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Brasil precisa crescer para aumentar salários e bancos devem inverter modelo

Rede de Comunicação dos Bancários (*)

O Brasil precisa acelerar o ritmo do crescimento econômico para gerar e distribuir renda, o que passa por aumentos reais de salário. Se na campanha deste ano os bancos vierem com o argumento de que não poderão dar reajuste por causa dos cortes dos juros e do aumento da inadimplência, os bancários têm que mostrar que o sistema financeiro precisa substituir o modelo de ganhos fáceis com especulação, como até agora, por um modelo de rentabilidade com ampliação da oferta de crédito, que a economia brasileira tanto necessita para se desenvolver.

Essa é, em síntese, a avaliação que o economista Nélson Karam, da Direção Técnica do Dieese, fez neste sábado 16 em palestra no 23º Congresso Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil, que está sendo realizado em Guarulhos, na Grande São Paulo.

Na sexta-feira 15, Karam também apresentou análise de conjuntura no 28º Congresso Nacional dos Empregados da Caixa Econômica Federal (Conecef), que também está acontecendo em Guarulhos, em local diferente. Leia aqui o que o economista do Dieese disse no Conecef.

É necessário distribuir renda

A economia brasileira cresceu 2,7% em 2011, o que para Nelson Karam é insuficiente para gerar a quantidade de empregos que o país precisa. O Brasil já possui a sexta economia do mundo, mas a renda é muito concentrada. “Enquanto no Brasil a renda per capita é de US$ 14 mil, nos EUA é de US$ 45 mil. Precisamos de uma economia forte e uma renda distribuída de forma menos desigual”, afirmou o economista do Dieese.

Karam abordou o movimento de confronto do governo com o sistema financeiro, segundo ele tardio, para que os juros abusivos sejam reduzidos a fim de alavancar o crescimento econômico, o que é defendido há bastante tempo pelo movimento sindical. “A taxa real de juros aplicada no Brasil é de 3,4% ao ano. É uma taxa muito elevada se comparada à Europa e aos Estados Unidos, que praticam taxa de juros real negativa”, afirmou Karam.

Segundo o economista do Dieese, é fundamental repensar as altas taxas de juros praticadas no país, que transferem parte da riqueza nacional para o sistema financeiro. “É necessário reduzir ou estancar o conjunto de riquezas sem contrapartida real gerada pelo rentismo, que é a financeirização da economia em busca da especulação e de uma boa taxa de juros. A transferência da riqueza para a produção abre a possibilidade real de colocar a economia brasileira numa rota de crescimento mais sustentável.”

Para Karam, é preciso fortalecer o mercado interno para alavancar o crescimento brasileiro. “O Brasil desvia R$ 200 bilhões por ano para pagamento de juros e serviços da dívida. O valor é três vezes o orçamento da educação e duas vezes o da saúde. Se nenhuma ação for tomada, acabaremos repetindo o crescimento do ano passado de 2,7%, que é insuficiente para pensar o país numa base menos desigual e concentrada”, concluiu o economista.

Chororô dos bancos

Na avaliação de Nelson Karam, os bancários precisam reagir no sentido de desconstruir o discurso das instituições financeiras de que a queda de juros e do spread bancário e as alterações nas regras da caderneta de poupança inviabilizarão a concessão de aumento real de salário na Campanha Nacional deste ano. “Os bancários precisam apontar para as instituições financeiras que elas precisam se reposicionar”, analisou.

Segundo o economista do Dieese, o papel dos trabalhadores será mostrar que o chororô dos bancos por conta da redução dos ganhos fáceis com a especulação financeira pode ser compensado com o aumento da concessão do crédito produtivo. Para ele, as instituições financeiras podem aumentar suas margens de lucros com a elevação do crédito. “Extremamente benéfica, a medida, além de compensar uma possível perda de ganhos das instituições financeiras, impulsionará a economia brasileira, com a criação de mais empregos e aumento da circulação de capital”.

Durante sua análise, acompanhada atentamente por mais de 300 bancários e bancárias de todo o país presentes ao Congresso, Karam reforçou que o desenvolvimento do país passa, necessariamente, pela redução dos juros. “A margem do spread bancário praticada pelo Brasil é de 28%, uma dos maiores do mundo. Incentivadas pelo governo, as medidas tomadas recentemente sobre o assunto vão na direção de abrir mais espaço para a economia brasileira e é assim que deve ser. É preciso que se mexa nessa estrutura para que o Brasil avance de fato”, destacou.

Reuniões de grupos

O 23º Congresso prossegue neste sábado 16 à tarde com reuniões de grupos sobre os seguintes temas:

1 – Remuneração e condições de trabalho;
2 – Saúde e Previdência;
3 – Organização do movimento;
4 – Banco do Brasil e o SFN.

A Comissão de Empresa dos Funcionários do BB, que assessora a Contraf-CUT nas negociações com o banco, sistematizou as propostas aprovadas nos eventos preparatórios, a fim de identificar e organizar os consensos e as polêmicas. Também foram analisadas as sete teses inscritas, verificando igualmente os pontos convergentes e os divergentes, a fim de facilitar os debates.

O Congresso termina no domingo com a plenária final.

(*) José Luiz Frare, Júnior Barreto e Rodrigo Couto

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Conjuntura não põe negociação salarial em risco, afirma técnico do Dieese

Rede de Comunicação dos Bancários (*)

“Nós precisamos pensar no desenvolvimento, através da discussão sobre os juros. A margem do spread bancário praticada pelo Brasil é de 28%, uma dos maiores do mundo. As medidas tomadas recentemente sobre o assunto vão na direção de abrir mais espaço para a economia brasileira e é assim que deve ser. É preciso que se mexa nessa estrutura para que o Brasil avance de fato”. A afirmação é do coordenador de Educação do Dieese, Nelson Karam, durante a análise de conjuntura realizada nesta sexta-feira (15) na abertura do 28º Congresso Nacional dos Empregados da Caixa Econômica Federal (Conecef), que acontece até domingo (17), em Guarulhos (SP).

Segundo Karam, essas medidas são importantes para abrir caminhos ao debate sobre rentismo na economia brasileira e redirecionar os recursos que estão sendo esterilizados para pagar a dívida interna. “É impossível aplicar 10% do PIB na educação, ou aumentar os investimentos na saúde sem mexer no rentismo”, aponta.

Apesar da necessidade de realizar cortes nos juros, a Caixa se encontra em uma posição favorável, avalia o economista. Só no primeiro trimestre de 2012 o lucro cresceu 46% em relação ao mesmo período do ano passado. A rentabilidade sobre o patrimônio também aumentou – passou de 20% para 40%.

Além disso, todas as despesas com pessoal continuam sendo cobertas pelas tarifas. Essas são, de acordo com Karam, apenas algumas evidências de que o corte nas taxas de juros não pode ser usado pelo banco como argumento negativo na campanha salarial.

Os números favoráveis apresentados por Karam, porém, não acompanham outros pontos da pauta dos bancários. A terceirização, por exemplo, cresceu 12% em 2011. Ele afirma que o momento é de fortalecer nas discussões do movimento sindical temas como a precarização do trabalho, através da terceirização, melhores condições de saúde e trabalho, e distribuição de ganhos de produtividade – itens sempre presentes na pauta de reivindicações dos trabalhadores.

“Os resultados gerais apresentados pela Caixa, unidos ao perfil de aplicações, mostram que é o banco que sairá mais forte desse processo de briga contra a redução do rentismo na economia brasileira”, assegura Karam. Segundo ele, a Caixa está em vantagem se comparado aos demais bancos por já vir praticando o olhar de crédito, e não de especulação.

“Nós estamos frente a uma oportunidade de realizar debates ricos sobre temas de fundamental importância para os bancários e para a sociedade de modo geral. Não devemos nos abster de fazer esse debate”, conclui.

(*) Priscila Bieine

Fonte: Contraf-CUT

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16/06/2012

Brasil precisa crescer para aumentar salários e bancos devem inverter modelo

 
Crédito: Jailton Garcia
Jailton Garcia Nelson Karam, economista do Dieese, faz análise de conjuntura no 23º Congresso do BB

Rede de Comunicação dos Bancários (*)

O Brasil precisa acelerar o ritmo do crescimento econômico para gerar e distribuir renda, o que passa por aumentos reais de salário. Se na campanha deste ano os bancos vierem com o argumento de que não poderão dar reajuste por causa dos cortes dos juros e do aumento da inadimplência, os bancários têm que mostrar que o sistema financeiro precisa substituir o modelo de ganhos fáceis com especulação, como até agora, por um modelo de rentabilidade com ampliação da oferta de crédito, que a economia brasileira tanto necessita para se desenvolver.

Essa é, em síntese, a avaliação que o economista Nélson Karam, da Direção Técnica do Dieese, fez neste sábado 16 em palestra no 23º Congresso Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil, que está sendo realizado em Guarulhos, na Grande São Paulo.

Na sexta-feira 15, Karam também apresentou análise de conjuntura no 28º Congresso Nacional dos Empregados da Caixa Econômica Federal (Conecef), que também está acontecendo em Guarulhos, em local diferente. Leia aqui o que o economista do Dieese disse no Conecef.

É necessário distribuir renda

A economia brasileira cresceu 2,7% em 2011, o que para Nelson Karam é insuficiente para gerar a quantidade de empregos que o país precisa. O Brasil já possui a sexta economia do mundo, mas a renda é muito concentrada. “Enquanto no Brasil a renda per capita é de US$ 14 mil, nos EUA é de US$ 45 mil. Precisamos de uma economia forte e uma renda distribuída de forma menos desigual”, afirmou o economista do Dieese.

Karam abordou o movimento de confronto do governo com o sistema financeiro, segundo ele tardio, para que os juros abusivos sejam reduzidos a fim de alavancar o crescimento econômico, o que é defendido há bastante tempo pelo movimento sindical. “A taxa real de juros aplicada no Brasil é de 3,4% ao ano. É uma taxa muito elevada se comparada à Europa e aos Estados Unidos, que praticam taxa de juros real negativa”, afirmou Karam.

Segundo o economista do Dieese, é fundamental repensar as altas taxas de juros praticadas no país, que transferem parte da riqueza nacional para o sistema financeiro. “É necessário reduzir ou estancar o conjunto de riquezas sem contrapartida real gerada pelo rentismo, que é a financeirização da economia em busca da especulação e de uma boa taxa de juros. A transferência da riqueza para a produção abre a possibilidade real de colocar a economia brasileira numa rota de crescimento mais sustentável.”

Para Karam, é preciso fortalecer o mercado interno para alavancar o crescimento brasileiro. “O Brasil desvia R$ 200 bilhões por ano para pagamento de juros e serviços da dívida. O valor é três vezes o orçamento da educação e duas vezes o da saúde. Se nenhuma ação for tomada, acabaremos repetindo o crescimento do ano passado de 2,7%, que é insuficiente para pensar o país numa base menos desigual e concentrada”, concluiu o economista.

Chororô dos bancos

Na avaliação de Nelson Karam, os bancários precisam reagir no sentido de desconstruir o discurso das instituições financeiras de que a queda de juros e do spread bancário e as alterações nas regras da caderneta de poupança inviabilizarão a concessão de aumento real de salário na Campanha Nacional deste ano. “Os bancários precisam apontar para as instituições financeiras que elas precisam se reposicionar”, analisou.

Segundo o economista do Dieese, o papel dos trabalhadores será mostrar que o chororô dos bancos por conta da redução dos ganhos fáceis com a especulação financeira pode ser compensado com o aumento da concessão do crédito produtivo. Para ele, as instituições financeiras podem aumentar suas margens de lucros com a elevação do crédito. “Extremamente benéfica, a medida, além de compensar uma possível perda de ganhos das instituições financeiras, impulsionará a economia brasileira, com a criação de mais empregos e aumento da circulação de capital”.

Durante sua análise, acompanhada atentamente por mais de 300 bancários e bancárias de todo o país presentes ao Congresso, Karam reforçou que o desenvolvimento do país passa, necessariamente, pela redução dos juros. “A margem do spread bancário praticada pelo Brasil é de 28%, uma dos maiores do mundo. Incentivadas pelo governo, as medidas tomadas recentemente sobre o assunto vão na direção de abrir mais espaço para a economia brasileira e é assim que deve ser. É preciso que se mexa nessa estrutura para que o Brasil avance de fato”, destacou.

Reuniões de grupos

O 23º Congresso prossegue neste sábado 16 à tarde com reuniões de grupos sobre os seguintes temas:

1 – Remuneração e condições de trabalho;
2 – Saúde e Previdência;
3 – Organização do movimento;
4 – Banco do Brasil e o SFN.

A Comissão de Empresa dos Funcionários do BB, que assessora a Contraf-CUT nas negociações com o banco, sistematizou as propostas aprovadas nos eventos preparatórios, a fim de identificar e organizar os consensos e as polêmicas. Também foram analisadas as sete teses inscritas, verificando igualmente os pontos convergentes e os divergentes, a fim de facilitar os debates.

O Congresso termina no domingo com a plenária final.

(*) José Luiz Frare, Júnior Barreto e Rodrigo Couto

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