Por 18:45 Sem categoria

Coragem para destruir

A Central Única dos Trabalhadores-RS, através de seus dirigentes, percorre o Estado mais uma vez. O objetivo é promover o continuado diálogo dos trabalhadores e trabalhadoras em torno das ações do governo gaúcho e suas conseqüências na vida de todos. Apesar de não surpreender lideranças políticas e sindicais, o vigor e a soberba da governadora Yeda Crusius decepciona até seus próprios eleitores. Foi assim em dezembro, na primeira tentativa de aumento de impostos, antes da posse. Passados onze meses, o desenho da administração, suas novas ferramentas, o escopo e o início da obra produziram estragos e apontam para o colapso do Rio Grande do Sul. Para a governadora, o slogan do próximo ato é “coragem de fazer”. Nestas plagas isso tem outro nome.

O primeiro desmentido notório da dirigente tucana foi o “mentiraço”, lá atrás. Lembram quando tudo ainda cheirava eleição? “O novo jeito de governar?” A promessa cabal de não aumentar impostos? Pois é. A então candidata Yeda Crusius tinha capacidade técnica por excelência, prometia o equilíbrio orçamentário, a valorização do trabalhador do setor público, ampliação e aperfeiçoamento dos serviços públicos, desenvolvimento sustentável, a verdade sobre as finanças públicas e o crescimento vigoroso do Rio Grande do Sul. Apesar da falta de quadros políticos orgânicos a apoiá-la, ela garantia, todas as questões relevantes dos gaúchos seriam resolvidas. Tudo “sem onerar ainda mais o contribuinte, que não agüenta mais o aumento da carga tributária”, dizia.

Mais do que isso, a coordenação pessoal seria comandada pela professora universitária. Capaz, articulada e muito bem intencionada. Por fim, todos seriam contemplados. De inhapa, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) atingiria picos de elevação e nos colocaria, de novo, rumo à tão sonhada qualidade de vida perdida. Difícil resistir. Ainda mais envolvidos pelas encorpadas edições engajadas de boa parte da mídia. Conquistados os votos, trabalhadoras e trabalhadores assistiram, atônitos, ações em direção ao desmonte do Estado com determinação e mão de ferro.

Como registro, é importante salientar a enorme dificuldade para a formação do primeiro escalão de governo e a notável dificuldade no convívio até mesmo com os aliados. Como saldo, arrocho salarial, extinção de mecanismos fundamentais às políticas públicas de auxílio à agricultura familiar, demissões, procedimento pedagógicas inomináveis, descumprimento do mínimo exigido do orçamento para a saúde, irresponsabilidade e alegoria no tratamento das graves questões de segurança do Estado, privatização maquiada, venda explícita do patrimônio público, “pacotaço”, e tem mais. Três anos de desmandos pela frente.

Se alguém ainda tinha dúvidas, as trocou pela perplexidade e uma sensação de traição eleitoral. Sim, porque não há mais floreios, a maquiagem marketeira não disfarça ações e intenções contidas no “pacotaço” produzido pela equipe da governadora. Se, antes de assumir o executivo gaúcho, articulou um ensaio fracassado de aumento de impostos, agora, no plano enviado à Assembléia Legislativa, Yeda volta à carga convicta no erro. A tentativa é liquidar o patrimônio do Estado num projeto tapa furo que evidencia uma incapacidade real de gestão da coisa pública.

Ao contrário do que dizia, quando vendeu a idéia de aptidão curricular, o máximo que seu projeto irá produzir será o empobrecimento geral, fuga de investimentos, desertificação do pampa, aumento da criminalidade, fim da referência positiva ao ensino do Estado e a chance de ver, ao vivo, os horrores da falta de assistência à saúde da população. É provável que a prometida “solução estrutural” de Yeda Crusius, caso seja aprovado o “pacotaço”, consiga alcançar um ano de caixa para as finanças públicas. Um paliativo primário. As finanças, em seguida, voltaram a operar no vermelho, mas o desmonte do serviço público do Rio Grande do Sul será perene. Há que se ter muita coragem para destruir o que um povo levou toda sua história para construir. Tamanha barbaridade, a sociedade gaúcha não esquecerá.

Por Celso Woyciechowski, que é presidente da CUT-RS.

ARTIGO COLHIDO NO SÍTIO www.cutrs.org.br.

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