A provável escalada do Santander no mercado brasileiro, caso o banco adquira as operações do ABN Amro Real no País, já provoca reações por parte de Itaú e Bradesco, que teriam feito ofertas pelo Unibanco e este recusou, segundo um funcionário da instituição que não quis se identificar. O rumor foi confirmado pelo analista da consultoria Lopes Filho, João Augusto Salles, que disse que o assunto foi comentado pelo mercado ontem em reuniões com investidores.
A família Moreira Salles, no entanto, teria negado ambas as propostas, segundo a mesma fonte.
Com ativos de R$ 126,2 bilhões, sem incluir seguros e previdência, o Unibanco é visto como a única instituição financeira de grande porte que poderia ser adquirida por outro banco brasileiro que quisesse fazer frente ao Santander. Caso o Itaú comprasse a instituição, o banco somaria R$ 374,2 bilhões em ativos e o Bradesco, R$ 362,9 bilhões. Incluindo seguros e previdência, Bradesco somaria com a aquisição do Unibanco R$ 420,6 bilhões em ativos e Itaú, R$ 385,4 bilhões. Os dois retomariam a dianteira frente ao Santander que, mesmo adquirindo o Real, somaria R$ 275,1 bilhões em ativos e não representaria mais uma ameaça aos líderes.
“O Unibanco é a bola da vez, porque os players estão assustados com o Santander. Eles sabem que os estrangeiros vão entrar com tudo no Brasil, e vão tentar reagir”, avalia o analista da consultoria Lopes Filho.
Segundo ele, o mercado já “intui” que há uma negociação envolvendo o Unibanco. “O Unibanco é rentável, bem administrado. Comprar um banco assim é caríssimo, apesar de vital, para Itaú e Bradesco. Por isso que a operação está demorando”, diz.
O especialista lembra, no entanto, que existe uma resistência por parte dos proprietários da instituição financeira.
Outros analistas de mercado, contudo, afirmaram desconhecer se houve ofertas de compra. “Sempre surge um boato de venda do Unibanco. Não é de hoje. Mas não sei se, nesse caso, o Itaú estaria envolvido, já que há outros interesses, como a aquisição do banco BMG”, afirma Kelly Trentin, gerente de análise da SLW Corretora. O Itaú mantém um contrato de preferência em caso de venda com o BMG, após a aquisição da carteira de crédito do banco. O contrato vence em novembro. Líder em crédito consignado, o banco serviria para fortalecer o Itaú nesse segmento.
Para o consultor de investimento Wenderson Wanzeller, o interesse dos grandes bancos brasileiros pelo Unibanco não é apenas fazer frente ao Santander, mas ganhar mercado diante dos concorrentes brasileiros. “Um dos principais atrativos do banco é sua carteira de crédito para a pessoa física. O Unibanco tem alta penetração nas classes A, B e C”, completa.
“O objetivo agora dos grandes bancos é ter o máximo de clientes possível, para não dar entrada aos estrangeiros”, indica. Segundo Wanzeller, o Unibanco só aceitaria ser comprado em caso de uma oferta hostil.
ABN Amro
O Royal Bank of Scotland e seus parceiros Santander e Fortis provavelmente ganharão a disputa pela compra do ABN Amro, disse o JP Morgan Chase & Co. Analistas da instituição, liderados por Kian Abouhossein, escreveram ontem em nota aos clientes que o trio deve “bater” a oferta concorrente apresentada pelo Barclays e “pagar muito” pelo maior banco da Holanda. “Nós acreditamos que o consórcio está pagando demais pelo ABN”, escreveram os analistas. Eles ampliaram suas estimativas sobre a probabilidade de os três bancos serem os vencedores da briga pelo ABN de 75% para 95%. A oferta do Barclays pelo ABN foi avaliada em 61 bilhões de euros (US$ 87 bilhões) no último dia 21 de setembro, e a proposta do grupo liderado pelo Royal Bank foi estimada em 72 bilhões de euros, de acordo com dados compilados pela Bloomberg. O JP Morgan, assim como Citigoup, Credit Suisse, Deutsche Bank e Lazard LLC, está aconselhando o Barclays nesta operação.
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