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Por 09:09 Sem categoria

Compra do ABN reacende o interesse pelo Unibanco

A provável aquisição do ABN Amro na Europa pelo consórcio do qual o Santander faz parte deverá reacender o interesse pela compra do Unibanco por parte de bancos como Itaú e Bradesco, que verão sua liderança abalada pela ascensão do gigante internacional no País, dizem analistas. Juntos, Santander e ABN Amro Real somam R$ 270 bilhões em ativos, enquanto Itaú e Bradesco tem R$ 248 bilhões e R$ 236 bilhões, respectivamente – considerando os ativos das seguradoras, o Santander ultrapassaria apenas o Itaú, permanecendo atrás do Bradesco.
Segundo Eduardo Roche, gerente de análise da Modal Asset Management, apesar de o Unibanco não estar à venda, o mercado já especula, novamente, uma possível aquisição envolvendo a instituição. “A história de venda do Unibanco já vem de longa data, mas ela só tende a ser retomada com a possibilidade de o Santander afetar a liderança de Itaú e Bradesco”, analisa.
Entre as instituições financeiras, as ações do Unibanco foram as menos afetadas no mês de setembro, caindo 1%, enquanto o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), teve queda de 0,5%. Itaú e Bradesco, por sua vez, tiveram baixas mais acentuadas: 6,5% e 4%, respectivamente. Para Roche, esse bom desempenho se dá porque o resultado do Unibanco foi mais positivo no primeiro semestre de 2007.
Mas há analistas que prevêem outros cenários para o setor bancário brasileiro após a compra do ABN Amro. Para Luiz Marques Azevedo, consultor independente que presta serviços para a Federação Nacional dos Bancos (Febraban), bancos estrangeiros norte-americanos e europeus podem vir às compras no Brasil, e fazerem boas ofertas pelo Unibanco. “Quando o Banespa foi a leilão, o Santander ofereceu muito mais recursos que o Bradesco. Pode haver um replay disso”, diz.
Entre as instituições internacionais que teriam sua penetração na América Latina ameaçada pelo avanço do Santander estão Banco Bilbao Vizcaya Argentaria (BBVA), HSBC e Citibank. “Mas temos que avaliar até que ponto essas instituições estariam dispostas a fazer aquisições no Brasil, que é um mercado pequeno na comparação com países da Ásia, por exemplo”, afirma Luis Santacreu, da Austig Rating. Ele lembra que não é apenas o Unibanco que poderia ser comprado por gigantes estrangeiros. “Esses bancos têm recursos para adquirir qualquer instituição brasileira”, desde as de médio porte, especializadas em determinados nichos, até gigantes como Itaú e Bradesco.
Mudanças
Caso a aquisição do ABN seja concluída a seu favor, o Santander irá ampliar atuação em cidades fora do Estado de São Paulo e crescer nos segmentos de financiamento de veículos e de crédito a pequenas e médias empresas. Ao mesmo tempo, terá de enfrentar problemas como sobreposição de agências e de funcionários e adaptação de tecnologias. “Acredito que haverá um choque de culturas. Os funcionários do Real ganham mais, têm visão corporativa mais ampla”, analisa Claudemir Galvani, professor de Economia da Pontifícia Universidade Católica (PUC). Com lucro de R$ 1,064 bilhão no primeiro semestre de 2007, o ABN Amro Real conta com 1,1 mil agências espalhadas pelo País e um patrimônio líquido de R$ 10,7 bilhões, maior que o do Santander, que soma R$ 9,9 bilhões. A assessoria do banco informou que a instituição, no Brasil, não iria se pronunciar sobre a negociação.
Para o consultor da Febraban, a intensificação da disputa entre Itaú, Bradesco e Santander, terá como conseqüência a redução das tarifas no longo prazo. Ele lembra, porém, que Itaú e Bradesco deveriam se preparar melhor para concorrer com um estrangeiro do porte do Santander. “Para enfrentar os internacionais, é preciso ter presença lá fora, o que não ocorre com o Itaú e menos ainda com o Bradesco”, conclui o especialista.
A provável aquisição do ABN Amro na Europa pelo consórcio do qual o Santander faz parte deverá reacender o interesse pela compra do Unibanco por parte de bancos tanto externos como pelo Itaú e Bradesco.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO:www.dci.com.br

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