O Paraná começa o projeto para atualizar e complementar a cartografia do Estado. O tema começa a ser debatido nesta terça-feira (20), com o lançamento do “Projeto de Nomes Geográficos do Estado do Paraná – Toponímia passo a passo”. O encontro vai contar com especialistas de outros Estados.
O projeto vai ser coordenado pelo Instituto de Terras, Cartografia e Geociências do Sistema Sema e tem como parceiros a Secretaria do Planejamento e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A palavra topônimo é derivado do grego topos, que significa lugar, e ónoma, nome, que literalmente pode ser traduzido como o nome de um lugar.
Segundo uma das coordenadoras, a geógrafa Izabella Maria Swiercznski, técnica de projetos sócio-ambientais da Secretaria do Planejamento, o projeto é a primeira e única proposta do gênero no Brasil. “O trabalho vai começar pelos rios do Estado, que são a base de sustentabilidade de qualquer território e sua população.”
Izabella esclarece ainda que a meta do projeto é atualizar cartograficamente também nomes de montanhas, estradas, caminhos, povoados e vilarejos. “Vamos utilizar o nome que a população já usa para denominar, por exemplo, o rio que passa próximo da sua casa”.
Ela explica que o Brasil levou mais de 60 anos para completar 46 cartas na escala de 1 para um milhão, em que cada centímetro no papel corresponde a um milhão de centímetros de extensão real. “É uma carta sem muitos detalhes, onde se vê os principais rios, as cidades maiores e os limites dos estados, mas sem detalhamento. Nossa meta, no projeto, é trabalhar para o Paraná, com uma escala de 1 para cinqüenta mil, um padrão muito interessante para desenvolver um bom planejamento e com o maior número de elementos nominados, principalmente os rios”.
Algumas instituições já foram contatadas e indicaram a intenção de parcerias. São elas: Universidade Federal do Paraná (setor de Ciências da Terra e História e Linguística), Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Universidade Espírita do Paraná, Itaipu Binacional, Clube dos Montanhistas do Paraná e várias ONGs.
Izabella destaca que mais de 80 instituições ligadas ao setor podem se integrar ao projeto, inclusive órgãos como a Sanepar, que já demonstrou interesse em participar e as universidades estaduais do Paraná, que deverão ser contatadas nos próximos dias.
PROGRAMAÇÃO – A abertura técnica do encontro tem início às 9h30, com a palestra “Projeto Nomes Geográficos do Brasil”, de Vânia de Oliveira Nagem, do IBGE do Rio de Janeiro. Mais três palestras sobre o tema estão programadas para o período da manhã.
À tarde, às 14h será a abertura oficial, com a presença do vice-governador Orlando Pessuti, dos secretários do Planejamento, Enio Verri, e do Meio Ambiente, Rasca Rodrigues, e do diretor-presidente do Instituto de Terras, Cartografia e Geociências, José Antonio Peres Gediel.
Uma das palestras da tarde vai ser proferida pelo escritor João Carlos Vicente Ferreira, que atualmente é secretário de Cultura de Mato Grosso. Ele vai falar sobre “Projeto Cultural Cidades Brasileiras – Origens e Significados dos Seus Nomes”. O tema é título de um de seus livros, que foi editado pela Secretaria de Cultura do Paraná.
Ainda durante a tarde estão programadas palestras das duas coordenadoras do projeto. Às 17h, “Motivações Toponímicas e Cartografia”, tema a ser abordado pela cartógrafa Gislene Lessa, do ITCG-PR e na seqüência, às 17h45, “Motivações Toponímicas e o Paraná”, por Izabella Swierczynski, da Secretaria do Planejamento.
Para a manhã de quarta-feira (21) estão programadas quatro palestras. A partir das 8h30, o tema é “Serendipity, Xibiu e Goytacazes: uma ou outra coisa que sei deles”, por Mauro de Salles Villar, presidente do Instituto Antônio Houaiss, responsável pela elaboração do Dicionários Houaiss.
Às 9h15 é a vez do tema “Motivação Toponímica – Toponímia e Realidade Brasileira”, com a professora Maria Vicentina Dick, da USP, uma das maiores especialistas em linguagem indígena do país.
Em seguida mais dois temas abordados: “Atlas lingüístico-etnográfico da Região Sul do Brasil-ALERS”, por José Luiz da Veiga Mercer, da Universidade Federal, e “Representação dos Nomes Geográficos”, com Luciene Stamato Delazari e Dulce Machado Bueno, ambas da Universidade Federal do Paraná.
No início da tarde, está programada a palestra “Origens e discussões sobre topônimos paranaenses- Graciosa, Peabiru, Itupava e outras histórias com e sobre Reinhard Maack”, pelo historiador Henrique Schmidlin, da Secretaria de Cultura do Paraná. O tema “Reambulação, Mapeamento Sistemático Brasileiro e Toponímia”, vai ser abordado pelo professor Raul Fridmann, da UTFPR.
O encerramento do encontro, com avaliações, conclusões e encaminhamentos vai ser feito pelo presidente da Mineropar, Eduardo Salamuni. O encontro é dirigido para profissionais da área do setor público (municipal, estadual e federal) e aos potenciais parceiros. As inscrições para os interessados devem ser feitas pelo endereço: http://www.itcg.pr.gov.br/modules/conteudo.php?conteudo=38
Serviço:
“Nomes Geográficos do Estado do Paraná – Toponímia Passo a Passo”
Data: 20 e 21 de novembro
Local: Palácio das Araucárias – Auditório Térreo. Rua Jacy Loureiro de Campos, s/nº – Centro Cívico
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.aenoticias.pr.gov.br.