Nelson Breve afirma que está sendo feito “um grande esforço” para mudar a cultura interna, mas destaca independência editorial. Segundo ele, jornalismo deve “dar voz a quem não consegue se manifestar”
Por: Vitor Nuzzi, Rede Brasil Atual . Publicado em 09/12/2011, 17:20. Última atualização às 19:22
São Paulo – Em sua posse como diretor-presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), nesta sexta-feira (9), o jornalista Nelson Breve disse que é dever da TV pública eliminar os preconceitos, “nossos e da sociedade” e que a rede segue fazendo um “grande esforço” para mudar a cultura de uma empresa outrora vinculada ao Estado para uma organização social prestadora de serviços públicos. Mas lembrou que a independência editorial já é uma realidade. “Temos um Conselho Curador, que é vigilante, todo mundo sabe disso, e é importante que seja”, afirmou. Para ele, é momento de buscar a independência financeira, além de aumentar a audiência. “Que adianta a gente fazer o melhor conteúdo e não conseguir levar isso para as pessoas? A gente tem de chegar lá. Temos de nos fazer necessários.”
Em rara referência ao setor privado, Breve observou que a TV precisa ser um elo de culturas regionais e étnicas. “O sistema de redes nacionais fez com que se perdesse um pouco os sotaques. A gente não vê mais sotaque na televisão.” Para o novo presidente, a EBC passa a viver uma “segunda infância”, período durante o qual irá “consolidar seu sistema de produção de conteúdos, sua estrutura de distribuição, sua rede de parcerias, seu modelo de financiamento e sua organização administrativa e institucional”. A empresa, acrescentou, deve adotar uma gestão profissional, “que valorize o esforço, mas considere fundamentalmente os resultados para avaliação de mérito”.
Breve enfatizou o papel de Tereza Cruvinel na primeira fase da EBC. “Foram tempos heroicos. A história há de reconhecer esse esforço monumental de erguer em quatro anos, a partir de três emissoras locais sucateadas, uma rede nacional de comunicação pública composta por mais de 700 emissoras que transmitem ou estarão transmindo nos próximos meses programação de qualidade para mais de 1.700 municípios de 22 estados do país, além do Distrito Federal”, afirmou. Nesses quatro anos, disse Breve, mais de 70% da grade de programação foi modificada. “Essa renovação da grade teve como foco prioritário a parceria com a produção independente”, lembrou.
Desde então, foram firmados mais de 130 contratos para exibição de conteúdos e investidos R$ 100 milhões, o que, segundo ele, fomentou a produção independente e representou um salto de qualidade para a empresa. O jornalista destacou ainda o licenciamento de filmes nacionais e ibero-americanos, a incorporação de programas de emissoras estaduais e o início da política de licenciamento de programa internacionais, além da criação de dois telejornais diários “com formato e conteúdo inovadores” e um “novo ciclo de digitalização” da EBC. “Vencemos a Ilíada, mas ainda temos a Odisseia, com seus cantos de sereia e tentáculos de Medusa”, comentou, em referência a obras de Homero.
No discurso, Breve revelou ter decidido concluir o curso de Jornalismo, de certa forma, por causa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Bancário na ocasião (permaneceu seis anos no Bradesco, onde chegou a subgerente executivo), ele ouviu Lula contar a importância de obter um diploma de torneiro-mecânico para entregar à mãe, como se fosse um diploma universitário. “Estava jubilado, voltei e consegui dar sequência à faculdade”, contou. Na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP), orientado pelo professor Sérgio Gomes, participou de um projeto sobre os principais problemas da cidade de São Paulo – que acabou publicado no jornal Diário Popular, atual Diário de S. Paulo. “Esse foi um projeto com o qual eu me identifiquei muito, e a partir daí passei a ser uma espécie de missionário do jornalismo, que é o que me considero hoje”, disse Breve, para quem o jornalismo deve “dar voz a quem não consegue se manifestar”.
Ele também enfatizou a importância do ex-ministro Franklin Martins, como referência na profissão, e agradeceu a atual ministra da Secretaria de Comunicação Social, Helena Chagas, chamando de “desinformação” notícias publicadas na empresa sobre a relação entre os dois. “É uma pessoa que desde o princípio me apoiou para essa função. Não havia ruído nessa indicação”, disse Breve.
Projeto-piloto
Sobre a forma ideal de operação de rede da TV digital – fibra ótica ou satélite –, o diretor da EBC disse que a melhor forma de resolver a questão pode ser elaborar um projeto-piloto, “para ver se funciona mesmo”. Segundo ele, o assunto ainda precisa ser mais discutido com a ministra da Comunicação Social e também com o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo. Breve também agradeceu aos funcionários da empresa: “Nós fizemos um acordo trabalhista que foi um crédito de confiança que me deram. Com as dificuldades do orçamento federal, a gente não pôde dar aumento real este ano”, afirmou, complementando com o que chamou de “frase recorrente” do ex-presidente Lula: “Ninguém se sente responsável por aquilo que não ajuda a construir. Acho que já estamos conseguindo grandes coisas trabalhando juntos”.
No final, uma citação ao escritor francês Honoré de Balzac, um crítico do jornalismo e dos jornalistas: “A TV pública é um projeto para reencontrarmos as ilusões perdidas, onde estiverem, para construirmos uma nação mais mais consciente, justa e soberana”. Breve concluiu seu discurso com um juramento: “Juro no exercício do meu dever profissional não omitir, não mentir, não distorcer informações, não manipular dados e, acima de tudo, não subordinar, em favor de interesses pessoais, o direito do cidadão à informação”.
Junto com Nelson Breve, tomaram posse o diretor-geral da EBC, Eduardo Castro, e a presidenta do Conselho Curador, Ana Luiza Fleck. A cerimônia também comemorou o aniversário de quatro anos da TV Brasil, que iniciou transmissões em 2 de dezembro de 2007.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.redebrasilatual.com.br
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Jornalista Nelson Breve toma posse como novo diretor-presidente da EBC
Paula Laboissière
Repórter da Agência Brasil
Brasília – A ministra Helena Chagas, da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, deu posse hoje (9) ao jornalista Nelson Breve como diretor-presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). A nomeação, por um período de quatro anos, foi publicada no dia 1º de novembro no Diário Oficial da União. Breve assumiu o cargo em substituição à jornalista Tereza Cruvinel, que presidiu a empresa de 2007 a 2011. Na mesma solenidade, o jornalista Eduardo Castro foi empossado como diretor-geral da EBC.
Além da ministra Helena Chagas, participaram da cerimônia as ministras Tereza Campello, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, e Ana de Hollanda, da Cultura, o ex-ministro da Secom Franklin Martins, a presidenta do Conselho Curador da EBC, Ima Célia Vieira, e representantes de diversos meios de comunicação.
Em discurso, Nelson Breve classificou de “esforço monumental” a tarefa de erguer, nos últimos quatro anos, uma rede nacional de comunicação pública composta por mais de 700 emissoras e presente em 22 estados e no Distrito Federal. Ele destacou os investimentos feitos na modernização de equipamentos, a renovação da grade da TV Brasil e os prêmios de jornalismo conquistados pelas diversas mídias da empresa.
“Todos esses investimentos permitiram avançar em boa parte do caminho para cumprir a missão de levar o melhor conteúdo, com o melhor sinal, ao maior público”, disse Breve. “Eu me sinto herdeiro dessa luta e peço a Deus para estar à altura desse desafio”, completou. Para ele, o novo cargo representa crescimento profissional e também de valores e princípios.
Como desafios para o próximo quadriênio, Breve destacou a elaboração de um planejamento estratégico, a profissionalização dos serviços prestados pela empresa, por meio da capacitação de funcionários, e a conquista de maior adesão do público às mídias. Ele lembrou ainda a importância de a empresa adquirir independência financeira.
“A EBC precisa ter uma gestão profissional, que valorize o esforço, mas que considere os resultados”, ressaltou. “Precisamos conviver com a pluralidade. Temos a obrigação de buscar a eliminação dos preconceitos – nossos e da sociedade”, acrescentou.
A ministra Helena Chagas, que integrou a primeira diretoria da empresa, avaliou que o projeto de comunicação pública proposto pela EBC representa um momento importante de consolidação da democracia no Brasil. Ela definiu a empresa como uma instituição do Estado a serviço da sociedade e uma demonstração de espírito público e de apreço à democracia.
Durante a cerimônia, Helena lembrou que a TV Brasil já é retransmitida em 69 países e destacou a recente conquista do Prêmio Nacional Jornalista Abdias Nascimento pela Agência Brasil, com a publicação de uma série especial de matérias sobre o Dia da Consciência Negra. “É um mercado para a produção independente que não havia antes, um espaço para a cidadania, um espelho onde os diversos Brasil podem se reconhecer”, disse a ministra.
A presidenta do Conselho Curador da EBC, Ima Célia Vieira, classificou a posse de Nelson Breve e a perspectiva dos próximos quatro anos de mandato como uma data especial para a comunicação pública. A empresa, segundo ela, foi instituída com o objetivo de suprir “uma imensa lacuna na democracia brasileira”.
“A democracia não se faz apenas com o voto, mas com a garantia da liberdade de expressão”, ressaltou. “Tenho certeza de que grandes conquistas virão no próximo quadriênio, que colocarão a EBC em um patamar mais elevado”, disse Ima.
Edição: Nádia Franco
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